Diário Gauche


Velhos camaradas

 

Crítica da poesia

 

Depois da leitura de poemas
No serão literário da fábrica
Começa o diálogo

 

Um ouvinte ruivo
De face marcada por manchas solares
Ergue dois dedos

 

Camaradas poetas

 

Se eu lhes versificasse
Toda a minha vida
O papel ficaria rubro

 

E pegaria fogo

 

Vasko Popa (1922-1991). Consagrado poeta da Sérvia, ex-Iugoslávia.




Escrito por Cristóvão Feil às 17h54
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Angeli




Escrito por Cristóvão Feil às 09h07
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Operação Hurricane

Bob Dylan vai cantar em Porto Alegre?

 

Depois da discreta (um ano de investigação) e devastadora Operação Hurricane (Furacão) conduzida pela Polícia Federal contra a verdadeira bandidagem do Rio de Janeiro - só atacadista de colarinho branco e capo dei tutti capi -, esses mesmos setores começam a ter brotoeja na pele aqui na província guasca.

 

Brincadeirinha, gente!

 

Todos sabem que no Rio Grande do Sul não existe disso, nem policial corrupto, nem juiz balconista de sentença. Aqui os bingueiros são cidadãos probos e geradores de emprego e renda. O roubo de automóvel é quase prática esportiva, feito esporadicamente por rapazes que apenas querem se divertir dirigindo os carros provisoriamente emprestados. Os ferro-velhos são edificantes instituições de reciclagem do lixo automotivo. O contrabando de cigarro é apenas um comércio inocente de chibeirinhos famintos em busca da sobrevivência. Quem afirmar o contrário vai lhe crescer o nariz!     

 

De qualquer forma, a anexação da Segurança Pública gaúcha à Polícia Federal - a pedido da encurralada governadora Yeda Crusius - é um fato que está deixando muita gente sem dormir, especialmente depois da Operação Furacão, com seu grau de precisão, densidade criminosa dos alvos, e alcance da ramificação criminosa para dentro do aparelho de Estado e da própria Polícia Federal (como diz o senso comum, "cortou-se na própria pele").

 

Fica provado mais uma vez que os tucanos não tem vocação administrativa de Estado republicano. A responsabilidade que lhes cabe de gerenciar, impor políticas públicas e reerguer algo combalido ou contaminado por interesses privados ou criminosos, eles rapidamente transferem a outrem. Descalçam as botinas da responsabilidade pública, vendem, terceirizam, alienam, desanexam, alugam, tratam logo de jogar à terceiros as suas obrigações político-administrativas de governo. Em suma: amarelam!

 

Informação final: Hurricane é uma das mais conhecidas composições do grande Bob Dylan (na foto com Joan Baez). Gravou-a no disco lp Desire, lançado em 1976.  A música homenageia o boxeador negro Rubin Hurricane Carter, preso e acusado de um triplo assassinato em New Jersey, nos anos sessenta. Anos depois foi inocentado.      

 

Se acontecer o que imaginamos que possa acontecer no Rio Grande, Hurricane pode virar hino por aqui. Escute-a aqui. É linda! Ou esta homenagem de onze guitarristas.




Escrito por Cristóvão Feil às 08h49
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Le poeta Minski

 

 

eu queria tanto
ser um poeta maldito
a massa sofrendo
enquanto eu profundo medito

eu queria tanto
ser um poeta social
rosto queimado
pelo hálito das multidões

em vez
olha eu aqui
pondo sal
nesta sopa rala
que mal vai dar para dois

 

...

 

duas folhas na sandália

o outono
também quer andar

 

 

Paulo Leminski Filho (1944-1989)          




Escrito por Cristóvão Feil às 09h00
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Rio Grande adormecido e os lilliputucanos

 

Um governo de lilliputianos desnorteados

 

Sem Oriente e sem Norte, dona Yedinha está desorientada e desnorteada. De livre e são consciência, mas obrigado pelos fatos que ela própria criou ou se eximiu de agir, chama uma intervenção federal na Segurança Pública.

 

Portanto, parte do governo tucano no Rio Grande está sob intervenção federal branca - através de dois qualificados delegados da Polícia Federal, cedidos com a chancela do ministro da Justiça, Tarso Genro. Aconteceu mais cedo do que prevíamos.  

 

O governo tucano está um desgoverno. Como as nuvens no céu tempestuoso, muda de forma a cada lufada de vento. Se fosse um barco estaria à deriva, sem comando, sem instrumentos, sem plano de navegação e com pouco combustível para alcançar algum porto seguro.

 

Quem são o operadores políticos de dona Yeda? Segundo se sabe, ela própria, o marido, o deputado Záchia e talvez o renegado Schüller.  Qualquer um deles carentes - quase indigentes - de experiência robusta à frente de um grêmio estudantil, que dirá de um governo estadual que precisaria de uma expertise política serena e firme, conseqüente e decidida, mesmo nos moldes neoliberais, com o qual se identifica. Nada disso ocorre e o governo funciona por impulsos descontínuos, desconexos e muitas vezes antagônicos. Não é nem um governo de ziguezague, é um governo de cambalhotas e corcoveios.

 

A cada crise, a rainha fica mais nua, seu capital político - conquistado numa eleição como quem ganha numa roleta de cassino -  se esvai por ralos múltiplos. Começou a perder capital, antes mesmo de assumir, em dezembro último, quando organizou uma expedição parlamentar de tontos para tentar garantir um tarifaço de ocasião. Perdeu secretários sem sequer ter podido nomeá-los. Demitiu aliados de forma atabalhoada e pelo Diário Oficial. Foi o caso do ex-presidente da Fiergs, Dagoberto Godoy, que estava à frente da agência de fomento Caixa RS e viu-se exonerado lendo o D. O. Constrói um discurso para cada evento de fracasso, não há uma lógica unitária, as estratégias que consegue esboçar não resistem 30 dias.

 

Tudo que conseguiu até agora foi justificar o próprio fracasso com a falta de auxílio do Governo Federal. Pois até esse discurso cai por terra - o Governo Federal, com os seus próprios agentes político-administrativos, está assumindo as responsabilidades maiores da Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul.

 

Dona Yedinha, que já era lilliputiana, diminui sua força, seu poder, e seu tamanho. Preparem lupas e microscópios se quiserem continuar acompanhando-a.  E um narrador parecido com Jonathan Swift.          




Escrito por Cristóvão Feil às 08h29
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Charge do Dálcio

Jaleco, pode?

E os jalecos simbólicos que muitos parlamentares usam como "funcionários" das Aracruz, Gerdau, Votorantim, Sistema Financeiro, Empreiteiras, Monsanto, Cargill, Ford, GM, etc - conforme foi denunciado por João Pedro Stédile, tempos atrás... pode?   




Escrito por Cristóvão Feil às 10h21
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Casa da Mãe Joana

 

Sem zoneamento ambiental, dona Yedinha aprova papeleiras, já

 

Isso funciona. A secretária Estadual do Meio Ambiente, Vera Callegaro, e o diretor-presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Irineu Ernani Schneider, garantiram a liberação das primeiras licenças de 2007 para o plantio de florestas no Estado nos próximos dias. A promessa foi feita na tarde de ontem, durante uma reunião com produtores do setor florestal. A informação é do Jornal do Comércio, de hoje.

 

A decisão representa uma mudança de posição da Fepam, que pretendia retomar os licenciamentos para o plantio de florestas [monocultura de eucalipto para celulose das papeleirasapenas depois da conclusão da análise do Zoneamento Ambiental da Silvicultura pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), processo que deve ser iniciado apenas no próximo mês.

Com o recuo, a Fepam cede à pressão de empresários, parlamentares e do próprio governo do Estado, frente a ameça de demissões no setor de florestamento por causa da interrupção nos licenciamentos desde o início do ano. Além disso, havia o temor de que a demora na análise ambiental pudesse ameaçar os três grandes projetos de florestamento no Estado - Aracruz, Stora Enso e Votorantim Celulose e Papel (VCP) -, que somam US$ 4 bilhões em investimentos.

 

Antes do encontro com a Fepam, empresários e deputados ligados ao setor tiveram uma reunião com o secretário do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais, Nelson Proença. Na reunião, os silvicultores apresentaram os números do setor, que prevê a demissão de mais de 2 mil trabalhadores. Proença havia prometido solicitar à Fepam o reinício da concessão de licenças e garantiu que 80% dos pedidos seriam atendidos no curto prazo.

 

De acordo com o diretor-presidente da Fepam, há 14 processos solicitando licenciamento para plantios que já foram vistoriados e que podem ser liberados nos próximos dias. Além disso, mais 17 áreas serão vistoriadas pelos técnicos do órgão nas áreas das empresas Aracruz e Tanagro nos dias 17 e 18.

 

Conforme o cronograma da Fundação, mais 26 áreas das empresas VCP e Tanagro serão vistoriadas nos próximos dias 26 e 27. Schneider esclareceu que não há pedido de licença para a empresa Stora Enso, apenas 11 processos de autorização, já vistoriados, que podem transformar-se em licença prévia, se a empresa apresentar o requerimento e a complementação de documentos. Além disso, há oito processos da Votorantin já vistoriados que aguardam a complementação.

 

Estas licenças serão concedidas para as áreas de até mil hectares, visando garantir o plantio da safra deste ano, uma vez que o zoneamento da silvicultura ainda deverá ser discutido pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

 

A Fepam irá realizar três audiências públicas para análise do zoneamento até o final de maio. Até o fim deste mês, o Grupo de Trabalho criado através de portaria pela secretária Vera Callegaro deverá apresentar seu parecer sobre o zoneamento elaborado pela Fepam para ser encaminhado ao Consema. Será no âmbito do Conselho que os debates finais ocorrerão para a finalização do processo do zoneamento ambiental, determinando as diretrizes que vão orientar os licenciamentos ambientais para florestamento no Estado.

 

O diretor-executivo da Associação Gaúcha de Empresas Florestais, Lauro de Quadros, disse que confia na liberação das primeiras licenças nos próximos dias. Segundo ele, os pedidos devem ser avaliados conforme a legislação anterior ao zoneamento, dentro dos preceitos dos Códigos Florestais Estaduais e Federais e das resoluções dos Conselhos Nacional e Estadual do Meio Ambiente.




Escrito por Cristóvão Feil às 09h38
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8º Fórum Internacional de Software Livre

 

Governo Lula é desorganizado na área tecnológica

 

O secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego e um dos fundadores do PT, Paul Singer, criticou ontem a falta de organização do governo Lula em questões relacionadas ao desenvolvimento tecnológico. Singer (foto) participou de palestra no 8º Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre. A informação é da Folha, de hoje.

 

Ao responder a perguntas do público, uma delas sobre uma possível contradição do governo atual ao incentivar o software livre e, ao mesmo tempo, a criação de patentes nas universidades, o professor de economia da USP disse: "Esse é um governo ambíguo e esquizofrênico. É de direita e de esquerda".

 

Em seguida, completou a frase: "O governo do Brasil é praticamente tão grande quanto o país. São dezenas de milhares de governantes realizando projetos. Não há como todo mundo saber de tudo".

Singer afirmou "não ter a habilidade da informática", mas destacou os programas de código livre como ferramenta para a socialização do conhecimento.

 

"Nem Einstein e Galileu foram geniais sozinhos. Antes deles, muita gente pesquisou e preparou o terreno para as suas descobertas." Os programas livres, que podem ser usados, distribuídos e alterados sem pagamento ao autor original são uma das ferramentas que o governo usa na política da Economia Solidária. O "software livre" é uma bandeira do PT, discutida em documentos e diretrizes políticas do partido.
"O movimento neoliberal obstaculiza a difusão de conhecimento, e o software livre é a melhor contra-revolução neste sentido", completou o economista.

 

Em dezembro de 2004 foi aprovada a Lei de Inovação Tecnológica (Lei nº 10.793), cujo objetivo era regulamentar medidas de estímulo à pesquisa científica, permitindo ao país adquirir autonomia tecnológica e desenvolvimento industrial.

A nova lei funcionou como impulso e incentivo a processos de licenciamento de patentes registradas pelas universidades.




Escrito por Cristóvão Feil às 08h48
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Nada funciona

 

Colapso na gestão ambiental tucana

A secretaria de Meio Ambiente (Sema) do Rio Grande do Sul teve seis chefes diferentes nos últimos anos. Três foram candidatos a deputado estadual, mas não conseguiram se eleger. A sub-politização de um órgão que deveria ser predominantemente técnico está saindo caro para o meio ambiente gaúcho. As áreas protegidas estaduais têm menos funcionários do que há 25 anos. E 90% das verbas em fundos ambientais do Estado estão contingenciados. Agora, dona Yeda Crusius, a governadora tucana, que não tem um projeto de política ambiental concreto, considera que a questão trava o desenvolvimento, e quer esvaziar a Sema de uma série de atribuições.

Preocupados com a situação, ambientalistas gaúchos tiveram encontro com a titular da Sema, Vera Callegaro, para entregar um manifesto contra o que chamam de colapso da gestão ambiental no Estado. Dona Yedinha Crusius já declarou que a gestão dos recursos hídricos e a silvicultura não podem ficar à mercê de preocupações ambientais. Com se ficassem. Graças à falta delas, 80 toneladas de peixes morreram no rio dos Sinos, no início deste ano. Com informações do saite O Eco


 



Escrito por Cristóvão Feil às 08h09
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Continuação do velho modelo concentrador

 

BNDES beneficia monocultura e agronegócio

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um banco estatal da União, anunciou na última segunda-feira, um financiamento de quase R$ 36 milhões, para a empresa Granol, que é centrada na produção e comercialização de grãos e óleos vegetais. O dinheiro será usado na construção de uma fábrica de biodiesel, no município de Cachoeira do Sul (RS).

Frei Sérgio Görgen (foto), dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e ex-deputado (PT/RS), afirma que esse tipo de investimento influência o aumento da monocultura e beneficia somente empresários do agronegócio.

Mesmo com um investimento tão alto, a nova fábrica pode gerar somente 30 empregos diretos, isso porque, as indústrias de biodiesel são totalmente automatizadas.
“Se fosse um programa bem feito integrando energia e alimento, as fábricas poderiam gerar muito emprego na agricultura camponesa, nos pequenos agricultores. O modelo está equivocado e o BNDES também está nestes grandes financiamentos que só vão beneficiar um grupo de empresários” - argumentou Frei Sérgio.

No ano passado, o BNDES financiou mais de R$ 2 bilhões no setor de papel e celulose, com justificativa social de geração de emprego. Para se ter uma idéia, a multinacional Aracruz Celulose, que recebeu grande parte deste investimento, gera um emprego a cada 185 hectares de terra e uma pequena propriedade gera três empregos por hectare. A informação é da
Radioagência NP.


 



Escrito por Cristóvão Feil às 15h37
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Cliente preferencial

Na velha União Soviética, tal procedimento seria chamado de "realpolitik", ou seja, a política ditada pela estrita observância do mundo real, sem ousar, sem mudar nada, apenas tirando proveito da oferta do possível e do pragmatismo exagerado - de modo a não bulir sequer com os aguapés.  

A você, ilustre cavalheiro, nobre dama, não lembra acaso de outros governos mais próximos?




Escrito por Cristóvão Feil às 12h52
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Uribe

 

Colômbia tem um narco-presidente da República

 

Respondendo a uma carta recebida pela revista Carta Capital do embaixador da Colômbia, Jorge Enrique Garavito Duran, acerca da coluna intitulada “Os 40 anos das Farc” (da edição 294, de 9/6/2004), Walter Fanganiello Maierovitch, juiz aposentado e ex-secretário nacional antidrogas da presidência da República (1999-2000), ainda na gestão FHC, escreveu:

"Em 1989, o então deputado Uribe manifestou-se contrário à lei que autorizava a extradição de narcotraficantes. À época, já eram bem conhecidos os laços de amizade que mantinha com a mafiosa família Ochoa: por narcotráfico internacional, os irmãos Ochoa, sócios de Pablo Escobar no Cartel de Medellín, foram temporariamente extraditados para os EUA.

"Um helicóptero de propriedade do genitor de Uribe, de nome Alberto, foi apreendido na Tranquilandia, ou seja, no megacomplexo construído por Pablo Escobar para refino de cocaína".

"Uribe já foi diretor dos serviços da aeronáutica civil: autorizou a construção de pistas privadas e assinou as habilitações de vários pilotos a serviço dos cartéis. Nos poucos meses como prefeito de Medellín, prometeu implantar os projetos sociais idealizados por Pablo Escobar".

"Segundo o relatório da organização Nunca Más, duas fazendas da família, como a La Manada e a La Guacharacas, eram utilizadas como quartéis pelos paramilitares [milicianos direitistas]. Quando governador de Antiochia, Uribe declarou a região como Zona Especial de Ordem Pública. Assim surgiram os mais de 60 esquadrões armados do Convivir, que liquidaram os opositores políticos e garantiram o controle regional aos paramilitares das AUC".

 

Pescado do blog Na Periferia do Império. 




Escrito por Cristóvão Feil às 11h35
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Sempre alerta!

 

Bacci não é nenhum escoteiro

 

Não se pode confundir escotismo com escrotismo. O ex-secretário e deputado Enio Bacci (PDT-RS) não é nenhum seguidor das idéias altruístas e de joelho à mostra de Lord Robert Baden-Powell, o dissimulado matador de zulus na África negra.

 

O propalado sucesso (falso) na Segurança estadual deveu-se a ações espetaculosas e pontuais. O governo de dona Yedinha nunca teve política para a segurança pública no Estado. Teve sim um exibido vitrinista midiático que confundiu vingança privada com justiça pública. 

 

Bacci procurou impactar com ações intimidatórias, como as barreiras policiais na via pública, e repressão do tipo prende-e-arrebenta. Nos seus 101 dias de secretaria, aumentaram as ocorrências de inúmeros crimes e delitos no Estado: assalto à bancos, assassinato, homicídio, latrocínio, roubo de veículos, furtos, etc. Nunca a polícia (civil e militar) matou tantos em tão poucos dias. 

 

Bacci foi uma vassoura nova alçado pela RBS como caçador de bandido. Mais um produto mítico "da hora" produzido pelo oficialismo guasca.

 

Um exame analítico acurado da gestão Bacci destruiria o mito midiático em definitivo. Foi tão eficiente e audaz no combate ao crime que deixou-se rodear por elementos cujo prontuário policial nada fica a dever aos maiores bandidos do País. Talvez o fizesse para adquirir anticorpos necessários à sua brava e ingente luta pela "justiça".

 

Alguns tolos ainda mencionam que o secretário caiu motivado pelo "ciúme dos seus pares". Ora, como se o secretariado de dona Yedinha fosse uma gaiola das loucas onde prevalece o faniquito frívolo dos que sofrem por abrasadoras paixões de armário.       

 

Agora pela manhã, o deputado Bacci estará dando uma entrevista coletiva à mídia amiga. Nada mais inútil. Ouvirão apenas o discurso retórico de um candidato a qualquer coisa nos próximos pleitos - aqui ou em Alfa Centauro.

 

...

 

P.S. - E a bancada do PT na Assembléia Legislativa não teve um grão de crítica ao breve consulado do tipo sensação-de-segurança do senhor Bacci. Por quê?




Escrito por Cristóvão Feil às 10h50
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Artigo

 

O migrante e os usineiros

 

O lulismo é expressão de um governo que fala para os pobres, vivencia as benesses do poder e garante a boa vida aos grandes capitais.

Em artigo anterior ("Tendências/Debates" de 3/1, na Folha), indicamos o pragmatismo, a conciliação e o messianismo como elementos fortes da fenomenologia do lulismo.

Quais seriam os traços ontológicos constitutivos desse fenômeno?

 

Lula é a expressão pública mais bem-sucedida do "self made man" político do Brasil recente: migrante do Nordeste brasileiro, labutou no ABC como torneiro mecânico e se tornou a principal liderança do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.

Sua viva espontaneidade e real representação dos metalúrgicos, sua ação sindical corajosa e recusa à política tradicional foram responsáveis diretos por esse significativo salto.


Desde a segunda metade dos anos 1970, liderou as históricas greves do ABC, participou da fundação do PT e da CUT (Central Única dos Trabalhadores), foi cassado da presidência do sindicato pela ditadura militar.


Durante a década de 1980, esteve presente em praticamente todas as lutas sociais e políticas importantes: nas incontáveis greves, nos embates eleitorais, na constituinte, até as memoráveis eleições de 1989, em que sofreu um embuste eleitoral profundo.

De metalúrgico, tornou-se representante, o mais vigoroso, das forças sociais do trabalho. Do ABC para São Paulo e daí para o conjunto do país.


Sua extração social era límpida: migrante de origem e metalúrgico de alma, teve nessa fase muito mais acertos do que erros - quando se procura fazer uma retrospectiva histórica sóbria, nem "ex post" nem apologética.

Lula era uma expressão típica dos "peões" do ABC, como os metalúrgicos se autodenominavam.


Mas a década seguinte, a dos anos 1990, trouxe mutações profundas, inicialmente com Fernando Collor de Mello e depois com Fernando Henrique Cardoso. O país estancou, os assalariados se informalizaram e o desemprego estrutural explodiu. O país se desertificou.  [...]

 

Continua...




Escrito por Cristóvão Feil às 08h47
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Artigo - parte 2

[...]

O PT e a CUT sofreram na carne esse processo. E Lula, o ex-metalúrgico, pouco a pouco se distanciava de sua categoria (e classe) de origem, assumindo um "modus vivendi" mais próximo das classes médias, como transparece no depoimento que deu a João Moreira Salles em "Entreatos".


Seu crescente papel de "tertius" dentro do PT, com um séqüito de lulistas sempre dando suporte, ampliava sua tendência que oscilava entre a liderança e o mandonismo, ainda que nublada pela (aparência de) simplicidade em suas ações.

Como seus seguidores fiéis jamais faziam nenhum reparo, Lula, acentuando seu traço bonapartista, consolidava a imagem de um farol sempre iluminado que mostrou sua plenitude no poder, depois das eleições de 2002.


Distanciado de sua origem operária, submerso no novo ethos de classe média, galgando degraus ainda mais altos na escala social, tudo isso foi convertendo Lula em uma variante de homem duplicado que passou a admirar cada vez mais os exemplos daqueles que vêm "de baixo" e vencem dentro da ordem. Daí sua admiração por personagens como Zezé di Camargo e Luciano, para ficar nesses exemplos.

 

Sua nova forma de ser gerou uma consciência invertida de seu passado e um deslumbramento em relação ao presente.

Preservada a empatia "direta" com as massas, tendo se moldado celeremente pelo convívio com freqüentadores dos palácios, o lulismo, com seus dotes arbitrais - num momento em que as frações dominantes não puderam garantir em 2002 a sucessão presidencial -, se tornou expressão de um governo que fala para os pobres, vivencia as benesses do poder e garante mesmo a boa vida aos grandes capitais.


Uma espécie de semibonapartismo, recatado frente à hegemonia financeira e hábil no manuseio de sua base social, que vem migrando dos trabalhadores organizados para os estratos mais penalizados que recebem o Bolsa Família. E para o qual o PT se tornou dispensável.

 

O que nos recorda o personagem Felix Krul, de Thomas Mann, que, após experimentar uma vida dúplice, confessou: "Percebi que a troca de existências não produziu apenas uma deliciosa renovação mas também certa obliteração no meu interior - no sentido de que todas as recordações de minha vida anterior haviam sido exiladas de minha alma".
O que ajuda a entender, então, por que Lula agora é só elogios para os usineiros.

 

_________

 

Artigo do sociólogo, professor da Unicamp, Ricardo Antunes, publicado hoje na Folha




Escrito por Cristóvão Feil às 08h45
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Todos lá!

No Parque da Harmonia, em Porto Alegre.


 



Escrito por Cristóvão Feil às 21h29
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É tudo verdade

 

O negro e as loiras

 

Como se diz em terras lusitanas, esta é de cabo de esquadra.  Se eu mesmo não tivesse visto, acharia que alguém estava mentindo.

 

O caso deu-se na RBS TV, hoje, no chamado Jornal do Almoço, por volta das 12h40. A repórter apresenta um cidadão negro, calvo, que protegia uma das mãos com a outra.

 

Sentei e prestei a atenção, vamos ver agora qual a brutalidade que a RBS vai aprontar. O cidadão envolveu-se voluntária e instintivamente como protetor casual de duas jovens que estavam sendo assaltadas por meliantes de moto. Vendo o ocorrido, ele evitou a consumação do assalto e na fuga dos bandidos acabou levando um tiro que lhe raspou a mão direita.

 

Junto, na "reportagem", estavam as duas jovens vítimas, loiras e algo bonitas. A repórter pergunta, de forma um tanto piegas, a uma delas sobre medo, insegurança, etc., ao que a jovem responde:

 

- Pois é, graças a Deus que o tiro pegou nele, e não na gente.  Mas Deus protegeu este senhor, e agora está tudo bem!

 

A câmera enquadrou a meio corpo o cidadão negro ladeado pelas duas loiras, e foi fechando o quadro no sorriso abandonado do mais novo herói anônimo de Porto Alegre.      




Escrito por Cristóvão Feil às 14h44
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Os dois pivôs do caso Bacci

 

Só gente fina!

 

Delegado Luiz Carlos Correa Ribas

 

O delegado Ribas é o atual chefe de gabinete do secretário de Segurança estadual, Ênio Bacci. Consta que sempre foi o coordenador financeiro das campanhas eleitorais do pedetista Bacci, que atualmente é deputado federal. 

Este delegado está denunciado à Justiça Federal, pelo Ministério Público Federal, por roubo de processo da mesma Justiça Federal, pela falsificação de documento da Justiça Federal, por formação de quadrilha, e por extorsão de um bingueiro de Porto Alegre. O processo-crime (que foi roubado) é o de nº 2004-7100010247-5 e corre na 3a Vara Federal.

 

Delegado Alexandre Vieira

 

Atual delegado titular da 17a DP de Porto Alegre. Faz graves denúncias contra o secretário Bacci. Em maio de 2002, depois de denunciado pelo Ministério Público por prevaricação, extorsão, falsidade ideológica, falso testemunho e lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, foi preso e processado. O delegado Vieira foi absolvido. 


 



Escrito por Cristóvão Feil às 12h39
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Sensação de segurança tucana

 

A disputa está encarniçada

 

A disputa aberta dentro da Secretaria de Segurança de dona Yedinha é um escândalo. Grupos de interesses, para não dizer outra coisa, se digladiam por espaço e hegemonia dentro do aparelho de Estado - e certamente não é espaço nos marcos da legalidade e da ordem pública.

 

A que ponto chegou o governicho tucano! A luta que acontecia em becos, vielas, valhacoutos, e esconderijos cinzentos de sombras e fumaças, agora ganha o Palácio da avenida João Pessoa esquina com a avenida Ipiranga.    

 

Fico imaginando se um pálido esboço disso tivesse ocorrido no governo Olívio Dutra, o mundo desabaria sobre o Palácio Piratini. Hoje, entretanto, tudo está naturalizado e normalizado. O Estado está minado por grupos inominados de interesses marrons, mas tudo segue normal, para os padrões tucanos.

 

O sol brilha e as estrelas refulgem sua luzinha piscante e agoniada. Para dona Yedinha o Universo está no seu eixo e a paz reina entre os homens de boa vontade. Que maravilha!   




Escrito por Cristóvão Feil às 10h52
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Abril vermelho

 

Por que não sai a reforma agrária, presidente Lula?

 

No momento em que organiza uma série de ações pelo país, no chamado "abril vermelho", o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) decidiu focar seus ataques diretamente na figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação é do jornal Folha de S. Paulo, de hoje.

 

Além disso, os sem-terra romperam qualquer tipo de negociação com ministérios até que sejam recebidos por Lula em audiência no Planalto.

A decisão foi tomada por unanimidade em reunião da direção nacional do MST na semana passada, em São Paulo.

 

Pelo país, o MST promete espalhar cartazes com a seguinte frase, dita por Lula à revista Caros Amigos em 2000: "Não se justifica num país, por maior que seja, ter alguém com 30 mil alqueires de terra! Dois milhões de hectares de terra! Isso não tem justificativa em lugar nenhum do mundo! Só no Brasil. Porque temos um presidente covarde [no caso, FHC], que fica na dependência de contemplar uma bancada ruralista a troco de alguns votos".

 

O cartaz terá ainda uma foto do presidente com o boné do movimento e a pergunta: "Por que não sai reforma agrária?"

"Caiu a carapuça do presidente. Ele precisa se dar conta que tem um compromisso histórico com os movimentos sociais e com a reforma agrária", disse Marina dos Santos, da coordenação nacional do MST.


MST e Lula historicamente foram ligados. O petista participou do primeiro congresso nacional do movimento, em 1985.

No governo, porém, Lula não cumpriu metas de assentamentos e não conseguiu atender às famílias acampadas.

"Ninguém do movimento vai pedir a cabeça do Lula. Vamos procurar o diálogo com ele", disse a coordenadora do MST.

O movimento quer uma reunião com Lula para ouvir seus planos sobre reforma agrária. Até esse encontro, ainda sem data prevista, o MST se recusa a conversar com intermediários.

 

Na semana passada, o próprio ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) teve um pedido de conversa negado pelo movimento.




Escrito por Cristóvão Feil às 09h00
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Angeli




Escrito por Cristóvão Feil às 12h31
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Conselheiro

 

Cabras-machos

 

Um passarinho brasiliense me contou (não, não é o corvo falante do Poe), que o deputado federal Ônix Lorenzoni (DEM-RS) guarda no deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) uma confiança infinita.  

 

Gabeira, ex-homem de esquerda, hoje, só de direita, é o principal conselheiro de Ônix na luta titânica que levam para instalar a CPI da crise aérea - uma tentativa  sub-moleque de carnavalizar o importante e necessário tema da desmilitarização do Estado brasileiro.   

 

Se sair a CPI, parece que já estou vendo, o valente e xingaraviz Ônix interrogando, de forma policialesca, testemunhas humildes na base de gritos e insultos - de preferência com câmeras e luzes ligadas.

 

Ônix é um cabra-macho... se é!




Escrito por Cristóvão Feil às 10h06
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Água para o moinho do agronegócio

 

MST é contra a transposição do Rio São Francisco

 

O MST divulgou nota em que determina que seja mantida a "unidade" sobre esse tema entre os sem-terra de todo o país e orienta suas sedes estaduais a "demonstrar" que a transposição só vai servir ao agronegócio. O projeto da obra de transposição é do governo Lula.  


 



Escrito por Cristóvão Feil às 09h13
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Livro

Império é o que pode criar constantemente novas realidades

 

Eliot Weinberger é um conhecido poeta e jornalista norte-americano. Este livro reúne as suas crônicas sobre o governo Bush. É uma denúncia implacável da política interna e externa dos republicanos.
Temas da atualidade são desmontados pelo autor: o 11 de setembro, o Iraque, o Afeganistão, a guerra contra o terror, etc.

Um livro comparado por muitos com os documentários de Michael Moore, famoso por mostrar ao mundo (pela linguagem cinematográfica) a verdade sobre a política e o modo de vida  norte-americano. A seguir um trecho do livro de Weinberger, editado recentemente em Portugal (já existe também edição brasileira).

 

 

Um consultor sênior de Bush, cujo nome não foi revelado, declarou recentemente ao jornalista Ron Suskind que pessoas como ele eram membros 'do que nós chamamos de comunidade baseada na realidade': aqueles que acreditam que 'as soluções emergem do estudo judicioso da realidade discernível'.

 

Contudo, explicou, 'esta já não é a forma como o mundo realmente funciona. Nós agora somos um Império e, quando agimos, criamos a nossa própria realidade. E, enquanto você estiver estudando esta realidade (...) agiremos mais uma vez, criando outras novas realidades, que você poderá analisar também, e é assim que se organizam as coisas. Somos os atores da História, e vocês, serão encarregados apenas de estudar aquilo que nós fazemos'.     

 

Livro: O que aconteceu na América (What Happened Here), Editora Âmbar, Lisboa, 2006.

Autor: Eliot Weinberger




Escrito por Cristóvão Feil às 08h08
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Agente passiva da crise fiscal

 

Dona Yeda, a fatalista

 

O jornal Zero Hora tem uma coisa de bom. Ele consegue encarnar e vestir o pensamento do governo Yeda, este não fica tão desprotegido diante da realidade nua e crua da nossa provinciana vida social. Zero Hora faz a mediação entre o ato de (des) governar e o que o senso comum espera do ente público estatal. O resultado é sempre um mito, uma versão retocada da realidade servida na bandeja dourada da ficção diária.  É preciso, portanto, saber ler os mitos, desvendar-lhes os significados ocultos ou velhacos. Feito isso, o governicho começa a ficar menos opaco, mas o aspecto ainda é lamentável.

 

Vejamos essa manchete interna do diário da RBS:

 

À espera de tempos melhores 

 

Uma esperança de alívio nas contas do governo é a capitalização do Banrisul no segundo semestre. O governo está preparando a operação que envolve a venda de parte das ações do banco e pode render entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão aos cofres estaduais até o fim do ano. [...]

 

No núcleo estratégico do governo, há quem avalie que é mais barato fechar as portas de alguns órgãos.

- Todos foram importantes por um período. Mas agora temos de olhar com clareza o custo-benefício. É necessário o Executivo manter uma empresa que dá prejuízo? - diz um interlocutor de Yeda. [...]

 

Já chamamos a atenção aqui no blog para esse modo spenceriano de (des) governar, a aceitação fatalista dos fatos do mercado como orientação naturalizada de tomar decisões de Estado. A manchete "à espera de tempos melhores" demonstra de forma clara e insofismável que o governicho Yeda é agente passivo da realidade amarga pelo qual passa o Estado.

 

Quem quer de fato governar, gerenciar, administrar o Estado e suas vicissitudes tem outro discurso. Não pode estar cansado antes de lutar.  Afirma alto e bom som, categoricamente, que não vai esperar por nada, vai agir.

 

Políticas públicas são ações concretas articuladas entre os agentes políticos públicos e as demandas sociais da população e dos agentes econômicos. Políticas públicas não se faz com apassivamento, com esperas e cerimônias por tempos melhores. Tempos melhores são resultados de ações propositivas fortes combinadas com a mobilização popular e a participação dos diferentes setores econômicos envolvidos num projeto democrático de geração de emprego e renda.

 

Agir de forma justa e transparente - de forma participativa - e não através de mentiras e embustes como essa conversa fiada de capitalizar o Banrisul e daí conseguir resultados e dividendos que futuramente comporão um certo fundo que fará frente às dificuldades de solvência do Estado.... blá-blá-blá-blá. Zero Hora e o governicho insistem nessa tecla furada, a de capitalizar o Banrisul com a venda de ações... já está ficando até chato. Se o Rio Grande depender disso para sair da insolvência, podemos aguardar sentados a intervenção federal no Estado. Será inevitável.

 

Continua...




Escrito por Cristóvão Feil às 12h12
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Agente passiva da crise fiscal - parte 2

 

Vejam o fatalismo manifesto quando se referem às "estatais que dão prejuízo" - segundo a justificação do tipo spenceriana adotada pelos tucanos guascas e seus aliados cansados de guerra. 

O governo Olívio Dutra tinha, entre outros tantos problemas igualmente estruturais, duas estatais que estavam insolventes: o Banrisul e a Sulgás, só para ficarmos em dois singelos exemplos.

 

Ambas seriam privatizadas pelo infausto governo Antonio Britto. Estavam sucateadas e desmoralizadas.

 

O Banrisul tinha seu quadro funcional completamente desmotivado e desprestigiado.

 

A Sulgás era uma empresa de papel, nem sede tinha. Não foram privatizadas pelo brittismo por que não houve tempo para fazê-lo.

 

Olívio, com sua equipe, mandou reerguer as duas instituições. O Banrisul que tinha uma dívida de 747 milhões conseguiu quitá-la e ainda deu lucro e dividendos ao Tesouro, no final de 2002. A Sulgás já no primeiro ano do governo da Frente Popular deu um lucro de 1 milhão de reais, e assim foi num crescendo, até obter um lucro no último ano da ordem de 400 milhões de reais, tendo investido no Estado mais de 130 milhões de reais, sendo um indutor efetivo de desenvolvimento do Rio Grande, aportando emprego e renda às comunidades gaúchas.     

 

Como diz aquela letra da música famosa:  - Quem sabe faz a hora, não espera acontecer! 


 



Escrito por Cristóvão Feil às 12h11
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Entrevista com Stédile

 

 

"Lula não entendeu o recado das urnas"

 

Deu no Estadão, de hoje. Entrevista com João Pedro Stédile (foto), líder do MST, para quem a administração de Lula seria mais conservadora hoje do que foi nos últimos quatro anos, durante o primeiro mandato.

 

Projeto dos Sem Terra

 

"Está em curso no Brasil e em todas as regiões agrícolas do mundo uma disputa de projetos sobre a forma de produção agrícola. De um lado defendemos que a agricultura deve priorizar a produção de alimentos, a geração de emprego, a fixação das pessoas no meio rural e a prática de uma agricultura que proteja o meio ambiente, sem agrotóxicos. Também queremos que as agroindústrias sejam controladas por cooperativas, gerando mais renda para o agricultor".

 

Projeto do agronegócio

 

"Do outro lado está a proposta, que no Brasil se chamou de agronegócio, de uma grande aliança entre as empresas transnacionais que controlam os insumos, o mercado internacional, os preços dos produtos agrícolas, associadas aos grandes proprietários capitalistas. Eles querem produzir apenas mercadorias que dêem lucro e para o mercado externo. Usam mecanização e agrotóxico de forma intensiva e agridem o meio ambiente, além de causar desemprego".

 

Continua...


 



Escrito por Cristóvão Feil às 10h13
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Entrevista com Stédile - parte 2

 

Governo Lula

 

"Infelizmente o governo Lula não entendeu o recado das urnas do segundo turno e voltou a fazer alianças políticas e de classe que representam a adesão pragmática da direita com o governo. A direita só quer ganhar dinheiro e manter a exploração e para isso se alia e controla qualquer governo, mesmo que seja de um ex-líder operário.

Nas avaliações recentes dos movimentos sociais tem sido dito que é um governo mais conservador, de centro e pragmático, para atender aos interesses do capital financeiro e das transnacionais".

 

Reeleição

 

Nos mobilizamos pela reeleição de Lula porque seria um desastre uma vitória do Geraldo Alckmin (PSDB). E a resposta prática que tivemos é que tudo continuará igual.

 

Reforma Agrária

 

"É uma vergonha. Durante o primeiro mandato, o governo não fez nada do que havia prometido. Não aplicou seu próprio plano de reforma agrária. Não aplicou um centavo em agroindústrias cooperativadas. Não assentou verdadeiramente em áreas reformadas.

Os burocratas de plantão fantasiaram os números das metas com famílias realocadas em lotes vazios e em projetos de colonização na Amazônia - como a imprensa tem denunciado. Os estudiosos nos dizem que não houve desconcentração da propriedade da terra nesses últimos 12 anos".

 

Concentração de terras

 

"Nós precisamos urgentemente de um plano sério e prioritário de reforma agrária, que ataque a vergonhosa concentração da propriedade, que priorize regiões próximas dos centros consumidores, que combine distribuição de terra com educação, agroindústria, técnicas agrícolas e respeito ao meio ambiente".




Escrito por Cristóvão Feil às 10h11
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Cara-de-pau

 

Dona Yedinha, uma governadorazinha ardilosa

 

A estatura moral e política de dona Yeda Crusius cada vez diminui mais. A continuar assim, daqui há pouco teremos que observá-la com o auxílio de lupa. Dona Yedinha está à frente de um governicho onde não há grandeza, só pequenez e má consciência.

 

Há poucos dias, esteve aqui no Estado, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para encontrar-se com dona Yeda. Na ocasião foi cogitado vagamente de o RS sediar jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Ninguém prestou muita atenção, com o Estado insolvente, quem vai acreditar em quimeras?

Mas dona Yedinha levou adiante a má-fé para iludir os homens e mulheres de boa-fé. Vejam esta nota que saiu no jornal de Santana do Livramento, A Platéia, do último sábado, dia 7 de abril, página 6: 

 

Grupo busca informações

 

Nesta última semana, aconteceu a reunião do Grupo de Trabalho para preparação da proposta oficial do Rio Grande do Sul para sediar a apresentação final da Copa do Mundo da FIFA de 2014 e a Copa das Confederações da FIFA de 2013. Durante o encontro, o secretário de Estado do Turismo, Esporte e Lazer, Luís Augusto Lara, que foi designado pela governadora Yeda Crusius para coordenar  o trabalho, dividiu os tópicos para o preenchimento dos dados exigidos pela FIFA, através de um questionário.

 

No próximo, dia 19 de abril, os integrantes do Grupo de Trabalho deverão apresentar os dados solicitados, para edição final dos dados a serem apresentados à governadora, antes de serem enviados para a CBF até o dia 31 de maio e para a FIFA, até o final de junho. [...]

 

Recebi uma mensagem-protesto de um grupo de santanenses indignados com o cinismo cara-lisa da governadora. Tanto mais em Livramento, que já foi vítima do mesmo embuste, ainda que em menores proporções. Foi quando da Copa América, em julho de 1995, sediada no Uruguai. Rivera, vizinha de Livramento, foi uma das cidades-sede. Na ocasião, o governador Antonio Britto, estimulou retoricamente os investimentos privados na rede hoteleira local visando o grande afluxo de turistas para assistir a Copa América, fato que não se concretizou, gerando uma frustração generalizada em Livramento, junto com dívidas que perduraram por muitos anos.     

  

Agora, dona Yedinha e o secretariozinho coisinha-de-jesus-Larinha seguem a mesma retórica brittista do engano, da ilusão e da má consciência. Fazer crer que o Rio Grande do Sul vá sediar a apresentação final de uma Copa do Mundo de Futebol é o estado da arte da mentira tucana, e que Livramento (ou quaisquer outros municípios) poderá beneficiar-se disso é a quintessência da vilania política, além de subestimar e debochar da inteligência das comunidades do Interior gaúcho.

 

Na cara-de-pau, os tucanos não tem limites. Se agrandam, ficam gigantes.  


 



Escrito por Cristóvão Feil às 09h15
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Mundo do crime

 

Preso por alimentar lúmpens
 
Eric Montañez, de 21 anos, foi preso por alimentar mendigos em um parque da cidade de Orlando, no Estado da Flórida, EUA. Ele pode pegar até 60 dias de prisão. A informação é da agência France Press, de 5/4.  

Policiais prenderam o jovem enquanto ele servia comida a cerca de 30 lúmpens reunidos no parque. Ele pertence ao grupo "Alimentos, não bombas", que se dedica a alimentar pessoas carentes.

Os policiais gravaram imagens em vídeo e apreenderam a comida como prova. Distribuir comidas nos parques é considerado crime, segundo uma polêmica lei municipal adotada no ano passado.

A criação da lei atendeu às reclamações de administradores municipais e de vizinhos dos parques, que reclamavam da sujeira deixada pela distribuição de comida.

Montañez foi libertado após pagar uma fiança de US$ 250. Se for condenado, ele pode ter de pagar US$ 500 de multa e ficar até 60 dias na prisão.




Escrito por Cristóvão Feil às 07h33
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A cruz de cada um




Escrito por Cristóvão Feil às 17h49
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Manoel

 

Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases. Por exemplo:

- Imagens são palavras que nos faltaram.
- Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.
- Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.

Ai frases de pensar!

Pensar é uma pedreira. Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo)
Concluindo: há pessoas que se compõem de atos, ruídos, retratos.
Outras de palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras.

Manoel de Barros   




Escrito por Cristóvão Feil às 17h50
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Sensação de (in)segurança

 

Manual de Instruções

Instruções-exemplos sobre a forma de sentir medo

Numa aldeia da Escócia vendem-se livros com uma página em branco perdida em algum lugar do volume. Se o leitor desembocar nessa página ao soarem as três da tarde, morre.

Na praça do Quirinal, em Roma, há um lugar conhecido pelos iniciados até o século 19 e do qual, em noites de lua cheia, vêem-se mexer lentamente as estátuas dos Dioscuros que lutam com seus cavalos empinados.

Em Amalfi, no fim da zona costeira, há um dique que penetra pelo mar e pela noite. Ouve-se um cão latir para além do último farol.

Um senhor está pondo pasta de dentes na escova. De repente, vê, deitada de costas, uma diminuta imagem de mulher, feita de coral ou talvez de miolo de pão pintado.

Ao abrir o armário para apanhar uma camisa, cai um antigo calendário que se desmancha, se desfolha, cobre a roupa-branca com milhares de sujas traças de papel.

Sabe-se de um caixeiro viajante que começou a sentir dor no pulso esquerdo, justo debaixo do relógio de pulso. Ao arrancar o relógio, o sangue jorrou: a ferida mostrava os sinais de uns dentes muito finos.

O médico acaba de nos examinar e nos tranqüiliza. Sua voz grave e cordial precede os remédios, cuja receita ele escreve agora sentado à mesa. De vez em quando levanta a cabeça e sorri, animando-nos. Não é nada de mais e daqui a uma semana estaremos passando bem, nos refestelamos no sofá, felizes, e olhamos distraidamente em volta. De repente, na penumbra debaixo da mesa, vemos as pernas do médico. Ele arregaçou as calças até as coxas e veste meias de mulher.

Julio Florencio Cortázar (1914-1984) 




Escrito por Cristóvão Feil às 06h32
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Nunca mais!

 

O corvo

 

Jean Scharlau, vocês sabem, é um blogueiro batuta. Semana passada ele foi a um debate na sede do PT de Porto Alegre, ali na avenida João Pessoa, defronte ao parque da Redenção, cujo tema era comunicação alternativa e o pensamento único... por aí.

 

Quero recomendar vivamente a leitura do texto do Jean comentando tão nobre evento, prestigiado por tantos próceres partidários. Leia aqui.

 

Está imperdível. Quem não ler é mulherzinha do padre. O cara tira um sarro panglossiano da capacidade e agilidade do PT/POA nos temas tratados no debate. É fantástico!

 

Eu diria que o texto está entre o "otimismo" do doutor Pangloss, de Voltaire, e o corvo do poema, de Edgar Allan Poe, aquele pássaro fugido numa noite chuvosa e fria e que tinha aprendido a falar, mas só sabia dizer "nunca mais".

 

PT de luta?      

 

- Nunca mais! - diz o negro corvo empoleirado sobre o busto alvo de Minerva - a deusa romana da sabedoria.

 

- Nunca mais! Nunca mais! 

 

Lá fora o vento frio na noite escura gelava até a alma das criaturas. É só isso e nada mais! 




Escrito por Cristóvão Feil às 12h02
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Espertezas tucanas

Qual é Senador?

 

Lançada informalmente (pelo intelectual orgânico da hegemonia guasca, a RBS) a idéia de constituição de uma frente parlamentar gaúcha com o objetivo principal de trazer soluções federais para a crise provincial, alguns (não todos) oposicionistas serelepes estão pelo visto engajados no projeto yedo-tucaneiro.

 

Visível e matreiramente dona Yeda descalça as botinas, e estimula um simulacro de unidade, visando dividendos políticos futuros (se houver) que só ela e o tucanato irão capitalizar.    

 

A foto acima está estampada em Zero Hora de hoje, e flagra o momento em que o senador de Canoas entregou ontem ao presidente Lula algum misterioso documento relativo ao tema do esperto lobismo yedista. 

 

Agora eu pergunto: que vantagem Maria leva? O que quer o senador Paim? Não estará o senador entrando numa solene fria? O governo Yeda Crusius lhe deu (ou dará) oportunidade de - em contrapartida - fazer valer critérios menos levianos, menos spencerianos, na gestão da crise fiscal guasca? Com que margens de manobra estará operando Paim? Há um pacto branco entre Paim e Yeda? 

 

Sabendo-se que o senador canoense (que fala chiado como carioca) é um rematado conciliador e um radical da cautela, temo que - desta vez - esteja indo longe demais. Aponta um revólver carregado para o próprio pé.

 

Por quê?




Escrito por Cristóvão Feil às 11h02
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Mudanças climáticas

 

Aquecimento ameaça até 30% das espécies, ainda neste século

 

As mudanças climáticas provocarão a extinção de muitas espécies e a redução da diversidade dos ecossistemas, de acordo com a segunda parte do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que será divulgada na sexta-feira (6/4) na Bélgica. Uma súmula do relatório foi publicado hoje pela agência France Press.

 

Cientistas que estão organizando o relatório já estão reunidos em Bruxelas. Essa segunda parte do documento - a primeira foi divulgada em fevereiro - será dedicada às conseqüências do aquecimento global.

 

Segundo cientistas, entre 20% e 30% das espécies estão ameaçadas de extinção durante este século, se a temperatura sofrer um aumento de 2°C a 3°C em relação a 1990. A previsão inicial do IPCC é de um aumento de 1,8°C a 4°C na temperatura até 2100.

 

O aumento de apenas alguns décimos na temperatura constitui uma séria ameaça para os frágeis recifes de corais e para a flora do deserto de Karoo, na África. Se os corais morrem, também são prejudicados em cadeia outros invertebrados e as espécies que se alimentam deles , provocando uma diminuição de numerosos recursos econômicos.

 

No Ártico, onde o ritmo de aquecimento é duas vezes mais rápido, os ursos polares estão diretamente ameaçados pela diminuição da camada de gelo.

 

Num primeiro momento, o aumento da temperatura e as emissões de gás carbônico podem ter efeitos positivos para o crescimento das plantas nas regiões temperadas. Mas à medida que o calor aumenta, o fenômeno se inverte e a vegetação enfraquece.




Escrito por Cristóvão Feil às 08h42
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Desenvolvimento para quem, cara pálida?

 

BNDES - um banco estatal de fomento - privilegia multinacionais

 

No intervalo de 12 anos, de 1995 a 2006, os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas controladas por capital estrangeiro no Brasil passaram de insignificantes 2,7% para 23,9% do total desembolsado no ano. Em números absolutos, os valores passaram de R$ 195 milhões para R$ 12,2 bilhões no ano passado, graças ao crescimento exponencial dos desembolsos totais do banco estatal, que passaram de R$ 7 bilhões para R$ 51,3 bilhões ao longo deste período. A informação é do jornal Valor, de hoje.

 

Em meados dos anos 1990, a direção do BNDES eliminou a proibição que havia até então para empréstimos a empresas de controle estrangeiro. Desde então, a participação relativa dessas empresas no total dos financiamentos do banco manteve uma curva ascendente quase sem interrupção. A proibição foi suspensa, principalmente, porque o banco entendeu que feria a Constituição de 1988 que não faz distinção entre empresas instaladas no país pela origem do capital. Ou seja, os diretores do banco estatal entenderam que havia uma injustiça e uma discriminação ao livre direito das multinacionais - fez-se justiça, portanto - conforme os critérios da mentalidade neoliberal que preside o banco desde sempre.  

 

Os setores de papel e celulose [papeleiras como Aracruz e Votorantim], automobilístico, de transporte aquaviário e de máquinas e equipamentos lideraram os desembolsos em 2006 para as empresas de capital estrangeiro. O setor automobilístico tem sido historicamente um dos principais clientes do banco estatal desde o fim do veto ao capital estrangeiro. Somente em 2003 o banco aprovou R$ 2,3 bilhões para as montadoras. O setor elétrico também tem sido um cliente tradicional, especialmente após as privatizações.

 

Nos últimos três anos o crescimento dos empréstimos às multinacionais se acelerou, chegando a 14,8% do total em 2004, a 22,3% em 2005 e a quase um quarto do total no ano passado. Para analistas ouvidos pelo jornalValor, vários fatores vêm contribuindo para essa aceleração, a começar pela queda das taxas de juros domésticas. Esses especialistas observaram também que, apesar de crescentes, os financiamentos às empresas de controle estrangeiro ainda estão longe de ser proporcionais à fatia da produção de bens e serviços que essas empresas detêm na economia brasileira.




Escrito por Cristóvão Feil às 07h26
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Angeli

Provando que há mais coisas no ar do que os aviões de carreira - como dizia o Barão de Itararé.




Escrito por Cristóvão Feil às 10h56
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Cultura do pântano

 

O modelo de herói da RBS

 

O grupo midiático-político-partidário-eleitoral RBS, de Porto Alegre, edita um diário chamado Zero Hora, na linha do neo-sub-sub-jornalismo. Aos sábados, sai encartado no diário o chamado Caderno de Cultura. Assim, a cultura na RBS é sabatista, como tantas religiões, inclusive a judaica. Considerando, também, que o conceito de cultura para eles é bastante elástico.

 

Sábado passado, por exemplo, o tal Caderno foi dedicado inteiramente ao famigerado BBB 7.  Sim, Big Brother Brasil, edição sétima, produzido pela TV Globo.

 

Exalta o tempo inteiro um sujeito que disputa o tal certame, um certo Alemão, o qual chamam de "herói", um "viking a caminho da vitória", um "vencedor" (a excludente equação vencedor/perdedor tão cultuada pelo senso-comum norte-americano, acreditem, já é senso-comum na classe média brasileira), etc.

 

Acho chato até de falar de BBB, mas vá lá... é uma disputa idiota que procura extrair o que há de mais vil e mesquinho no ser humano, naturalizando tudo sob a máscara de um jogo, submetem os disputantes a provas degradantes e penosas, como permanecer por muitas horas numa jaula, ao sereno e ao sol abrasador, para ver quem é "líder" do cafofo (como no mundo animal, o "líder" é sempre o mais forte e resistente; mulheres, portanto, raus). Outras humilhações, mexericagens, alcagüetagens e conjurações cruzadas.

 

O "herói" da hora para a RBS é, pois, um sujeito que emerge desse pântano excrementoso produzido pelas Organizações Globo - com a qual a RBS obedece uma relação constrangedora de servilismo feudal.

 

Bertold Brecht chamou a atenção para  a miséria e o opróbrio de uma  Nação que precisasse de heróis. Imagina se ele conhecesse o naipe dos novos "heróis" brasileiros propostos pela RBS/Globo!    




Escrito por Cristóvão Feil às 10h45
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Feriado religioso ilegal

 

 

A separação entre Igreja e Estado é ignorada pelo Senado

 

O Senado aprovou projeto de lei que institui o Dia de Santo Antônio de Sant'Anna Galvão, o frei Galvão (aquele das pílulas de papel), a ser comemorado em 11 de maio - dia em que será declarado santo pelo papa Bento Gonçalves 16.  Se a proposta for ratificada pela Câmara, a data passará a ser feriado nacional.

 

Que maravilha! Quase me sinto contrito e edificado!

 

O País ardendo numa crise de emaranhadas motivações, em especial, a disputa de militares por poder e funcionalidade no Estado, e o Senado alienado de tudo, instituindo feriados nacionais de natureza religiosa.

 

Pior: voltado a um singular credo,  a religião Católica romana. Desconhecendo que no Brasil há separação constitucional entre Igreja e Estado - portanto, a consagração legal de feriados religiosos seria matéria inconstitucional - e ademais ignorando também o multitudinário leque de religiões e cultos existentes no País, sem falar no respeito aos agnósticos e ateus.   

 

O Senado Federal mostra cada vez mais a sua própria inutilidade funcional no concerto da República. 




Escrito por Cristóvão Feil às 09h14
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O moderno e o arcaico

 

Dono da Gol explora escravos na sua fazenda

 

O presidente do Conselho de Administração da Gol, o empresário Constantino de Oliveira, 75, está há 27 meses no cadastro dos empregadores que exploram trabalhadores chamados de "escravos". A lista, mantida pelo Ministério do Trabalho, exibe seu nome desde dezembro de 2004. A informação é da Folha, de hoje.

 

A propriedade da qual ele era sócio, a Fazenda Agrícola Tabuleiro, tinha 259 trabalhadores em condições análogas a de escravos em agosto de 2003, de acordo com o Ministério do Trabalho. À época da vistoria dos fiscais do trabalho, os donos foram multados em cerca de R$ 180 mil.

 

A propriedade fica em Correntina, um município de 30 mil habitantes no extremo oeste da Bahia, a 919 km de Salvador. Lá, Constantino e o sócio André Gomes Ribas cultivavam algodão, soja e feijão.

Os trabalhadores libertados catavam raízes para limpar o terreno. Eles ganhavam de R$ 15 a R$ 27 por alqueire catado. Havia também pagamento por dia trabalhado: de R$ 6 a R$ 15.

 

O Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e a Polícia Federal foram até a fazenda após receberem a reclamação de um trabalhador de que lá funcionava um esquema que envolvia trabalho escravo, "gatos" (os aliciadores dos trabalhadores) e condições degradantes.

 

O grupo controlador da Gol também é proprietário do Expresso Caxiense, que faz a linha de transporte rodoviário de passageiros entre Porto Alegre-Caxias do Sul-Porto Alegre. 

Constantino é um legítimo representante da elite branca brasileira, empresário moderno e bem sucedido no mundo urbano, e senhor de escravos no mundo rural. Tem um pé no século 21 e outro no século 19.   




Escrito por Cristóvão Feil às 07h43
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Agenda oculta

 

Privataria nos aeroportos brasileiros

 

A crise da aviação civil brasileira tem várias camadas de leitura. Um pouco eu já comentei no artigo postado abaixo (A desmilitarização do Estado brasileiro). Mas é preciso ressaltar um fato singular no imbróglio que está sendo propositalmente ocultado pela mídia (blergh! chama o Gastão!).

 

Refiro-me à pretensão de investidores de abocanharem a exploração comercial dos aeroportos brasileiros, em resumo, a velha cantilena de privatização, uma vez que o Estado está sendo incapaz de controlar um serviço essencial, caos, quebra da hierarquia, motim, revolta dos sargentos (parece 64!), blá-blá-blá-blá...

Tem gente graúda nessa ciranda, especialmente algumas companhias aéreas. Querem pegar o governo no contrapé desse rolo todo.

 

Meses atrás eu já comentei esse assunto aqui.

 

O aeroporto de Ezeiza, que atende Buenos Aires, foi privatizado no governo entreguista de Carlos Ménen. Hoje, Ezeiza é o paraíso dos lúmpens do colarinho branco, tem contrabando de drogas, armas, dólares e até tráfego normal de passageiros. Está como o diabo gosta e aconselha. Não satisfeitos, o lumpesinato do alto coturno  aéreo privado agora quer "administrar" outros aeroportos gordos da Argentina. O assunto está em pauta no Congresso de lá.     

 

Aqui no Brasil, enquanto isso, alguns pequenos vermes valentes estão espancando humildes moças atendentes dos balcões das companhias aéreas. Como diria um ilustre causídico, amigo meu, "tudo adredemente preparado, data maxima venia!" 




Escrito por Cristóvão Feil às 13h02
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Charge do Cau Gomez




Escrito por Cristóvão Feil às 10h59
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Yedismo em marcha

 

 

O fenômeno e o pega-ratão

 

- Já elaboramos soluções de governo. Em um dia e meio de reunião do secretariado ganhamos quatro anos. Alguns governos demoram dois anos para perceber a importância desse ajuste de ponteiros.

 

Palavras (inacreditáveis) do secretário de Planejamento e Gestão, Ariosto Culau (pronuncia-se Kilô), reproduzidas laudatoriamente em Zero Hora de hoje.

Para o secretário de dona Yeda, segundo ZH,  "a reunião da equipe [de secretários e cupinchas, foto] na quinta e na sexta-feira foi um passo à frente em relação à fase de diagnósticos". Que beleza, ficamos contritos e edificados, torcendo por esses milagres do planejamento estratégico mudérrrrno

 

Um argentino diria, grave: Fenômeno, pibe!

 

...

 

Já a coluna chapa-branca de Rosane de Oliveira, hoje, lança uma nova linha política, através de um balão de ensaio, que ela chamou de "Frente Gaúcha".

 

De plano, lançou o deputado federal Marco Maia (PT-RS) como coordenador ad hoc de um certo grupo de trabalho que reúne parlamentares gaúchos e técnicos do governo estadual para uma espécie de mutirão a fim de sensibilizar o governo federal face às dificuldades do Tesouro do Piratini.

 

Dona Rosane conclui dizendo que "peso político" também não é um fator tão importante assim, se fosse, a simples presença dos ministros Tarso Genro e Dilma Rousseff bastariam para ter "ajudado o Rio Grande de alguma forma".  

 

Como se vê, está armado o famoso e velho golpe pega-ratão. Uma comissãozinha básica, cujo dirigente é do PT, imbuída da amarga e inglória missão de bisbilhotar brechas na área federal para aliviar o drama deficitário do Estado, aportando numerário novo e vivo. Agridoce ilusão!

 

Se não der certo - obviamente vai dar errado - as donas Yeda e Rosane já tem o bode expiatório para nomear: o Governo Federal, Lula, e o cachorro do Lula, Tarso, e o gato do Tarso, Dilma, e o papagaio da Dilma, e todos os moradores humanos e semoventes vivos do Plano Piloto do DF. Serão execrados por Zero Hora e condenados a arder no mármore do inferno até o fim dos tempos.   




Escrito por Cristóvão Feil às 10h08
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Pirão encruado

 

Caminhoneiros chilenos e os controladores de vôo

 

A comparação que o (ótimo) jornalista Paulo Henrique Amorim está fazendo entre os "caminhoneiros contra Allende" e os controladores de vôo que reivindicam a desmilitarização do setor é um equívoco lamentável e não resiste à primeira análise.

 

O caminhoneiros chilenos eram financiados por dólares vindos de diversas origens: Departamento de Estado dos EUA, CIA, burguesia chilena, etc. Eram regiamente pagos para nada transportar, especialmente alimentos de primeira necessidade.  Ajudaram a derrubar o governo democrático de Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, com o auxílio inestimável da embaixada brasileira em Santiago, que tornou-se um centro ativo de conspiração e démarches. [Essa história ainda está por ser contada.]

 

O controladores de vôo brasileiros não são mobilizados (ou imobilizados) por ninguém e não são golpistas. Apenas reivindicam direitos, entre os quais - sendo civis, a maioria deles, terem que obedecer ao disciplinamento militar da Aeronáutica, não terem plano de carreira e demais compensações pecuniárias pela função essencial que exercem. 

 

Como se vê, a questão não é tão simples assim. Tem muita lingüiça (verde-oliva e azul-celeste) debaixo desse pirão encruado. No momento, Paulo Henrique Amorim está matutando como um mero usuário de classe média vulgar.

 

Infelizmente.




Escrito por Cristóvão Feil às 08h37
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Artigo

 

A desmilitarização do Estado brasileiro

 

Se o general Ernesto Geisel [o mais alto na foto] estivesse vivo diria que a atual crise militar que se manifesta através dos espetaculosos tumultos em aeroportos civis (onde o fascismozinho ordinário da classe média desconta sua frustração de classe espancando pequenos empregados) é produto da ação recalcitrante dos "bolsões sinceros, porém radicais". O que a oposição chama simplificadamente de "apagão aéreo", é a rigor um apagão nas relações republicanas entre civis e militares ainda com veleidades de poder - usurpado em abril de 1964 a um presidente civil.  

 

Há muitos anos, pelo menos desde o fim da ditadura militar, em 1985, existe essa luta surda nos bastidores do Estado brasileiro. O governo do professor Cardoso sempre preferiu rodear o problema, e o governo Lula chegou a meter a mão no vespeiro, ainda que de forma vacilante. Trata-se do necessário processo de desmilitarização da máquina público-estatal do País.

 

A ditadura militar que se prolongou de 1964 até 1985 deixou muitas seqüelas não só na nossa vida social, mas no aparelho do Estado mesmo. Mais de duas décadas de mando ditatorial e hegemonia quase plena na ocupação de responsabilidades estatais, criaram vínculos e funcionalidades de difícil desconstituição.

 

No período autoritário o Estado brasileiro acabou sendo quase uma extensão da caserna. E o setor privado também mimetizava esse fenômeno empregando militares de alta patente em cargos executivos ou de conselho de administração das empresas, escancarando uma promiscuidade imoral entre público e privado, tendo os agentes militares como mediadores orgânicos de uma simbiose com mútuas vantagens.

 

A ditadura militar de 64 lançou raízes para dentro do aparelho público e a sua desconstituição é um dever de cidadania e republicanismo. O estamento militar em si é um anacronismo, em especial hoje nestes tempos de Império singular e guerras tecnológicas instantâneas e sem exércitos, onde os efetivos soldados do front são formados por brigadistas profissionais terceirizados arregimentados e treinados por mega-empresas de segurança e repressão.  [...]

 

 

Continue lendo este artigo aqui.




Escrito por Cristóvão Feil às 07h54
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Karmo



Escrito por Cristóvão Feil às 20h55
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Zuca poeta

 

 

Calote Metaphysico

A vida é curta
e a salvação difícil...
Além de que a salvação pessoal
parece um negócio
dos mais duvidosos...

conviria primeiro saber
se a salvação em si
existe.

E se não existe...
então aquela força
e os sacrifícios
só pra no fim levar
o calote metafísico!...

 

Zuca Sardan (Poeta e diplomata carioca nascido em 1933. Notabiliza-se por uma poesia demolidoramente debochada e irônica.)




Escrito por Cristóvão Feil às 18h41
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