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Domingueira
Essa cena rústica e terna, lembra a Sade
Calma! Eu explico, meu filho. Basta ouvir aqui a belíssima Sade Adu cantando No ordinary love.
Escrito por Cristóvão Feil às 09h09
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As vaias do Maracanã

Sapo engomado
As vaias ao presidente Lula ontem no Maracanã são a voz exclusiva e intransferível do Rio branco, bem nutrido, e Zona Sul. São as vaias dos eleitores de Garotinho, Rosinha, César Maia e Sérgio Cabral. Só para mencionar os últimos escolhidos dos "politizados" manifestantes do Pan. Sem dúvida uma platéia com aguçado espírito "crítico" e "cidadão".
Já o presidente Lula deve ter aprendido uma lição. Por mais que se esforce para agradar a fatia branca, bem nutrida e "Zona Sul" dos brasileiros, mais esta fatia lhe cuspirá no rosto. Do ponto de vista de classe, o governo Lula faz todas as vontades do andar de cima, mas enquanto o presidente não for inteiramente branco, "de berço", e com perfil "Zona Sul" ele continuará intragável.
Pode-se dizer então que as vaias não aconteceram por motivo político, mas por combinadas razões étnico-estético-comportamental. Ou seja, mesmo que Lula faça a política do príncipe branco, para essa gente, ele sempre será visto como um engomado sapo nordestino.
Coisas da vida.
Escrito por Cristóvão Feil às 16h07
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Leitura
Artigo de Miguel Rossetto
Quero recomendar a leitura de um artigo do ex-ministro Miguel Rossetto. O título é Por um projeto de esquerda, socialista e democrático. Foi publicado ontem no portal da Agência Carta Maior, aqui.
Acabei de lê-lo. Confesso estar impactado. É impossível permanecer impassível diante das considerações do Miguel. Mas não irei fazer comentário, agora. Prometo escrever sobre o artigo na segunda-feira.
Escrito por Cristóvão Feil às 13h08
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Sábado lavado

Zefa lavadeira
(Trecho de A mulher obscura)
[...]
No remanso em que bate a roupa, há bambus e ingazeiros pelas margens. Josefa entra no caudal até as coxas morenas, a camisa arregaçada, o cabeção de crochê impelido pelos seios duros, tostados de soalheiras.
O braço valente arroja o pano contra a pedra de bater, e axila cobre-se e descobre-se, piscando a tentação de arrochos e rendições cheias de saciedades. Aqui, toda lavadeira de roupa é boa cantadeira. A cantiga é uma corruptela de velhas toadas num tom langoroso, alimentado de sofreguidões, de desejos incontidos, e de lamentações incorrespondidas.
Depois de lavar a roupa dos outros, Zefa lava a roupa que a cobre no momento. Depois, deixa-a corando sobre o capim. Então Zefa-lavadeira ensaboa o seu próprio corpo, vestindo o manto de pele negra com que nasceu.
Outras Zefas, outras negras vêm lavar-se no rio. Eu estou ouvindo tudo, eu estou enxergando tudo. Eu estou relembrando minha infância. A água, levada nas cuias, começa o ensaboamento; desce em regatos de espuma pelo dorso, e some-se entre nádegas rígidas. As negras aparam a espuma grossa, com as mãos em concha, esmagam-na contra os seios pontudos, transportam-na, com agilidade de símios, para os sovacos, para os flancos quando a pasta branca de sabão se despenha pelas coxas, as mãos côncavas esperam a fugidia espuma nas pernas, para conduzi-la aos sexos em que a África parece dormir o sono temeroso de Caim. [...]
Jorge Matheos de Lima (1893-1953)
Escrito por Cristóvão Feil às 10h09
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Cinema verdade
Memoria del Saqueo mostra o desastre neoliberal na Argentina
Depois de vários filmes de ficção (El exilio de Gardel, Sur, El viaje), Fernando "Pino" Solanas retorna ao que realmente saber fazer, o cinema documental de denúncia.
Memoria del Saqueo é um completo documento sobre o processo de saque e esvaziamento econômico, social e cultural sofrido pela Argentina, nos últimos quinze anos (o filme foi realizado em 2003), revelando as origens disso tudo ainda no período da ditadura militar de 1976 e passando pelo entreguismo aberto e corrupto do presidente Carlos Menen (foto).
Assista o filme-documentário na íntegra, agora, ou grave-o para assistir depois.
Parte 1 aqui - com duração de 60 minutos.
Parte 2 aqui - com duração de 53 minutos.
O filme de Pino Solanas é um documento vivo inestimável, cru, verdadeiro, triste e revoltante. Imperdível!
Escrito por Cristóvão Feil às 12h45
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Angeli

Escrito por Cristóvão Feil às 12h17
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Constatação

Para Evo, Mercosul tem monopólio neoliberal
O presidente da Bolívia, Evo Morales, questionou ontem, o papel econômico desenvolvido pela Comunidade Andina de Nações – CAN – e o Mercosul, que chamou de “monopólio dos neoliberais”. A informação é do jornal mexicano La Jornada, de hoje.
Evo Morales afirmou que o debate de fundo nos processos de integração regionais, econômicos e comerciais é a solução dos problemas dos setores sociais mais empobrecidos da região.
“Este é um debate político-pragmático entre aqueles que querem resolver os problemas destas pessoas historicamente abandonadas como os microempresários e aqueles que não o querem fazer”, disse Evo Morales que aposta com firmeza na Alternativa Bolivariana para as Américas – ALBA -, juntamente com seus aliados políticos Fidel Castro, de Cuba, e Hugo Chávez, de Venezuela.
Morales segue a linha do discurso de Chávez que na semana passada, em Caracas, afirmou que CAN e Mercosul “nasceram no marco do neoliberalismo, tratando-se de uma integração de elite, de empresas, de transnacionais e não uma integração dos povos”.
O presidente aymara não aclarou que rumo tomará a Bolívia, membro pleno da CAN e membro associado do Mercosul.
Escrito por Cristóvão Feil às 08h50
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Stédile

Agronegócio remete para fora 4 bi de dólares só de janeiro a junho/07
Em discurso ontem na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel - durante a 6a Jornada de Agroecologia promovida pelo Movimento dos Sem Terra e Via Campesina -, João Pedro Stédile, um dos principais líderes do MST, disse que o latifúndio deixou de ser o principal inimigo do movimento.
Ele elegeu outros adversários: empresas transnacionais, o agronegócio e o governo Lula, na luta pela reforma agrária e mudança do modelo econômico. A informação é do Estadão de hoje.
“Antes era o latifúndio, agora são as empresas transnacionais que exploram as nossas riquezas e levam para fora do País”, afirmou Stédile, referindo-se a multinacionais como Cargill, Bunge e Monsanto. Segundo ele, as empresas que dominam o agronegócio brasileiro enviaram para o exterior cerca de US$ 4 bilhões entre janeiro e junho deste ano, enquanto a reforma agrária necessitaria de US$ 1 bilhão para ser executada pelo governo.
De acordo com o MST, existem 4 milhões de famílias sem-terra no Brasil. A maioria, segundo o movimento, vive em acampamentos precários.
Para Stédile, a reforma agrária no governo Luiz Inácio Lula da Silva está muito longe da expectativa dos movimentos sociais. “O MST se iludiu com o Lula porque ele não manda nada, vive viajando. Quem manda nesse País são os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Por isso, a reforma agrária não avança.”
Para ele, o Estado fez uma “aliança” com o agronegócio e cria leis para protegê-lo. “O Lula fica quieto porque recebeu dinheiro de campanha das empresas transnacionais”, acusou.
Stédile admitiu que o MST vive um momento adverso, mas garantiu que o movimento não abandonará a luta pela mudança na política econômica, a qual, segundo ele, é o principal entrave da reforma agrária do governo Lula. “Vamos continuar as ocupações de terra.”
Escrito por Cristóvão Feil às 08h41
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Contra o Departamento de Estado dos EUA

Ação judicial politiza a memória do golpe de 64
Altamente pertinente e politizada a ação judicial bilionária que a família do ex-presidente João Goulart move contra o Departamento de Estado dos EUA.
Objeto da ação: provar que a CIA financiou o golpe militar de 1964, que acabou com o governo constitucional e democrático do presidente Jango, garantindo a implantação e institucionalização de um governo militar impostor, repressor e que suprimiu as liberdades democráticas e o chamado Estado de Direito no Brasil, por mais de 20 anos.
Motivo da ação: declarações recentes do ex-embaixador norte-americano no Brasil, à época do golpe, Lincoln Gordon admitindo que o Departamento de Estado e a CIA enviavam dólares clandestinos para financiar atividades que desestabilizassem o governo Goulart, bem como o financiamento de campanhas político-eleitorais de candidatos de direita e anti-Goulart. Recentemente foi localizado por pesquisadores e divulgado na TV brasileira um telegrama enviado pelo Departamento de Estado do EUA ao então embaixador Gordon em 31 de março de 1964, data do golpe, colocando um porta-aviões à disposição dos militares brasileiros golpistas.
Segundo João Vicente Goulart, filho de Jango e um dos autores da ação judicial, a intenção é que a Justiça conceda o direito à família de citar o governo americano sobre um "dolo material, moral e, principalmente, de imagem, porque eles derrubaram um presidente eleito". João Vicente afirma que a verba secreta não foi autorizada pelo governo dos EUA, por que não foi sequer examinada pelo Congresso norte-americano.
Valor da ação indenizatória: R$ 3,4 bilhões (cerca de 1,78 bi de dólares), dos quais R$ 3 bilhões por danos morais e R$ 496 milhões a títulos de danos materiais, segundo cálculos periciais anexados ao processo judicial.
Para além da reparação moral e material, essa ação é portadora de um conteúdo simbólico de grande politização, por isso deve ser acompanhada atentamente por todos nós, para que os seus objetivos sejam alcançados com êxito, e desse esperado êxito seja recomposta a verdade histórica e memorial das lutas populares no Brasil.
Na foto, o presidente Jango, à esquerda, cumprimenta o presidente Kennedy. Meses depois desta fotografia, um estaria deposto, golpeado pelos gorilas brasileiros com a ajuda clandestina do governo ianque, e o outro estaria morto, assassinado por uma espécie de golpe branco coordenado por interesses que vão desde a máfia cubana de Miami, até setores do complexo industrial-armamentista norte-americano e que visavam recrudescer a Guerra Fria, por razões econômicas.
Escrito por Cristóvão Feil às 10h59
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Notícias das águas turvas

Moby Dick na rede
Encontro próximo ao Mercado, uma velha raposa felpuda. Trazia sob o braço uma garrafa de Setembrina 8 anos, que acabara de comprar. Me aponta e diz que foi por recomendação minha.
Eu aprovo e troco de assunto, perguntando pelo Macalé.
- Não é Macalé, pô! É Macalão - me corrige, com a máscara do mau humor.
- Então?
- Não posso falar agora, mas esse é cascudo comedor de barro, é preciso apanhar os chefes dele - completa a raposa.
- Então? - insisto impaciente.
- A Polícia Federal está indo fundo, isso aí da Assembléia é uma teia nacional, aconteceu em vários Estados.
- Então, deve ter peixe graúdo na rede, não?
- Não, não tem peixe graúdo na rede, tem mamífero - responde, já com o pé virado para escapar da minha curiosidade curiosa.
- Como assim, mamífero? - obtempero pálido de espanto.
- Ué, meu chapa, baleia não é mamífero? - me olha com cara de safardana.
Antes de se afastar rápido com aquela garrafa preciosa ele me dá um tapa no ombro e diz, agora com o humor recuperado:
- Fui!
Gelei num mandrake rápido, o tempo suficiente para consultar os bicos dos meus sapatos de chuva, se baleia pode vir a ser um predador de águas turvas. Eles, os sapatos molhados, responderam de bate-pronto:
- Lembra da Moby Dick! Oh! Pedro Bó!
Escrito por Cristóvão Feil às 08h19
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Grêmio vence, sem jogar

Surfista Prateado desiste de ser rei do Grêmio
Antonio Surfista Prateado Karan Britto Filho (na foto, com cabelos cinza-prata número 20) desistiu de suceder o presidente Paulo Odone na direção do clube da Azenha.
Tendo plena consciência da sua condição de surfista calhorda que dropa as marolas espertas e politiqueiras de Paulo Odone, Karan Britto Filho entregou a rapadura e disse ontem ainda que não vai encarar o mar de indignação e revolta que o anúncio do seu nome causou em toda a comunidade tricolor do Estado.
A galera gremista, simbolicamente vitoriosa por ter derrotado o "poder monárquico" de Britto e Odone juntos, agora tem que abrir o olho com esse mal (porca e parcamente) explicado projeto do Grêmio Empreendimentos.
Nota importante: nauseado, antes de postar o suelto com esta fotografia do Prateado, preventivamente ingeri um Dramin - duplo.
Escrito por Cristóvão Feil às 11h06
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Escândalo tucano naturalizado

Municípios protestam hoje contra renovação de pedágio
Prefeitos e comunidades de mais de sessenta municípios protestam hoje, em Porto Alegre, contra a prorrogação dos contratos de pedágio no Rio Grande do Sul. A informação é da Agência Chasque.
A manifestação ocorre a partir das 14 horas com concentração na Esquina Democrática, no Centro da capital. Em seguida, os manifestantes se dirigem ao Palácio Piratini, onde entregam documento à governadora Yeda Crusius, que está em tratativas sigilosas com os empresários do pedágio e não divulga o conteúdo destes acertos lesivos ao interesse público.
Os manifestantes querem barrar a tentativa de prorrogação dos contratos, que vencem só daqui a sete anos. Se forem prorrogados, as concessionárias poderão controlar os pedágios no Rio Grande do Sul pelos próximos vinte e dois anos. Somente no ano passado, as empresas de pedágios lucraram 260 milhões de reais.
Escrito por Cristóvão Feil às 10h32
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Graças ao Pachuca

Camisa nova, Fernandinho?
O portal do Sport Club Internacional está fazendo uma "interativa" (agora está na moda, isso) para que os internautas escolham o novo emblema do clube da avenida Padre Cacique. Se tu és colorado, vai lá, meu filho. Escolhe aqui.
Mas não vai te decepcionar, as três sugestões estão - eu diria - carnavalescas, momescas, para dizer o mínimo.
Escrito por Cristóvão Feil às 09h48
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Post-it mental
Decálogo para falar mal de Hugo Chávez
Lembrete pendurado na frente de jornalistas da mídia oligárquica:
1. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele recupera o papel do Estado, desqualificado e enterrado por nós há tempos.
2. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele se diz anti-imperialista e esse é um tema proibido na mídia há tempos.
3. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele funda um novo partido, quando martelamos todos os dias que todos os partidos são iguais, que são negativos, que sempre refletem interesses de grupinhos.
4. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele recupera o papel da política, quando todo o trabalho cotidiano da mídia é para dizer que a política é irrecuperável, que só a economia vale a pena.
5. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele vende petróleo subsidiado aos países que não podem pagar o preço do mercado - inclusive a pobres dos Estados Unidos -, o que evidentemente fere as leis do mercado, pelo qual tanto zela a mídia.
6. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele é um mau exemplo para os militares, que só devem intervir na política quando seja necessário um golpe militar e nunca para defender os interesses de cada Nação.
7. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele ataca a mídia privada e fortalece a mídia pública. Porque ele acabou com o analfabetismo na Venezuela, tema sobre oqual devemos calar. Porque ele vai diminuir a jornada de trabalho em 2010 para 6 horas e esse tema é odiado pelos patrões.
8. Devo falar mal de Hugo Chávez porque assim me identifico com os interesses do dono do meio em que trabalho, garanto o emprego, fortaleço os partidos e as empresas aliadas do patrão.
9. Devo falar mal de Hugo Chávez porque ele faz com que se volte a falar do socialismo, depois que nos deu muito trabalho tratar de enterrar esse sistema, inimigo do capitalismo, a que estamos profundamente integrados.
10. Devo falar mal de Hugo Chávez (e de Evo Morales e de Lula e de todos os não brancos), senão eles vão querer dirigir os países, os jornais, as televisões, as empresas, o mundo. Será o nosso fim.
Pescado, chupado e pirateado (no bom sentido, claro) do Blog do Emir.
Escrito por Cristóvão Feil às 08h52
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Lançamento de livro e curso de formação

História das Lutas dos Trabalhadores no Brasil
Hoje, 11 de julho, a partir das 14h, a Assufrgs estará promovendo o curso de formação sobre a história das lutas dos trabalhadores, com o coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação, Vito Gianotti.
Às 17h30, haverá o lançamento do livro "História das Lutas dos Trabalhadores no Brasil", de Vito Giannotti.
O curso será no Anfiteatro 400 - 4º andar da Escola de Engenharia Civil da UFRGS, avenida Osvaldo Aranha, 99 - Porto Alegre.
Escrito por Cristóvão Feil às 08h18
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Política & Economia
O frio que habita o gelo
Leio hoje numa destas colunas de jornalistas sabujos do mandonismo guasca que o Grêmio está submerso numa "pavorosa crise política". Uau!
Vejam como é o tratamento das palavras, por parte dessa gente. O autoritarismo cara de pau e arrogante do senhor Paulo Odone indicando o dedo-podre do Britto para seu sucessor na presidência do Grêmio, cuja conseqüência foi a revolta da torcida gremista e parte dos conselheiros do clube, agora está sendo rotulado de "pavorosa crise política".
Observem a conexão que o sacastrapo faz do vocábulo "política" com algo negativo ou "pavoroso".
Essa gentalha liberal sempre vincula o conceito de política com a idéia de algo em crise, ineficiente, corrompido ou particularista. O que é oferecido como contraparte à política é o conceito econômico (que é estruturalmente encharcado de política).
Com a economia são identificadas as elevadas noções de eficiência, neutralidade e cálculo racional. A economia - para esses - tem virtudes nobres e generosas, a política tem vícios torpes e plebeus.
Como se uma não habitasse a outra, tal como o frio habita o gelo.
Escrito por Cristóvão Feil às 12h32
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Preta, pretinha

A estranha e súbita saída de Lúcio do Grêmio
Tem alguns ingênuos (ou seriam mal intencionados?) que afirmam que o Paulo Odone é um bom administrador do Grêmio. Como assim?
Um dirigente que permite que o clube se desfaça de um jogador como o lateral/volante Lúcio é o quê? Pior: em pleno desenrolar de uma competição vital como o campeonato brasileiro e o time em plano ascendente na tabela de classificação.
O bom Lúcio está indo semana próxima para o Hertha Berlim, da Alemanha, monetizado que foi não se sabe por quem, nem por quanto. Uma transação cercada de meias-verdades e muito mistério.
Alguém explica isso? Esse dirigente está a favor do clube ou é infiltração de interesses estranhos ao clube? Em que time joga o senhor Paulo Odone?
Por favor, me digam!
Escrito por Cristóvão Feil às 11h05
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Angeli

Escrito por Cristóvão Feil às 10h22
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Jornalismo criptografado

Concessionária de pedágio banca obra do Estado na Serra?
Deu na coluna da jornalista Rosane de Oliveira, hoje no jornal Zero Hora (grupo RBS).
As obras anunciadas ontem pelo governo em Caxias do Sul serão bancadas pela concessionária das rodovias da região, num sinal de que as negociações com o Piratini vão de vento em popa.
Como assim, "serão bancadas pela concessionária"? Quer dizer, então, que uma empresa que explora o pedágio na região de Caxias do Sul vai "bancar" obras do Governo do Estado? Quais são os conteúdos dessas "negociações que vão de vento em popa"? Qual popa?
Vejam que a jornalista de Zeagá mais encobre a notícia do que a informa com clareza e objetividade. É o jornalismo das senhas, que opera como lousa de recados para um exclusivo clube do poder guasca. Os leitores não entendem direito o que está acontecendo, de fato. As coisas são ditas não para revelar a verdade dos fatos, mas para ocultar e confundir a informação e o leitor desarmado.
De qualquer forma, a Oposição na Assembléia precisa apurar essa notícia criptografada por Zeagá, especialmente os membros da CPI do Pedágio.
Aí tem!
Escrito por Cristóvão Feil às 09h52
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Pan e circo

Pan-Rio 2007, o evento estatal de 2 bilhões de dólares
Muitas vezes nós somos tentados a supor que os clássicos ficam velhos, obsoletos. Ledo (Ivo) engano. Marx, no "Manifesto Comunista", afirmou que o Estado não passa de um comitê da burguesia, no sentido de ser um instrumento para a realização do capital e defesa dos interesses do mercado. O "Manifesto" foi lançado em fevereiro de 1848, e no Brasil continua absolutamente atual.
A Folha de hoje publica uma entrevista com o ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior, filiado ao PCdoB. Júnior é identificado desde sempre com um partido de esquerda, mas a sua fala não difere em nada de alguém alinhado com o DEM, por exemplo. Não há um grão de crítica ministerial a esse verdadeiro processo delirante de querer que o Brasil sedie a Copa do Mundo de 2014. Para cúmulo, já estão falando em Olimpíadas de 2016 - que, por supuesto, seria no Rio de Janeiro.
Menos mal que Júnior admita a completa ausência de aporte de recursos do setor privado aos pesados investimentos no Pan 2007. Aí é que entra o conceito marxista de "comitê da burguesia". O tesouro público investiu cem por cento dos quase 2 bilhões de dólares que está sendo o custo do Pan-Rio 2007.
Investiu numa idéia abstrata, empírica e sem nenhuma comprovação científica de que o esporte enobrece (quem quer ser nobre, hoje?), o esporte tira das drogas, o esporte afasta da más companhias, blablablablabla e bla.
A rigor, o esporte está sendo paulatinamente monetizado pelos interesses comerciais dos grandes grupos econômicos, por que se constitui numa porta de entrada para a completa dominação do imaginário dos indivíduos, uma vez que mobiliza os instintos primários de competição e rejeição ao mais fraco. [Alguém explica - de sã consciência - por que Banco investe no esporte?] Há um estímulo aos elementos mais rebaixados do imaginário social, conectando os elos da competição esportiva aos elos da competição darwinista, e estes à matriz abstrata da competição capitalista.
É ou não é um verdadeiro comitê - olímpico - da burguesia? O Brasil inteiro investiu 2 bi de dólares no Rio de Janeiro da governadora Rosinha/governador Cabral e do prefeito César Maia, e da rede hoteleira privada, das locadoras de veículos privadas, dos shopping centers privados, dos restaurantes privados, e do comércio em geral privado do Rio de Janeiro. O Pan é, neste sentido, um evento francamente estatal, tanto por iniciativa política, quanto por garantia de recursos orçamentários ilimitados e privilegiados. Investimentos públicos, lucros privados - e o que é pior, sem a menor contrapartida social ou política.
Mas tem outra empresa privada que lucra mais do que todos esses setores juntos. Refiro-me às Organizações Globo, em especial a TV Globo, que está inebriada com o incremento comercial que o Pan-Rio 2007 pode alavancar no seu declinante caixa midiático.
Enquanto isso, segue o clima-Ruanda-94 na imensa comunidade do Complexo do Alemão, onde os tutsis e os hutus brasileiros não entendem por que estão matando e não sabem por que estão morrendo.
Mas o Pan está garantido pelo Governo Federal - um governo de todos.
......
PS: Eu gostaria de ser um mosquito para poder presenciar no governo Lula as reuniões/tratativas que decidiram - anos atrás - essa generosa e irracional "política olímpica" brasileira. Devem ter sido edificantes, pelo seu inafastável propósito de perseguir o caráter republicano, democrático e universal do Estado brasileiro.
Escrito por Cristóvão Feil às 11h01
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Quem sabe

É possível que Bush esteja por trás do 11 de setembro
Não é raro encontrar na internet teorias conspiratórias que coloquem em dúvida a versão oficial sobre o atentado de 11 de setembro de 2001. Mas se uma ministra de um país europeu é quem sustenta a suspeita a coisa fica parecendo mais estranha ainda.
Foi o que aconteceu com a deputada conservadora, Christine Boutin, hoje ministra de Habitação e Urbanismo de Sarkozy, na França. Em um vídeo que circula pela web, a ultra-conservadora Boutin, disse que é possível sim que o próprio presidente Bush esteja por trás dos atentados contra as torres gêmeas de Nova York.
Nesta altura dos acontecimentos mundiais, saber ou não a verdade factual do 11 de setembro é um mero exercício de diletantismo, o fato é que recrudesceu - a partir daquele dia - uma onda regressista no mundo todo, e a direita cada vez mais dá as cartas na mesa internacional do poder.
Cabe, pois, perfeitamente a indagação latina qui prodest? (a quem isto interessa?) para este vasto e intrincado tema do 11/9.
Assista o vídeo aqui.
Escrito por Cristóvão Feil às 08h14
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Angeli

Escrito por Cristóvão Feil às 07h52
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Grave ameaça
Instruções para chorar
Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.
Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas e nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.
Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.
Julio Cortázar
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Cortázar sugere que se deixe de lado os motivos. Eu já sugiro à legião de gremistas inconformados com a indicação do ex-governador Antonio Britto para presidir o "imortal tricolor" (a expressão poética é da letra do hino, composto por nada menos que Lupicínio Rodrigues), que o motivo para chorar seja esse mesmo. Mas que seja um choro não de autocomiseração e coitadismo, um choro degradante e passivo, não.
É preciso o choro dos bravos.
É preciso um choro que mobilize, que levante o astral gremista, abalado com essa virtualidade que beira a catástrofe. Mobilizemo-nos, galera gremista, vamos impedir esse golpe contra o nosso clube, vamos barrar os aproveitadores Paulo Arena-Fifa Odone e seu sucessor (estaríamos nós numa monarquia do futebol?) do dedo podre, Antonio Britto - um sujeito em que tudo toca, fenece, decai, morre, quebra, murcha ou se decompõe.
Saravá, meus irmãos gremistas, choremos, mas choremos lágrimas de indignação e coragem contra os lobos em pele de cordeiro que ameaçam a grandeza azul - o Grêmio da imortal alma charrua.
Escrito por Cristóvão Feil às 10h31
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A prosa poética de Cortázar

A Companheira
Mais do que nunca a poesia, hoje mais que nunca, com seu exorcismo de chacais, com uma chama purificadora e sua memória obstinada.
Açoitada por uma história vertiginosa, onde nos perdemos no redemoinho astronômico da informação, a poesia mais do que nunca: seus olhos seletores fixando o que não temos o direito de esquecer, salvando pássaros, instantes mágicos como o brilho de luzes cintilantes, como auroras soberbas, luas, a beleza, a dignidade da vida.
Mais do que nunca, ali onde abutres de fora e de dentro assanham-se contra os olhos abertos de um povo, arrancam e destroçam as flores do sorriso e o sonho: caricaturas de si mesmos, milionários e coronéis cheirando à morte; contra eles, mais que nunca, a poesia.
Na memória dos homens que lutam, ela é sempre uma fonte de armas, a chama do fogão e a espessura dos montes, o trago d’água, a que estende a mão à batalha e ao repouso.
Mais que nunca a poesia, porque nela faz ninho o futuro.
Julio Cortázar (fotos)
Escrito por Cristóvão Feil às 10h47
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Suco de uva musical

O caos aéreo te pegou em cheio, meu filho?
E as filas nos hospitais públicos, isso não é caos? E as crianças que estão sem aula há dois meses no Complexo do Alemão, é caos?
Relaxa, isso aqui não é filme de terror, meu filho. Então ouve aqui The Strokes. Vai um suquinho de uva?
Escrito por Cristóvão Feil às 15h43
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A propósito da corrupção na Assembléia

E então, nobre presidente Frederico Antunes?
Leio nos jornais de Porto Alegre que o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Frederico Antunes (PP), está muito preocupado com o caso do desvio comprovado de três milhões de reais dos cofres do legislativo estadual. Tanto está preocupado, que Sua Excelência e a douta Mesa Diretora estão em vias de constituir "uma fiscalização permanente em toda e qualquer movimentação financeira na Casa".
A "Casa" - é preciso explicar - no jargão deputadês, é a Assembléia Legislativa. Mas - pergunto eu - a Casa já não faz esse controle, de ordinário? Faz ou não faz?
Já que o presidente Antunes está preocupado com os controles de finanças do legislativo, eu gostaria de sugerir a esse novo ente controlador/auditor que será constituído que examine as razões e destinos dos orçamentos anuais do Poder Legislativo, ao longo dos anos.
Examine e nos explique, por exemplo, a seguinte equação. Em 1990, a Assembléia consumia menos de 1% do orçamento estadual. Tinha, então, 55 deputados. Em 2006, a Assembléia consumiu quase 5% do orçamento estadual. Tinha, então, os mesmos 55 deputados estaduais, numericamente.
O orçamento da Assembléia cresceu quase 500%, ainda que com o mesmo número de parlamentares, com as mesmas atribuições, funções e investidura pública legal. Que mistério ronda o parlamento estadual, para além desse desvio criminoso já detectado?
Já que estamos falando genericamente de desvio, não é uma boa pauta, nobre presidente?
Escrito por Cristóvão Feil às 13h55
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Fomento estatal para agressores ambientais

BNDES aprova R$ 39,2 mi para grupo Votorantim
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, instituição estatal de fomento, aprovou ontem o financiamento de R$ 39,2 para as empresas Alellyx e Canavialis, do grupo Votorantim. Os recursos serão aplicados em pesquisas genéticas em variedades de cana-de-açúcar, citros e eucalipto. A informação é da Agência Chasque.
Não há garantias de que esse recurso público não esteja financiando indiretamente pesquisa de transgenia para futuras monoculturas extensivas no País. O grupo Votorantim, que pertence à tradicional família de Antonio Ermírio de Moraes (foto), já investe pesado na indústria de celulose e papel, tendo implantado milhares de hectares com o plantio extensivo da monocultura do eucalipto no Brasil, em especial no RS.
......
A fotografia acima é ilustrativa do tema família, que abordamos ontem aqui no blog. Reparem que o senhor Antonio Ermírio de Moraes, hoje talvez a maior fortuna do Brasil, e que é rico há no mínimo três gerações, cuida de posar próximo a um ícone familiar ancestral. Parte da sua imensa fortuna é fruto de herança de antepassados.
Como se vê a burguesia cultua os ícones dos seus ancestrais (no caso, em pedra esculpida), uma forma indireta de fetichizar também o próprio patrimônio acumulado. Dessa forma, o patrimônio adquire uma certa justificação moral, uma vez que já não seria puramente a expressão de um desejo egoísta de um indivíduo isolado que compete com todos os demais, mas sim de um grupo social (familial) que se auto-nomeou como um legítimo "pilar da sociedade", "célula mater", "núcleo sagrado" da civilização moderna.
Cada vez mais Marcuse tem razão, quando diz: " A função específica da família é a de moralizar e perpetuar a propriedade".
Escrito por Cristóvão Feil às 10h50
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E viva o esporte!

Guerra civil contra a pobreza no Rio do Pan
As comunidades que vivem na área urbana (mas não urbanizada) do Complexo do Alemão e Penha no Rio de Janeiro somam cerca de 200 mil pessoas. Essa população imensa conta com quatro escolas, dois postos de saúde, e nenhum hospital. O cenário é desolador.
Entretanto, há cerca de dois meses esses moradores sofrem uma verdadeira guerra civil aberta. Já morreram 44 pessoas, houve 80 feridos e a comunidade está paralisada pelo medo e pela violência. Somente no último dia 27 de junho foram mortas 19 pessoas, entre bandidos armados e cidadãos e cidadãs trabalhadoras, estes em absoluta maioria.
A política de segurança pública dos governos estadual e federal adota o conceito de "criminalização da pobreza" para tratar do problema do tráfico de drogas na área conflitada. O tráfico de drogas, como sabemos, estabelece base, invariavelmente, em áreas semi ou nada urbanizadas, sem equipamentos educacionais e de saúde e onde o poder público considera como local desprezível e desimportante socialmente.
Quando a situação fica crítica ou a cidade precisa dar sinais exteriores de pacificação artificial - como no evento turístico-esportivo-negocial do Pan - o poder público (estadual e federal) investe na morte e na destruição de vidas (miseráveis).
O tráfico de drogas, neste caso, é apenas uma justificação frívola e cínica para criminalizar e eliminar pobres antes de oferecer-lhes plenas condições de cidadania e dignidade humana.
Recursos existem. O Pan é uma prova (com direito a orçamentos tão flexíveis, quanto suspeitos). Mas estão sendo drenados para locais mais vantajosos, politicamente.
Escrito por Cristóvão Feil às 11h53
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Crepúsculo dos deuses
O discreto charme comunista do stalinismo
O cartaz é propaganda eleitoral do Partido Comunista Francês às eleições de 1936. O PCF fazia parte da Frente Popular, que acabou vitoriosa naquele ano. Conquistou maioria no parlamento e conseguiu eleger o primeiro-ministro, Leon Blum, como dirigente do Estado francês, naqueles conturbados anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial. No ano seguinte, o PCF abandona o governo de coalizão das esquerdas para atender ordens expressas do Comintern, que por sua vez atendia a política anti-internacionalista do stalinismo soviético. Terça (3) passada nós já tratamos disso no blog. Ver logo ali abaixo.
Volto ao assunto, por que o tema ilumina episódios importantes da esquerda e ilustra aspectos curiosos do passado, que repercutem no presente. O cartaz acima, por exemplo, apesar de ter sido peça de propaganda de um partido comunista, de onde se espera que fosse vanguardista e revolucionário, a rigor, revela todo o reacionarismo e conservadorismo do seu pensamento político. Muito próprio, aliás, do dogma stalinista ao qual o PCF sempre foi adepto.
A peça eleitoral do PCF conclama que se vote nos comunistas de maneira que a família seja (ou esteja) feliz. Para o PCF o foco é a família. E isso é muito revelador do caráter retrógrado dos stalinistas franceses.
A família - todos sabemos - é uma usina de ideologias reacionárias e um abrigo de conservadorismo, por excelência. A família é o elemento fundamental da sociedade de classes, é o receptáculo da propriedade privada. Fábrica privilegiada de autoritarismo, e daquilo que Foucault chamava apropriadamente de "fascismozinhos ordinários". Tanto mais em 1936. Família patriarcal e propriedade privada são uma coisa só.
A sociologia positivista, de direita, atribui uma espécie de realidade ontológica à família, com a franca intenção de confundir ou ocultar a universalidade do conceito de classe social. Para esses sociólogos de araque, a família é tão-somente um fato natural, biológico, como se não cumprisse uma função social e jurídica no sentido de assegurar direitos sucessórios a bens patrimoniais e culturais privados - marcadamente burgueses.
Os "marxistas" do PCF não leram Marx e Engels no "O Manifesto Comunista", onde estes extraem conclusões do pensamento hegeliano e exclamam afinal: "Mas vejamos: em que se baseia a família atual, a família burguesa? No capital, no lucro privado. Só a burguesia tem uma família, no sentido pleno da palavra."
Este é, portanto, o "comunismo" charmoso dos stalinistas. Coisas da vida.
Escrito por Cristóvão Feil às 09h13
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Easy Rider guasca

O patinete raiteque de dona Yedinha
A fotografia do Hals mostra dois brigadianos a bordo do Segway. Esse pequeno veículo individual é um patinete com motor. Custo unitário: 15 mil dólares.
A foto foi sacada pelo blogueiro Hals no Parque Farroupilha, bairro Bom Fim, Porto Alegre. É inacreditável! Um Estado que não tem recursos nem para repor o giz das escolas públicas, que dirá recompor a frota sucateada de veículos de quatro rodas da polícia militar, e agora em vias de adquirir essa tralha raiteque. O fornecedor age como o traficantezinho de escola, as primeiras são "de grátis".
A oposição na Assembléia precisa fazer um pedido de informação em regime de urgência urgentíssima: quem está fornecendo esse patinete, como este equipamento está apropriado ao patrimônio público pela Brigada Militar, houve licitação para a sua aquisição, houve doação, como está prevista a manutenção do equipamento, o custo operacional do equipamento, etc, etc.
Se observa, a cada dia que passa, que o tucanato não está tendo a menor noção do lugar onde está e para onde quer ir. Mas quer ir - sem destino - de patinete raiteque!
Escrito por Cristóvão Feil às 17h27
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Professores estaduais param amanhã
Professores e funcionários das escolas públicas estaduais paralisam suas atividades nesta quinta em todo o Rio Grande do Sul.
A categoria defende reajuste do piso regional e nomeação de professores e funcionários. O Cpers-Sindicato também defende o fim do processo de municipalização do ensino, implementado pelo governo de Yeda Crusius (PSDB) como forma de se livrar do que considera ônus para os cofres públicos estaduais. A informação é da Agência Chasque.
Escrito por Cristóvão Feil às 10h44
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Angeli

Escrito por Cristóvão Feil às 09h29
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Direito legítimo, para não dizer divino!

"A CIA tem o direito legítimo de se infiltrar na imprensa estrangeira. Ela tem a missão de influir, através dos meios de comunicação, no desenlace dos fatos políticos em outros países"
William Colby, ex-diretor-geral da agência central de inteligência (CIA) dos Estados Unidos da América.
Escrito por Cristóvão Feil às 08h43
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Nova marronzada
Raul Pont protesta contra o jornal Zeagá
O líder da bancada do PT na Assembléia Legislativa do RS, deputado Raul Pont (foto), subiu à tribuna, nesta terça, para protestar contra a edição de hoje do jornal Zero Hora, classificando-a como anti-democrática e provocativa. Segurando cópia de nota da bancada distribuída à imprensa, inclusive a Zero Hora, Raul Pont criticou a edição desta terça que, na matéria sobre o pedido de suplementação orçamentária encaminhado pelo Legislativo ao governo gaúcho, estampa foto com três petistas em primeiro plano, como se eles fossem responsáveis pelo pedido. “Não há nenhuma explicação no texto sobre quem tomou a decisão. O jornal não tem interesse em explicitar o conteúdo nas matérias, mas de fazer sensacionalismo e distorcer a informação”, criticou Pont. “Nós nos insurgimos contra esta forma tendenciosa de apresentar os fatos”, acrescentou o líder da bancada do PT, na sessão plenária de hoje.
Pescado do blog RS Urgente.
.......
Resta saber se aqueles deputados do PT/RS que tem o hábito de fazer o debate político através das páginas do jornal Zeagá continuarão a fazê-lo, depois dessa (e de tantas outras). Raul Pont e alguns outros poucos, entretanto, tem toda a legitimidade para protestar contra o jornalismo marrom praticado pelos veículos da RBS. Ontem mesmo, aqui neste blog DG apontamos uma das tantas marronzadas de Zeagá. Aliás, não vi nenhuma fonte oficial petista protestar, ontem, já que envolvia diretamente a imagem do presidente Lula.
O curioso disso tudo é que o portal PT Sul, da bancada PT/RS, onde foi publicada a nota dos deputados está ilustrado pelo seguinte selo: ZH mente? (abaixo).
O portal PT Sul - já se vê - ainda tem dúvidas e cautelas com o jornal Zeagá.

Escrito por Cristóvão Feil às 19h16
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Histórias da esquerda
As marcas indeléveis do stalinismo
Dia desses eu estava chutando latinha na internet quando me deparei com esse cartaz do PC francês. Trata-se - aparentemente - de propaganda altamente meritória, mas, repito, aparentemente, e já explico o motivo.
O cartaz eleitoral alerta para o perigo do nazismo e de Hitler, que já estava no poder na Alemanha, desde 1933, e tudo que eles representavam de opressão e horror da guerra - um prenúncio que se materializou depois.
Foi uma das peças do Partido Comunista Francês para a Frente Popular às eleições de 1936. O PCF participou da Frente Popular, desde a vitória nas eleições daquele ano, até 1937, quando se retira por determinação do Comintern (3a Internacional), dirigido com mão de ferro por Stálin.
A Frente Popular, cujo primeiro-ministro foi o socialista Leon Blum, começou a auxiliar com medicamentos e armas os republicanos na Guerra Civil Espanhola (1936-39), que opunha a esquerda e fascistas de Francisco Franco. Franco, por sua vez, estava sendo apoiado por Adolf Hitler, que via na Espanha uma oportunidade de exibir o seu poderio bélico como num ensaio de orquestra macabro para o que ocorreria na Segunda Guerra Mundial.
Acontece que Stálin entendeu de brecar a esquerda na Guerra Civil Espanhola. Sob a alegação de que o POUM (Partido Operário de Unificação Marxista) estava dominado pelos anarquistas e trotskistas, Stálin manda agentes da polícia secreta, a GPU, que antecede a KGB, promoverem sabotagens nas forças republicanas, tortura e mata militantes políticos, como o dirigente catalão Andrés Nin, e ainda cobra (em barras de ouro) do Banco Central espanhol pelos míseros armamentos e aviões que havia remetido aos revolucionários republicanos.
Em 1939, quando a república foi derrotada pelas forças fascistas do franquismo, com o apoio aberto da Alemanha nazista, e houve o retorno de militantes soviéticos à URSS, Stálin perseguiu-os e executou-os por estarem questionando a "política espanhola" do Comintern. Uma política de traição que custou 400 mil vidas de homens e mulheres em solo espanhol.
Por isso, eu relativizei o mérito do cartaz dos comunistas franceses. Não era para valer, pura retórica eleitoral. O PCF foi um partido que obedecia caninamente a política do Comintern emanada de Moscou. Tanto que em agosto de 1939, Stálin assina um acordo de não-agressão com Hitler, considerado por muitos como a mais perfeita tradução do espírito traidor do líder soviético. O PCF e todos os PC's espalhados pelo mundo - inclusive o brasileiro - apoiaram e eram caudatários das políticas anti-revolucionárias do Comintern stalinista.
Coisas da vida.
Escrito por Cristóvão Feil às 17h18
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Entrevista

Aquela reforma agrária clássica já não é mais possível
João Pedro Stedile do MST, em entrevista à revista Época (das organizações Globo) desta semana.
No congresso do MST, o senhor disse que a reforma agrária com que o movimento sonhava não é mais possível. Por quê?
A reforma agrária clássica foi feita na maior parte dos países da Europa, nos Estados Unidos, no Japão, depois da Segunda Guerra Mundial. É um projeto que está combinado com um projeto de desenvolvimento da indústria nacional para desenvolver um mercado interno. O Brasil perdeu quatro oportunidades históricas de fazer esse tipo de reforma agrária: no fim da escravidão, na implementação da industrialização pela Revolução de 30, em 1964 e no governo Sarney, quando havia um clima favorável no PMDB para viabilizar um projeto de desenvolvimento nacional. Da década de 90 para cá, nosso país e as elites brasileiras abandonaram o projeto nacional. O que está em curso é um projeto popularmente conhecido como neoliberalismo, que subordina a economia brasileira ao capital internacional e financeiro. O projeto pelo qual o MST lutou 20 anos se esgotou porque as elites brasileiras deixaram de defender um projeto de industrialização nacional. Hoje, a não ser o vice-presidente José Alencar, não há forças nacionalistas em nossa burguesia industrial.
Qual seria o novo modelo defendido pelo MST?
Para viabilizar uma nova reforma agrária, será preciso antes derrotar o neoliberalismo. O primeiro fundamento desse novo tipo de reforma agrária é a democratização da propriedade da terra, que não é uma bandeira socialista, mas republicana. O segundo é a reorganização da produção agrícola. Hoje, as transnacionais vêm aqui e controlam a produção, o comércio, o preço. Isso está errado. A produção agrícola precisa ser organizada em primeiro lugar para atender o mercado interno e o povo brasileiro. O terceiro aspecto é repensar novas técnicas agrícolas, porque as usadas pelas transnacionais são insustentáveis do ponto de vista do meio ambiente. O quarto aspecto é levar a educação formal e o conhecimento para o campo para formar o cidadão camponês. O quinto aspecto é levar as pequenas agroindústrias ao interior para gerar emprego lá.
O que o MST está fazendo para se adaptar a esses novos tempos?
Estamos mudando. Vou dar um exemplo: nós nos demos conta de que nas faculdades de Agronomia os caras só sabem sobre monocultura ou agrotóxico. Então, o MST está montando uma rede em parceria com universidades federais para formar novos agrônomos. Já temos um curso de Agronomia no Pará para o bioma da Amazônia, outro em Sergipe para o semi-árido, um terceiro em Mato Grosso para o Centro-Oeste e um quarto no Paraná para o clima frio e temperado. Para quê? Para formar novos agrônomos que dominem técnicas de agroecologia e possam nos assessorar. Vamos anunciar uma parceria com o Greenpeace. Estamos brigando com o governo para botar mais dinheiro da educação no meio rural. [...]
Continua abaixo
Escrito por Cristóvão Feil às 08h54
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Entrevista - parte 2
[...]
Por que a correlação de forças políticas se tornou desfavorável à reforma agrária justamente no governo Lula?
A própria eleição do Lula só foi possível porque ele se aliou com parte da burguesia neoliberal. Ela aceitou apoiar a candidatura Lula que eles nunca engoliram. Além disso, as lutas sociais se movem em ondas. E estamos numa onda de descenso do movimento de massas desde 1989. A ascensão do Fernando Collor e do Fernando Henrique Cardoso foi uma derrota política grave para o povo brasileiro.
Mas esse movimento social não se animou nem com a eleição do Lula?
Nós do MST apostávamos que a simples vitória eleitoral do Lula reanimaria as massas. Nós nos reanimamos, tanto que, em 2003, botamos 200 mil famílias acampadas, mas o resto do povo não se mobilizou.
O que o senhor chama de neoliberalismo não é, na verdade, o resultado de um processo de mudanças inevitáveis na economia mundial, como a globalização e as inovações tecnológicas?
Claro que o capital está numa fase de querer circular em todos os países do mundo, mas governos nacionais existem para cuidar dos interesses de seu povo, né? Vários países do mundo mantiveram políticas nacionalistas, como Irã, Índia e China. A taxa de câmbio da China é historicamente sobrevalorizada, mas os chineses não mudam porque assim há produtos baratos em dólar para todos.
O governo diz que sua política econômica reforça o mercado interno.
Todos os dados empíricos mostram que continua a haver concentração da renda nacional nas mãos de uma minoria. O que houve no governo Lula, com a política de aumento real do salário mínimo e do Bolsa-Família, foi uma distribuição mais equânime da renda entre os assalariados. Mas a economia nacional não se mede apenas entre os assalariados.
[...]
Escrito por Cristóvão Feil às 08h50
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Entrevista - parte 3
[...]
O Bolsa-Família tirou militantes do MST?
Não. Os 10 milhões beneficiados pelo Bolsa-Família são gente que está lá embaixo na pirâmide, que não tem consciência nem capacidade de mobilização. São os párias da sociedade. O Bolsa- Família é um programa humanitário. Salva vidas, mas não distribui renda.
Qual é sua avaliação do governo Lula?
Em sua composição atual, o governo Lula está ainda mais à direita que no primeiro mandato. O governo fez uma opção unicamente por uma maioria parlamentar e se aliou com gente que inclusive era contra ele. É ridículo ver o Michel Temer (presidente nacional do PMDB) apoiando o Lula, quando todo mundo sabe que ele fez campanha para o Geraldo Alckmin.
O MST não passa por uma crise de identidade por não saber se faz oposição ou se apóia o governo Lula?
Nossa atitude em relação ao governo sempre foi de autonomia. Nos jornais, ora somos acusados de arrefecer por causa do Lula, ora de nunca termos feito tantas invasões, de nunca ter desrespeitado tanto a lei. Continuamos fazendo ocupações de terra. O governo é que está em crise porque ficou parado.
Por que o MST é contra a parceria com os Estados Unidos para desenvolver um mercado mundial de álcool combustível?
Esse programa do etanol só interessa ao grande capital internacional. Se os EUA têm problemas para abastecer seus carros, é problema deles. Temos de resolver os problemas do Brasil: distribuição de renda e emprego. Defendemos outra forma de produzir o álcool, de uma maneira mais equilibrada e sustentável para o meio ambiente.
Escrito por Cristóvão Feil às 08h50
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Mídia marrom

Zeagá é modelo infame do jornalismo golpista
A matéria publicada ontem (fac-símile acima) no jornal do grupo RBS, Zero Hora, chega a ser hilária, como foi sacado pelo inteligente Marcelo Duarte. Denuncia uma maracutaia eleitoral de um governador tucano do Nordeste, mas a foto - em primeiríssimo plano - estampa o presidente Lula.
O governador acusado está subsumido na fotografia. Pela imagem, é um personagem lateral, de quinto ou sexto plano.
O que significa subsumir? Subsumir para Kant, significa que o sujeito (no caso, o governador) está subordinado à idéia geral, ao etos sem nenhum caráter do presidente Lula. Vejam que o governador Cássio Lima (ao fundo, à direita) está comprimido entre tantos outros indivíduos, mas Lula os capitaneia, Lula é o estandarte, Lula é o vanguardeiro da imoralidade pública, Lula é a pétala superior do opróbrio público, Lula é o mestre entre peripatéticos alunos. Lula sorri, e os conforta. Por isso se justifica, para os editores de Zeagá, o seu frontal protagonismo na imagem escolhida para ilustrar a matéria. É a prática mais viva e abjeta do velho e conhecido jornalismo marrom exercitada pela RBS, através de Zeagá.
Trata-se de um material objetivamente, subjetivamente, liminarmente, subliminarmente canalha. Nem toda a ficção realista de Dias Gomes é suficiente para afastá-la como um momento (já) clássico da imprensa marronzista mais desqualificada e infame.
A matéria deve ser exibida em sala de aula como modelo do jornalismo golpista praticado no Brasil no final do século 20 e início do século 21.
Escrito por Cristóvão Feil às 10h30
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Angeli

Escrito por Cristóvão Feil às 07h52
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Lavanderia da fazenda

Agronegócio - a grande lavanderia brasileira
O agronegócio brasileiro camufla uma poderosa rede de lavagem de dinheiro. Cobiçada pelas quadrilhas devido à quase completa falta de controle, as lavanderias rurais deixam mais branco os recursos originados da corrupção em órgãos públicos, do tráfico de drogas e do contrabando. Segundo especialistas, os canais de escoamento são múltiplos: terras, bois, sêmen de animais, cavalos de raça, produção de grãos ou a organização de uma empresa com atividades diversificadas, que vão de um sofisticado haras a uma bucólica fazenda. A matéria é do Jornal do Brasil, de ontem.
Não há dúvida de que as lavanderias rurais, no mínimo, acompanham o crescimento do agronegócio no país.
- Talvez a proporção da lavagem seja maior. Um indício está no fato de que a criminalidade organizada de natureza econômica vem crescendo muito - diz o juiz Odilon de Oliveira, titular da 3ª Vara Federal de Mato Grosso do Sul, justamente a capital nacional do agronegócio, o mais importante segmento de produtos brasileiros nas exportações. Em apenas dois anos, o juiz já seqüestrou, em processos de enriquecimento ilícito na área rural, 365 mil hectares de terra, cujo valor extrapola a cifra de R$ 1 bilhão.
Envolvido no combate à lavagem por pressão internacional, o Brasil não tem uma cultura de controle sobre o setor. Falta entrosamento entre os órgãos de investigação, a lei de repressão favorece a malandragem e a ação das quadrilhas cresce sem controle. A atividade agropecuária é um colossal desafio às políticas de repressão e prevenção. [...]
Continua abaixo
Escrito por Cristóvão Feil às 07h39
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Lavanderia da fazenda
Agronegócio - a grande lavanderia brasileira
[...]
- O agronegócio é a atividade mais atrativa no momento pela simples razão de que não há sinergia entre os órgãos públicos encarregados de investigar, e o controle dos produtos é meramente formal - afirma o juiz aposentado Walter Fanganiello Maierovitch, especialista no tema e presidente do Instituto Giovanni Falconi.
- As transações são efetivadas apenas nos cartórios de registro e, a rigor, cada um declara o que e como quer - diz Maierovitch.
Em relação aos produtos agropecuários, as transações se dão entre a propriedade rural e as secretarias estaduais de fazenda. Preocupado com a sanidade das mercadorias e com a qualidade do que vai para o consumo, o Ministério da Agricultura é um mero receptor de dados regionais. Um dos magistrados que mais têm combatido a lavagem de dinheiro no país, o juiz federal Odilon de Oliveira diz que está mais do que na hora de o governo e os órgãos de repressão olharem para o agronegócio também como um nicho atrativo para a ilegalidade.
O juiz acrescenta que, se quiser, o criminoso pode até simular o arrendamento de terras para forjar produção de grãos ou carne. - É facílimo falsificar documentos sobre negócios na área rural - declara o magistrado, que já perdeu a conta de quantos produtos fictícios acabam virando dinheiro vivo e limpo nas mãos dos criminosos.
- A soja-papel, por exemplo, pode lavar dinheiro de diversas origens. O trabalho é só preencher a nota fiscal e o documento pertinente ao transporte, recolher os impostos e pronto: o dinheiro guardado debaixo da cama está limpo.
Oliveira lembra que a falta de controle sobre o que é lícito ou ilícito também gera falsas estatísticas sobre a realidade rural brasileira. Muitos dados apresentados como oficiais, segundo o juiz, podem esconder erros gritantes sobre o desempenho da economia rural na geração de emprego, no tamanho do rebanho, nos números que amparam os sucessivos recordes de produção de carne e grãos ou na renda do próprio setor.
- Quando a gente analisa os documentos sobre a extensão de terra de determinadas propriedades, descobre que há Estados de cinco ou seis andares - ironiza Maierovitch.
Escrito por Cristóvão Feil às 07h39
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Paisagem arrumada de domingo
Pirandello I
A paisagem parece um cenário de teatro.
É uma paisagem arrumada.
Os homens passam tranqüilamente
com a consciência de que estão representando.
Todos passam indiferentes
como se fosse a vida ela mesma.
O cachorro que atravessa a rua
e que deveria ser faminto
tem um ar calmo de sesta.
A vida ela própria não parece representada:
as nuvens correm no céu
mas eu estou certo de que a paisagem é artificial
eu que conheço a ordem do diretor:
- Não olhem para a objetiva!
e sei que os homens são grandes artistas
o cachorro é um grande artista.
João Cabral de Melo Neto
Escrito por Cristóvão Feil às 08h43
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