Diário Gauche


Lulismo cordial

 

O problema Globo e a solução Jango

 

Deu no Conversa Afiada.

 

O professor Marco Aurélio Garcia foi ao programa “Canal Livre”, da TV Bandeirantes, na noite deste domingo, dia 29, e esquivou-se de responsabilizar a Globo pela campanha para derrubar o Governo a que serve.

Por duas vezes – em perguntas de Antonio Telles e Fernando Mitre – Garcia teve a oportunidade de dizer “sim, refiro-me à Globo”.

E não disse.

Garcia dizia que órgãos de imprensa tentavam substituir e conduzir  os partidos de oposição na tarefa de combater o Presidente Lula.

Telles perguntou diretamente: “é a Globo” ?

Garcia não respondeu.

Garcia foi ao programa para se explicar sobre o inexplicável, aquele gesto inaceitável do “top-top”.

A Globo fez muito bem em filmá-lo e em divulgar o que filmou.

É para isso que existe a imprensa.

E as autoridades que se comportem com um mínimo de compostura.

Isso é uma coisa.

Outra coisa é a campanha feroz que a Globo desfecha e desfechará para derrubar o Presidente Lula.

E diante da possibilidade de denunciar esse abuso de uma concessão pública, o professor Garcia se calou.

O Governo Lula tem medo da Globo.

 

......

 

Só não concordo que o gesto do “top-top” seja inaceitável. Privadamente, como foi, é aceitável, sim. Foi um soluço de politização de alguém do Planalto, face a histeria da mídia corporativa. Deveria ter tido desdobramentos menos chulos, mas o professor Garcia preferiu fugir do tema, como observa Paulo Henrique Amorim.

 

De uma coisa estejamos certos, o presidente Lula, a ministra Dilma, o professor Garcia e outros menos votados do lulismo planaltino não farão jamais esse enfrentamento com o baronato midiático e a direita. A se repetir o dilema do tipo Jango-Brizola, quando da imposição golpista do parlamentarismo em 1961, o governo Lula optará sempre (mil vezes) pela solução Jango – o escapismo, a negaça e a solução conciliatória, cordialmente conciliatória.     

 

 

A fotografia é ilustrativa, Brizola está indignado, Jango tímido, quase envergonhado, por ter aceito a proposta indecente de Tancredo Neves. Era 1961, e o golpe já ensaiava suas primeiras falas e gestos. 




Escrito por Cristóvão Feil às 12h58
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Passageiros solidários

 

Antonioni também parte

 

O grande diretor de cinema, o italiano Michelangelo Antonioni (1912-2007) morreu na noite de ontem, na sua casa em Roma. Ele tinha 95 anos e será sepultado em Ferrara. Ele morre no mesmo dia da morte de outro grande diretor do cinema, Ingmar Bergman. Ambos são passageiros do mesmo expresso noturno e sem volta. A informação é do portal do diário romano La Repubblica.

 

Conforme a Wikipédia.

 

O diretor Ingmar Bergman uma vez disse que admirava alguns dos filmes do Antonioni por serem desinteressados e algumas vezes visionários. Os seus filmes tendem a ter muito poucos planos e diálogos, e muito do tempo é gasto em longas e lentas sequências, como uma sequência contínua de dez minutos em The Passenger (Profissão Repórter com Jack Nicholson e Maria Schneider), ou muitas cenas em La notte (A Noite com Marcello Mastroiani) que mostram uma mulher simplesmente vagando silenciosamente pela cidade a observar outras pessoas. Apesar dos seus filmes serem repletos de beleza visual, e de terem uma captação perfeita da alienação dos personagens, o estilo com pouco movimento, e de ritmo lento, entedia certas pessoas.

 

No filme Zabrieskie Point (1970), o marxista Antonioni fez uma crítica à sociedade norte-americana e flertou com o movimento hippie embalado por músicas do Pink Floyd, Grateful Dead e Rolling Stones. Um bom filme.

 

Para mim, no entanto, o melhor filme de Michelangelo Antonioni foi Profissão: Repórter (The Passenger, de 1975), que começa em algum lugar quente da África, num pequeno hotel cheio de areia, onde um jornalista morre, e o personagem vivido por Jack Nicholson rouba a identidade do morto e foge de tudo, indo para a Espanha, onde conhece a sensual Maria Schneider (na foto, com Jack Nicholson), a mesma de O último tango em Paris, de Bernardo Bertolucci. Um ótimo filme.




Escrito por Cristóvão Feil às 09h56
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Cabeças! Cabeças!

 

O oportunismo de Luciana Genro não tem limites

 

O papel a que está se submetendo a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) nesta fase pós-tragédia de Congonhas é muito ruim. A deputada do PSOL comparece a programas de debates, dá declarações categóricas e autorizadas ao baronato midiático com um desempenho lamentável. Mal desconfia que a sua presença é solicitada tão-somente para emprestar uma pluralidade falsa a programas pseudo-jornalísticos que só visam politizar e ideologizar a crise aérea e a tragédia de Congonhas. Mal compreende, a deputada, que está servindo de instrumento útil aos propósitos da direita e de uma sonhada nova edição da privataria que enfraquece o Estado e enriquece alguns poucos.    

 

Luciana Genro arromba portas abertas, diz as maiores obviedades, as platitudes mais evidentes em nome de uma indignação postiça e eleitoreira. Já se vê que para essa parlamentar pequeno-burguesa radicalizada na palavra e no gesto calculado não há limites. Ela conseguiu superar o indizível deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS), considerado imbatível com suas inflexões de choro e piedade no local exato da tragédia, horas depois da ocorrência.     

 

Se ela quisesse mesmo ajudar que fosse estudar e propor uma legislação moderna e eficiente para a ANAC. Desde que essa agência de regulação foi criada, em março de 2006, carece de leis que amparem sua ação normativa e fiscalizatória. Dia desses, o presidente da ANAC, Milton Zuanazzi, cobrado por imprimir mais rigor nas sanções às empresas operadoras, dizia que a multa máxima era de dois mil reais, e que a instituição não poderia arbitrar valores maiores sob pena de ser condenada futuramente na Justiça por prática abusiva.   

 

Mas Luciana, como uma Salomé globalizada, quer a cabeça gotejando sangue do primeiro João Baptista que ela mirar. Como se vê, certa pseudo-esquerda ainda opera na política com os velhos mitos bíblicos para angariar prestígio social e muitos votos na próxima feira eleitoral.  




Escrito por Cristóvão Feil às 08h09
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Xeque-mate

 

 

Ingmar Bergman perde no xadrez da vida

 

O diretor sueco Ingmar Bergman morreu. O anúncio foi feito hoje pela sua filha, Eva, segundo o portal do jornal italiano La Repubblica. Aos 89 anos, morreu na ilha sueca de Faaro, no mar Báltico. Entre seus filmes estão, Fanny e Alexander,  O Sétimo Selo (acima, fotograma do filme onde um personagem joga xadrez com a morte) e Gritos e Sussurros, Morangos Silvestres e muitos outros.




Escrito por Cristóvão Feil às 11h23
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Crise aérea

 

Gritaria histérica da mídia está sendo produtiva

 

A gritaria histérica do baronato midiático não é estéril. Porta-voz dos interesses privatistas e anti-republicanos, aos poucos a histeria vai resultando em pequenos/grandes avanços produtivos no interior do governo Lula.

 

Avançou com o novo ministro Nelson Jobim. Deve avançar mais com a conquista da Infraero, através de Rossano Maranhão, ex-diretor do Banco do Brasil, e atualmente alto executivo do Banco Safra. O padrinho de Rossano é o neolulista Jorge Gerdau Johannpeter, que o indicou a Jobim.

 

Aos poucos o governo Lula está sendo minado pelos interesses mais abjetamente particularistas, encobertos por uma fina espuma de interesse público dos portadores da máscara do neolulismo – como Jobim e Gerdau.

 

O próximo alvo dos mascarados é a diretoria da Anac, que - se fraquejar - acabará carregando a responsabilidade solitária pela crise aérea e – pior - pela morte trágica de duzentas pessoas. 




Escrito por Cristóvão Feil às 10h30
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Debate previdenciário

 

Pobreza de idoso explodiria sem Previdência

 

Comparado com Argentina, México, Peru, Costa Rica e Bolívia, o Brasil é o país com maior cobertura previdenciária na população com mais de 65 anos de idade e onde os benefícios são mais representativos na renda total dos idosos. As informações estão na Folha, de hoje.

Sem esses ganhos, a taxa de pobreza urbana nessa faixa etária saltaria dos atuais 3,7% - o menor percentual entre os comparados - para 47,2%, o que a colocaria como a pior. Isso teria impactos também na taxa de pobreza (com base na linha de US$ 2 diários) de toda a população urbana, que passaria de 14,8% para 24,9%.


Essas são conclusões do mais recente estudo das pesquisadoras Ana Amélia Camarano e Maria Tereza Pasinato, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O trabalho indica que mudanças bruscas na Previdência podem aumentar significativamente a taxa de pobreza entre os idosos.




Escrito por Cristóvão Feil às 09h52
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Sem recordes mundiais

 

 

Pan pobre

 

Em artigo publicado ontem na Folha, o jornalista Juca Kfouri lembra de dois fatos relevantes para quem se ufana do Brasil no Pan 2007.

Cuba, quando sediou o Pan em 1991, conquistou 140 medalhas de ouro, superando os próprios Estados Unidos – sempre imbatíveis. Neste Pan, Cuba conquistou 59 medalhas de ouro, contra 54 do Brasil, o País da cidade-sede.

 

O Pan-2007 acabou e nenhum recorde mundial foi quebrado, em nenhuma modalidade esportiva. “Desde 1987, aliás, em Indianápolis, que os Jogos Pan-Americanos não vêem cair uma marca significativa internacionalmente”, argumenta o sempre crítico, Juca Kfouri.




Escrito por Cristóvão Feil às 09h14
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Grande Angeli!




Escrito por Cristóvão Feil às 08h21
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Rolo tucano de longo prazo

 

Os riscos de capitalização do Banrisul

 

Deu na coluna de Denise Nunes, Correio do Povo, de hoje.

 

Feita sob a justificativa de fortalecer o banco, a capitalização do Banrisul poderá significar o contrário no longo prazo. Ao negociar ações em Bolsa, o banco terá que caprichar nos resultados para oferecer rentabilidade aos investidores, o que é pouco compatível com o perfil de “instrumento de desenvolvimento do Estado”, sempre ressaltado pelo governo. É que desenvolvimento não combina com créditos de curto prazo e juros de mercado, fórmula dos bancos comerciais. Mesmo como banco comercial pode haver problemas, já que o Banrisul concentra operações no Estado, cerca de 93% do total.

 

A dificuldade em competir com as grandes instituições pode ser medida pela perda das folhas salariais dos municípios nos cada vez mais freqüentes leilões promovidos pelas prefeituras. Essa análise é feita pelo secretário-geral do SindBancários, Fábio Alves, ao explicar por que considera a operação de capitalização arriscada. Ele ressalta um terceiro motivo: onde o banco aplicará os novos recursos se ele já responde por bem mais de 25% do total de crédito em algumas regiões?

 

Segundo Fábio Alves, no longo prazo, a transferência das folhas salariais não impactará só o Banrisul, mas os próprios municípios. “Os recursos captados pelo Banrisul são aplicados no Estado, retornam como crédito. Já os grandes bancos, que estão vencendo os leilões, direcionam recursos às matrizes”, afirma.

 

O secretário-geral do SindBancários atribui a freqüência dos leilões a uma questão de prazo, já que a conta cativa acabará em 2011. Por enquanto, as prefeituras têm obtido um ágio médio de R$ 2 mil por conta-servidor. “A partir do ano que vem, em função do menor prazo de retorno, o ágio cairá”, diz o dirigente sindical.




Escrito por Cristóvão Feil às 07h50
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Angeli




Escrito por Cristóvão Feil às 19h14
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Poema uruguaio

 

 

Lento mas vem


Lento mas vem
o futuro se aproxima
devagar
mas vem

hoje está mais além
das nuvens que escolhe
e mais além do trovão
e da terra firme

demorando-se vem
qual flor desconfiada
que vigia ao sol
sem perguntar-lhe nada

iluminando vem
as últimas janelas

lento mas vem
o futuro se aproxima
devagar
mas vem

já se vai aproximando
nunca tem pressa
vem com projetos
e sacos de sementes

com anjos maltratados
e fiéis andorinhas

devagar mas vem
sem fazer muito ruído
cuidando sobretudo
os sonhos proibidos

as recordações dormidas
e as recém-nascidas

lento mas vem
o futuro se aproxima
devagar
mas vem

já quase está chegando
com sua melhor notícia
com punhos com olheiras
com noites e com dias

com uma estrela pobre
sem nome ainda

lento mas vem
o futuro real
o mesmo que inventamos
nos mesmos e o acaso

cada vez mais nós mesmos
e menos o acaso

lento mas vem
o futuro se aproxima
devagar
mas vem

lento mas vem
lento mas vem
lento mas vem

 

Mario Benedetti, grande escritor e poeta uruguaio.




Escrito por Cristóvão Feil às 14h55
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Crise aérea

 

Com Jobim, governo dá guinada à direita e à privataria

 

É impossível esquecer. Nelson Jobim (foto) foi ministro da Justiça do professor Cardoso. O Ruy Barbosa em compota é o personagem que deu garantias jurídico-formais à privataria do Farol de Alexandria. É fato histórico que os futuros compêndios escolares sérios assinalarão com pesar.

 

Não seria Waldir Pires, velho nacionalista, que aceitaria implementar a abertura de capital da Infraero. O governo já encomendou estudos ao ministério da Fazenda (do Guido, como diz o cordial presidente Lula), no sentido de mudar a governança da estatal que trata dos aeroportos brasileiros. Isso significa abertura de capital aos investidores privados, preâmbulo de um processo de privatização dos principais aeroportos do País – cada vez mais templos de consumo, réplicas verdadeiras dos onipresentes shoppings centers.   

 

O brigadeiro José Carlos Pereira, atual presidente da Infraero, é contra a medida, por isso deve cair com o advento do neolulista Jobim. Na avaliação do brigadeiro, o País precisa primeiro enfrentar a crise aérea e criar um ambiente regulatório mais claro, para depois atrair os investidores.

 

Os estudos encomendados “a Guido” só estarão concluídos no final deste ano. Portanto, as modificações na Infraero ficarão para o início de 2008. Enquanto isso, o governo irá melhorar o marco jurídico que sustenta a agência de regulação da aviação civil. Tarefa de fato, necessária, uma vez que a ANAC, embora tendo sido criada em março de 2006, ainda hoje não está amparada por uma legislação que lhe dê plena autoridade legal frente a um mercado voraz e em crescimento exponencial.   

 

Este blog reafirma, o chamado caos aéreo é a manifestação de uma crise de crescimento do setor, intensificada pela virtualidade dos 20 bilhões do PAC, a vacilação do governo na desmilitarização do setor, a quebra da Varig e o rearranjo verticalizado das operadoras. Sua gestão exige mais Estado e mais República. O governo Lula, entretanto, está cedendo aos apetites selvagens do mercado.

 

Se teve coragem de enfrentar a criação da ANAC, sempre evitada pelo governo anterior, do qual Jobim foi ministro, face às resistências militares, agora o governo Lula recua e biparte o setor – parcela fica com os brigadeiros da Aeronáutica, parcela fica com o formalista Jobim, que deve encaminhar soluções visando a atender os investidores e seus negócios.

 

Enquanto isso, o governo Lula oscila como pêndulo de relógio antigo.

 

P.S. Este suelto foi redigido ontem à noite, embora esteja sendo postado agora, desde o Uruguai. A informação da queda do brigadeiro Pereira está hoje nos jornais. Era inevitável.




Escrito por Cristóvão Feil às 10h30
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A fala do ex-metalúrgico

 

Lula é de fato o grande intérprete do brasileiro cordial

 

Ontem, depois de muito tempo tive oportunidade de escutar a fala do presidente Lula. Na cerimônia de troca de titular no ministério da Defesa. Sai Waldir Pires, velho guerreiro altivo, entra Nelson Jobim, representante da histórica elite dos burocratas do formalismo jurídico, melhor dizendo, um Ruy Barbosa em compota. Mas não é disso que eu quero falar.

 

Assisti grande parte do discurso presidencial. Lula está cada vez mais parecendo o tipo ideal brasileiro, referido genialmente por Sérgio Buarque. Eis aí um motivo forte, determinante, suponho eu, para a sua popularidade inatacável, mesmo frente a todas as vicissitudes pelo qual o seu governo tem passado.

 

Para Lula a política não está nas relações objetivas. A esfera política é um roçar cordial de subjetividades que se objetivam depois em desdobramentos econômicos, sociais, etc. Ele diz: o Guido e o Bernardo vão ter que arrumar recursos pra você Nelson, o Waldir conheceu e sabe, o Palloci, que eu vejo aqui, tratou... e por aí vai. 

 

A complexidade das relações sociais expressas na política de interesses econômicos e de classes, tudo isso, fica dissolvido na fulanização dos agentes sub-objetivados e convertidos à esfera da cordialidade – objetivamente cordiais. Este é o universo lulista, a fala da conciliação no mundo da cordialidade.

 

Grande parte da ira do baronato midiático brasuca reside na verificação de que o presidente Lula, em sendo um brasileiro cordial tout court, está usando isso como chave para entrar no patamar da mesma popularidade desfrutada por Getúlio Vargas. Por bem menos, a revolução paulista de 1932 eclodiu como insurreição armada da nascente elite branca e urbano-industrial. Mas ainda não se inscrevia na modalidade "golpe".

 

Ontem, quando Lula acarinhava, tanto Waldir Pires quanto Nelson Jobim, com palavras entre o piegas e o afetivo, eu lembrava de uma sentença definitiva do Otto Lara Rezende, também na linha de Sérgio Buarque:

 

“A política às vezes é um namoro de homens.”        




Escrito por Cristóvão Feil às 08h55
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Íntegra da Carta

 

 

Íntegra da Carta da Consulta Popular divulgada pela 3a Assembléia Nacional

Realizamos em Belo Horizonte – MG, de 17 a 21 de julho de 2007, a 3a Assembléia Nacional do Movimento Consulta Popular, onde reunimos mais de 200 delegados que atuam em diferentes frentes de lutas de todo o país.

Analisamos a natureza do desenvolvimento do capitalismo e da luta de classes nacional e internacional, onde a hegemonia do capital financeiro nos coloca diante de diversos desafios. Diante disso, assumimos o compromisso de colocar todas as nossas energias para seguir organizando a classe trabalhadora, em defesa dos seus direitos e pela transformação social e política do país.

Com estes objetivos estabelecemos as seguintes tarefas a serem cumpridas pela nossa militância:

1 – Organizar e mobilizar as forças sociais para lutarem contra o capital, que domina a nossa economia e gera pobreza, ameaçando os direitos sociais e previdenciários da classe trabalhadora;

2 – Lutar para impedir a implantação dos projetos econômicos que devastam o meio ambiente, privatizam as águas e se apropriam das terras brasileiras;

3 – Defender a soberania alimentar, energética e política do nosso país;

4 – Impulsionar as lutas por melhores condições de vida no campo e na cidade, garantindo o acesso a terra, moradia, educação, saúde, distribuição de renda e a ampliação dos direitos previdenciários;

5 – Insurgir-se contra a monocultura, os plantios de cultivos transgênicos, a utilização de insumos agrícolas químicos, a apropriação e destruição da biodiversidade;

6 – Lutar contra todas as formas de discriminação, violência policial e criminalização dos pobres e dos movimentos sociais;

7 – Enfrentar e combater todas as formas de ingerência imperialista em qualquer parte do mundo.  [...]

Continua abaixo




Escrito por Cristóvão Feil às 15h40
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Íntegra da Carta - parte 2

[...]

 

Para garantirmos que estas tarefas se realizem, precisamos fortalecer a nossa organização da Consulta Popular nos empenhando cada vez mais:

1 – No estudo, no conhecimento e na compreensão da realidade brasileira;

2 – Empenhar-se para elevar a consciência e auto-estima do povo brasileiro;

3 – Estimular todas as formas de lutas sociais;

4 – Formar um número cada vez maior de militantes, preparados para as tarefas das lutas sociais;

5 – Participar e contribuir na construção da Assembléia Popular em nossos Estados e no maior número de municípios;

6 – Priorizar o trabalho da organização da juventude em especial nos grandes centros urbanos;

7 – Seguir construindo meios de comunicação da própria classe trabalhadora com instrumentos de formação política, valorização e resgate da cultura popular;

8 – Intensificar a disputa de idéias na sociedade através do debate do Projeto Popular para o Brasil;

9 – Contribuir com a unidade entre todas as forças organizadas da classe trabalhadora;

10 – Praticar a solidariedade permanente com todos os povos em luta no mundo, em especial com o povo da Palestina, Iraque, Haiti, Cuba e Venezuela.

O conjunto de decisões políticas e organizativas nos colocam em um novo momento de nosso processo de construção.

Reafirmamos hoje o compromisso, expresso nas cartas da 1a e 2a Assembléia Nacional: “Construiremos uma organização de novo tipo, dirigida para a luta, e cujas marcas são a unidade, a disciplina militante e a fidelidade ao povo. Uma organização que pratica os valores da solidariedade, da gratuidade, da honestidade e do trabalho coletivo. Isso é condição para que possamos enfrentar a crise, de dimensão histórica, que vive o Brasil. Uma crise cuja superação exigirá lutas e sacrifícios, que serão recompensados pela construção de uma pátria livre, justa e solidária”.

Somos a Consulta Popular.
Pátria Livre, Venceremos!

Belo Horizonte, 21 de julho de 2007




Escrito por Cristóvão Feil às 15h40
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Fradim tem razão...

 

 

Esta informação você não verá em nenhuma mídia corporativa brasuca

 

Ontem, na entrevista coletiva dada pelo presidente da Anac e o presidente da Infraero, a grande revelação foi a informação do brigadeiro Jorge Kersul, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos.

 

A revelação do brigadeiro não foi destacada, e sequer editada, por nenhum órgão do baronato midiático brasuca. Mas está no diário Clarín de Buenos Aires, hoje.

 

Kersul admitiu ontem que o avião da TAM tocou a pista de Congonhas no lugar correto e o fez em velocidade normal, mas “só não conseguiu freiar, já que estava com a turbina direita desativada por defeito, somado à falha no sistema reversor”.

 

Leia mais aqui no Clarín

 

                      ... e continua tendo razão!




Escrito por Cristóvão Feil às 11h50
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Aos anunciantes, tudo!

 

O PAN como espetáculo

 

A cobertura dos Jogos Pan-Americanos feita pelas televisões é espetacularizada. A avaliação é do jornalista esportivo Juca Kfouri (foto), que trabalha em jornais e rádios no centro do País. Juca, que é conhecido por suas reportagens investigativas, afirma que as coberturas jornalísticas do Pan têm sido feitas em rádio e jornal. A televisão, que atinge a maior parte da população, deixa de ter um olhar crítico até mesmo sobre os esportes. A informação é da Agência de Notícias Chasque, de hoje.

 

Em entrevista à Radio COM, de Pelotas, o jornalista denuncia que as emissoras se deixam levar pelos bons patrocínios e comerciais que faturam durante as transmissões do Pan, em detrimento de uma cobertura mais profissional. Por isso, cita Juca, que a televisão não abordou temas polêmicos, como o custo dos jogos, que passou a projeção inicial dos R$ 700 milhões e chegou a R$ 3 bilhões de reais. Mais da metade, pago pelo governo federal.

 

"A grande mídia, que atinge a maior parte da população, que é a TV aberta, esta tem tido um comportamento lastimável. Não deu um minuto sequer de crítica. É a velha confusão entre 'ser dona dos direitos de transmissão do evento" e confundir isso com 'ser sócio dos donos do evento, e sócio não critica", diz.

 

Um dos exemplos dessa atitude tomada pelas tevês foi a cobertura da ação da Polícia Militar no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, poucos dias antes de os jogos iniciarem. A morte de mais de 44 pessoas, a maioria sem ter ligação com o tráfico de drogas, foi abordada pelas emissoras como sendo algo ruim, mas necessário para o bem de toda a sociedade brasileira. Para Juca, a ação policial foi mais uma forma de intimidação à periferia antes dos Jogos Pan-Americanos.

 

"É difícil não ver relação. Há poucos dias do Pan, como se fosse uma tentativa de limpeza étnica no Rio de Janeiro. É claro que a população do Rio, que vive com medo, agradece. É natural ver a polícia subindo morro para buscar traficante. É difícil a gente separar a ação, da tentativa de tornar a cidade um pouco mais de segurança, quando isso deveria ser uma política de segurança pública e não somente para um evento de 15 dias", afirma.

 

Juca também aponta a falta de crítica da televisão sobre o próprio significado do Pan. O jornalista afirma que as competições travadas são importantes, mas não são o principal evento esportivo do mundo, como as transmissões deixam a entender. Motivo alegado pela ginasta Daiane dos Santos, que por estar lesionada, priorizou as provas pré-mundiais em relação ao Pan. Desde 1979 não são batidos recordes mundiais em Jogos Pan-Americanos.

 

"Como a gente sabe que a maior parte da população se informa, infelizmente, por meio da TV aberta, essa população está desinformada. Essas TV's estão tentando ganhar a opinião pública para uma festa cujo preço a população não tem idéia. E vendendo também uma competição, como se fosse a segunda coisa mais importante do esporte mundial, quando se sabe que os Jogos Pan-Americanos são, do ponto de vista esportivo, de pequena categoria", afirma.

 

Até o momento, o Brasil ocupa 3º lugar no ranking de medalhas, atrás dos EUA e de Cuba.




Escrito por Cristóvão Feil às 10h34
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Esquerda pós-PT

 

Stédile integra a nova coordenação do Movimento Consulta Popular

 

Ao final da 3º Assembléia da Consulta Popular (ver post anterior), João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integrante da nova Coordenação da Consulta, assinalou que o programa imediato de lutas da Consulta Popular ainda se encontra em um estágio de lutas anti-neoliberal. Segundo João Pedro, o programa mínimo da Consulta deve fazer a “ponte” entre as necessidades objetivas e o futuro. Para ele é necessário ir acumulando forças e ir elevando o nível de consciência do povo. A tarefa principal segundo João Pedro Stédile é a de “organizar o povo brasileiro”.

Em forma de síntese, ele apresentou os dez grandes problemas nacionais a serem enfrentados.

1º - A sociedade brasileira está submetida ao controle do capital – financeiro e produtivo - estrangeiro. A burguesia nacional abandonou a proposta de um projeto nacional e associou-se ao capital internacional;

2º - Assistimos a uma crescente concentração de riqueza e renda no Brasil. Os 130 mil milionários brasileiros têm uma renda equivalente a metade do PIB brasileiro;

 

3º - A concentração da terra;

4º - A economia nacional, a política e o conjunto da sociedade é hegemonizada pelos interesses do capital financeiro;

 

5º - As últimas mudanças do capitalismo mundial provocaram uma profunda reestruturação no mundo do trabalho elevando o desemprego a categoria de estrutural;

6º - Há um déficit de moradia no país de 11 milhões de moradia o que leva milhares de brasileiros a não ter um lugar digno para morar;

 

7º - O Estado brasileiro é burguês, autocrático e opressor;

8º - A educação brasileira não é republicana, é elitista e direcionada para que tem dinheiro para pagá-la;

 

9º - Os meios de comunicação social estão concentrados nas mãos de 6 a 7 grupos, e esses grupos agem como “partidos políticos” e se constituem em formadores e reprodutores da opinião da burguesia brasileira;

10º - A cultura nacional é dominada pelo capital, tudo se transformou em mercadoria. 




Escrito por Cristóvão Feil às 12h59
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Debate pós-PT na esquerda

 

 

Consulta Popular se define como uma organização política

 

Dedicada ao militante Apolônio de Carvalho (foto), o Movimento Consulta Popular realizou em Belo Horizonte dos dias 17 a 21 de julho, a sua 3º Assembléia Nacional. Reunindo aproximadamente 250 militantes de todo o Brasil, a Assembléia celebrou os dez anos do Movimento Consulta Popular.

O Movimento Consulta Popular, também conhecido como ‘Projeto Popular para o Brasil’, nasceu em uma reunião plenária realizada em dezembro de 1997, em Itaici (SP), onde estiveram presentes aproximadamente 400 militantes de movimentos sociais da cidade e do campo de todo o Brasil. Em sua origem, puxado pelo MST, a Consulta Popular aglutinou militantes de movimentos sociais críticos a crescente institucionalização e despolitização da esquerda brasileira.

Na sua origem, a preocupação maior da Consulta foi o da necessidade de se retomar o debate de um projeto para o Brasil. A Consulta “inspira-se” de certa forma na 2ª Semana Social Brasileira realizada em 1994 a partir do tema ‘Brasil. Alternativas e Protagonistas’, que também ficou conhecida como ‘O Brasil que queremos’.

Foi do conjunto desses debates da Consulta que surge o livro A Opção Brasileira sintetizando as principais idéias para um projeto para o Brasil. Num segundo momento é publicado uma série de documentos denominados “Um Projeto Popular para o Brasil”. O surgimento em todo o Brasil de uma série de ‘Escolas de Formação Política’ é também resultante da articulação da Consulta Popular, assim como o jornal Brasil de Fato. Mais recentemente a Consulta Popular articulado às pastorais sociais impulsionou em todo o país a Assembléia Popular.

Na 3º Assembléia do Movimento Consulta Popular, tomou-se a decisão que essa articulação irá se constituir como uma organização política. Assumirá a estrutura semelhante a de um partido político com organicidade nacional. Dentre as principais tarefas definidas na Assembléia está a construção de núcleos de base da Consulta Popular.

Ideologicamente a Consulta Popular se define como uma organização de caráter anti-capitalista fundada nos valores socialistas. Durante a 3º Assembléia o debate girou em torno do programa estratégico da Consulta. Fizeram parte da pauta e dos debates temas como Poder e Estado, Sujeito Político, Instrumento Político, Princípios e Valores de uma Prática Revolucionária, Desafios Orgânicos, Programa Mínimo e Calendário de Lutas.

A 3º Assembléia da Consulta elegeu uma Coordenação Nacional responsável pelo encaminhamento das tarefas definidas nos cinco dias de debates. 




Escrito por Cristóvão Feil às 12h37
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TOP! TOP! TOP!

 

TAM é a pior do mundo

 

O título deste suelto é o título do artigo da repórter Elizabeth Spiers, no Washington Post. Está lá, com todas as letras, TAM Linhas Aereas is the worst airline in the world.

 

Está caindo de maduro. O governo Lula deve impor fortemente o Estado para coibir a farra das empresas de aviação civil. Os 10 bilhões de dólares que serão destinados ao PAC aéreo precisam ser elemento de negociação de contrapartidas por parte do setor beneficiado, inclusive estimulando pequenas empresas regionais a compartilharem o bilionário negócio da aviação civil de cargas e passageiros.

 

Antes era praticamente só a Varig, agora são TAM e Gol, somente. Esse business é muito vasto para abrigar apenas poucos e privilegiados players.  

 

Voltamos a insistir, o CONAC deve ter o seu papel público revisto e ampliado. O Conselho deve ser participativo e republicano, um instrumento de democratização e profissionalização do setor aéreo – sem privilégios de espécie alguma.




Escrito por Cristóvão Feil às 10h56
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Inacreditável!

 

 

O gênio petista de Canoas

 

Ontem chego na frente da tevê e alguém está de dedo em riste. Atrás deste pequeno dedo ereto e ameaçador, estava o deputado Marco Maia (PT-RS). Deu tempo ainda de escutar que “este não é um conceito absoluto”.

 

A la putcha!

 

Perguntei a quem estava assistindo o que se passava. O deputado Maia foi à Washington, capital dos Estados Unidos da América, verificar a abertura das caixas-pretas do fatídico avião da TAM que explodiu em Congonhas.

 

O tal do “conceito absoluto” era uma réplica a um companheiro seu de viagem que foi junto, um parlamentar do DEM – ambos pressurosos e habilitados pelas próprias consciências – inspecionar se os técnicos norte-americanos estavam trabalhando com correção e profissionalismo.

 

Portanto, os dois parlamentares brasileiros - Tico e Teco – foram à Washington para discutirem na frente das câmeras da tevê Globo, sobre o que é relativo e o que é absoluto em se tratando de conhecimentos aviônicos e aeronáuticos – dos quais certamente ambos são experts no grau de pós-doutorado.    

 

..........

 

O PT/RS fez uma reunião bastante produtiva neste último fim de semana em Porto Alegre. Tirou resoluções importantes e politizadas sobre a crise do Partido, encaminhando soluções para o 3º Congresso. Pois bem. Todo esse esforço sincero e qualificado fica comprometido pelos trinta segundos ocupados com as tolices do deputado Maia em Washington. Alguém vai dizer que são coisas distintas. Sim, de fato. Mas vá convencer o senso comum, que se orienta pelo que assiste na tevê! Vá! 

 

No imaginário do jovem que trabalha de dia e estuda à noite não existem gavetas com etiquetas: “deputado Maia”, “3º Congresso do PT”, “Nova hegemonia no PT”, etc. As 48 horas de qualificada reunião partidária não valem os trinta segundos desqualificados do nosso gênio canoense.




Escrito por Cristóvão Feil às 09h14
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Beleza roubada

 

A apropriação privada do cenário urbano

 

Vejo na tevê o comercial de um desses ataúdes motorizados da Fiat. Muito bonito, o comercial. O ataúde disfarçado com uma cor vibrante corre pelas ruas de Porto Alegre. As imagens da cidade estão particularmente belas. São closes rápidos que emprestam classe ao filme. A fotografia está perfeita.

 

Fico imaginando. A Fiat veio aqui na província e se apropriou da cidade. Vende o ataúde com a cidade, a cidade com o ataúde. Certamente a municipalidade, hoje governada pelo inapetente Fogaça, não ganhou lhufas com esse comercial. Porto Alegre é cenário de um comercial milionário e a cidade não ganha lhufas, necas.

 

Está errado.

 

Experimenta ir filmar um comercial em Nova York, por exemplo. Qualquer filme. Pergunta quanto a municipalidade local exige para duas breves horas de “uso do cenário” urbano da big apple.

 

Em março último um amigo (e parente) esteve várias semanas filmando em Dublin, capital da Irlanda, cidade fundada em 140 d.C. Cenas urbanas, campestres, castelos, pubs, parques públicos, museus, museu James Joyce (que fica numa imensa torre do medievo), etc. Tudo pago adiantado, sessenta dias antes, para entrar na “grade de programação” da prefeitura local. 

 

Eles dizem o seguinte: Dublin e sua população estão preparando esse cenário exclusivo para a sua história há mais de 1900 anos, o cenário está pronto, basta remunerá-lo para que ele faça parte do seu belo filme, quando quiser, volte, você será bem-vindo e o cenário ainda estará bem cuidado.

 

Quem não quiser pagar, que faça um cenário de compensado, cartolina e gesso, imitando 1900 anos bem conservados. É simples.  




Escrito por Cristóvão Feil às 08h13
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Mercado também faz TOP! TOP! TOP!

 

Mercado sinaliza que a TAM é a responsável pela tragédia

 

Deu no jornal Valor, de hoje.

 

A imagem do setor aéreo e das companhias deve continuar sofrendo ainda por um bom tempo, avaliam analistas de empresas de corretoras. O difícil trabalho de identificação das vítimas, as investigações sobre as causas e a própria recuperação do local da tragédia - em um dos locais de maior movimento da cidade de São Paulo, ao lado do aeroporto de Congonhas - e as discussões sobre mudanças de rotas e na infra-estrutura vão manter o foco do noticiário no setor, prejudicando as empresas, em especial a TAM. Do acidente para cá, até sexta-feira, a ação preferencial (PN, sem voto) da TAM caiu 17,22%, a PN da Gol perdeu 9,38% e o Ibovespa subiu 0,12%.

 

Apesar de toda a ação inglória da mídia corporativa para defender o seu anunciante TAM, a empresa aérea ficou com a imagem enlameada, e ainda sobrou para respingar na Gol. O chamado mercado – como se pode notar – não adota como bíblia absoluta as matérias sabujas da mídia corporativa. As ações da TAM e da Gol cairam, em que pese a subida do índice que mede o volume de negócios na Bolsa de São Paulo.

 

Neste sentido, o governo Lula, sempre tão cioso com os humores do mercado, poderia aproveitar e impor medidas de contrapartida aos concessionários públicos da aviação civil. O PAC está por despejar recursos da ordem de 10 bilhões de dólares nos próximos três anos, somente no setor dos transportes aéreos – de passageiros e de cargas. Claro que esse dinheiro não vai direto para as operadoras. Direto, não, mas indireto, sim.

 

A contrapartida das operadoras para esse mundão de dinheiro seria estabelecida através de uma resolução participativa e republicana do CONAC – Conselho Nacional de Aviação Civil – órgão de assessoramento da presidencia da República. No CONAC devem sim participar os representantes das vítimas dos acidentes aéreos dos últimos dez anos, por exemplo. É preciso antes auditar o histórico destes acidentes trágicos. Saber como estão os processos de ressarcimento moral e pecuniário das famílias. Que sorte de sanções foram impostas às operadoras flagradas em desídia, incúria e negligencia na operacionalidade de suas aeronaves. Enfim, estabelecer um novo estatuto de defesa do consumidor-usuário dos serviços de transportes aéreos de passageiros – um serviço público concedido e autorizado pelo Estado.

 

O dinheiro do PAC tem que servir de estímulo à empresa-cidadã e jamais um fomento à ganância privada e selvagem pelos recursos públicos.         

 

O governo Lula não vive obedecendo cegamente as chamadas sinalizações do mercado? Pois, o mercado está sinalizando NÃO às empresas e empresários mentirosos e inescrupulosos.




Escrito por Cristóvão Feil às 11h19
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Partido dos Trabalhadores

 

PT/RS critica Campo Majoritário em preparação ao 3º Congresso

 

A íntegra da resolução sobre a crise política, aprovada no congresso do PT gaúcho, é a seguinte:

“A crise do PT de 2205/2006 tem origem na predominância dentro do PT, imposto por uma maioria nacional, de uma estratégia de centro-esquerda que gradativamente submeteu o PT a uma lógica eleitoral, de diluição programática e afastamento de sua base social. Esta estratégia diminui a potência orgânica do Partido e trouxe a tona necessidades estranhas a nossa história. Como a constituição de alianças anti-programáticas, a produção de campanhas milionárias e o estabelecimento de acordos nefastos.

O III Congresso do PT considera que a prática de instrumentalização e o aparelhamento para o crescimento e fortalecimento de grupos partidários, especialmente o então Ex-Campo Majoritário, é a principal responsável pela grave crise política vivida por nosso partido e governo bem como, afirmar que o episódio do dossiê e os precedentes não constituem um problema estritamente ético” mas, que são a manifestação mais aparente das conseqüências nefastas de uma concepção política equivocada, que abandona objetivos estratégicos em nome de objetivos imediatos, que confunde política de alianças com a promiscuidade com setores da burguesia.

O III Congresso reafirma a vigência da resolução sobre a CRISE ÉTICA DE 2005, aprovada no 13o Encontro Nacional do PT, que:

Condena as práticas inaceitáveis de financiamento de campanha e de promiscuidade na relação inter-partidária, que causaram enormes danos à imagem, ao patrimônio ético, ao ideário socialista e democrático do Partido, colocando temporariamente na defensiva o campo democrático e popular e dando pretextos para tentativas de desestabilização de nosso governo;

Considera que essas práticas políticas inaceitáveis devam ser debatidas de maneira crítica e autocrítica pelo conjunto do Partido. Entre estas práticas, encontram-se: a) a centralização de decisões por alguns dirigentes, sem autorização de nossas instâncias; b) a subestimação do papel da luta social no processo de democratização do Estado e do governo; c) a ilusão sobre a possibilidade de políticos conservadores abdicarem de seus próprios projetos e práticas, em função dos nossos”.

Nesse sentido, o III Congresso reafirma a necessidade de que o Diretório Nacional que regulamente os prazos e procedimentos para realizar o processo de apuração das responsabilidades relativas à crise vivida pelo PT no ano de 2005”.

Assinam a resolução as chapas “A Esperança é Vermelha”, “Mensagem ao Partido” e “Por Todas as Lutas e Por Todos os Sonhos”.

 

......

 

A resolução acima foi extraída da Agência Carta Maior, de São Paulo. O portal PT Sul, até às 9h20 desta manhã seca, azul e ensolarada não dava sinais de atualização.




Escrito por Cristóvão Feil às 09h33
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Karmo




Escrito por Cristóvão Feil às 11h58
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Revolução cultural guasca

 

Extra! Extra!

 

Uma raposa felpuda me bateu essa. A jornalista, mestra em ciência política (pela Ulbra), secretária de Cultura (do RS), filha de coronel, mãe, e esposa enquanto mulher Mônica Leal está preparando para lançar um projeto cabo de esquadra, como dizem os lusitanos.

 

Trata-se de um “projeto super-cultural” chamado Farol da Sabedoria. Promete ser a marca erudita do governo de dona Yedinha Que culpa tenho de ser alta, bonita e inteligente? e modesta Rorato Crusius.

 

Agora vai!




Escrito por Cristóvão Feil às 11h10
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Sim, sim, não, não

 

 

Mentira à Bolognesa

 

Só numa atividade que desrespeita os clientes em benefício da patranha [história mentirosa] um presidente de empresa pode fazer o que fez o doutor Marco Antonio Bologna, da TAM. Na quarta-feira ele disse que o Airbus estava em "perfeitas condições". Na quinta-feira, confrontado com informações que tinha, mas não revelava, Bologna confirmou que havia um defeito no sistema que ajuda a frear o avião.

 

(Excerto do artigo dominical de Elio Gaspari, publicado hoje no jornal Correio do Povo e outros jornais brasileiros.) 




Escrito por Cristóvão Feil às 10h42
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Resgate de um símbolo iconográfico

 

Saudades do Fradim

 

A mensagem mais politizada e altaneira que partiu do governo Lula foi o gesto privado de Marco Aurélio Garcia.

 

Não foi contra as vítimas da tragédia de Congonhas como tentou distorcer – moralistamente – a mídia corporativa. Foi um gesto direto contra a própria mídia corporativa e acanalhada, que insistia numa leitura, digamos assim, ideologizada de um desastre mecânico com dramáticas repercussões humanas, agravado pela desídia criminosa da empresa TAM.  

 

O curioso é que o gesto privado afetou o moralismo público das tetéias midiáticas. Ficaram escandalizadas, as bonecas pudicas.

 

Saibam que esse gesto não é original (do samba). Durante a ditadura militar, o saudoso Henfil criou um personagem chamado Fradim – um sádico irreverente du carvalho – que tinha como marca registrada o top-top-top sonoro dos que não compactuam com a procissão moralista e rançosa dos oligarcas de sempre.

 

De resto, o próprio príncipe dos sociólogos, o Farol de Alexandria, o professor Cardoso (foto) também já armou-se de um copinho na mão e um tamponamento rápido da outra para expressar-se politicamente – e ninguém na época reclamou ou redigiu editoriais furibundos e pudibundos.        

 

A minha integral solidariedade ao professor Garcia. Pelo menos alguém naquela casa está indignado com a mídia corporativa.

 

O Fradim pode vir a ser um símbolo iconográfico da luta contra a mídia que temos – partidária, classista, direitista,  oligárquica, golpista (todos apoiaram integralmente o golpe  militar de 64, todos!), pusilânime, dissimulada, moralista, entreguista, mentirosa e canalha.  E, jornalisticamente, medíocre.

 

Viva o Fradim! 

 

 

 




Escrito por Cristóvão Feil às 18h13
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Calabouço de ar

 

 

Preâmbulo às instruções para dar corda ao relógio

Pensa nisto: quando te oferecem um relógio, oferecem-te um pequeno inferno florido, uma prisão de rosas, um calabouço de ar. Não te dão somente o relógio, muitos parabéns, que te dure muitos e bons, é uma ótima marca, suíço com não sei quantos rubis, não te oferecem somente esse pequeno pedreiro que prenderás ao pulso e passeará contigo. Oferecem-te - ignoram-no, é terrível ignorá-lo - um novo bocado frágil e precário de ti mesmo, algo que é teu mas não é o teu corpo, que tens de prender ao teu corpo com uma correia, como um bracinho desesperado pendente do pulso.

 

Oferecem-te a necessidade de lhe dar corda todos os dias, a obrigação de dar corda para que continue a ser um relógio; oferecem-te a obsessão de ver as horas certas nas vitrines das joalharias, o sinal horário na rádio, o serviço telefonico. Oferecem-te o medo de o perder, de seres roubado, de que caia ao chão e se parta. Oferecem-te uma marca, a convicção de que é uma marca superior às outras, oferecem-te a tentação de comparares o teu com os outros relógios. Não te oferecem um relógio, és tu o oferecido, a ti oferecem para o nascimento do relógio.

Instruções para dar corda ao relógio

Lá bem no fundo está a morte, mas não tenha medo. Segure o relógio com uma mão, com dois dedos na roda da corda, suavemente faça-a rodar. Um outro tempo começa, perdem as árvores as folhas, os barcos voam, como um leque enche-se o tempo de si mesmo, dele brotam o ar, a brisa da terra, a sombra de uma mulher, o perfume do pão.

Quer mais alguma coisa? Aperte-o ao pulso, deixe-o correr em liberdade, imite-o sôfrego. O medo enferruja as rodas, tudo o que se poderia alcançar e foi esquecido vai corroer as velas do relógio, gangrenando o frio sangue dos seus pequenos rubis. E lá bem no fundo está a morte, se não corrermos e chegarmos antes para compreender que já não interessa nada.

Julio Cortázar

 

A imagem é uma pintura hiper-realista (parece fotografia de 10 megapixels) do artista iraniano Iman Maleki




Escrito por Cristóvão Feil às 10h11
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Salvem-se!

 

A náusea

 

Reforcem a dose de Dramin hoje à noite. O Jornal Nacional vai apresentar um necrológio tão nauseante do falecido ACM que deve desidratar até baleia obesa.

Mas tem uma solução melhor: ignorar o JN e a Globo.

É o meu caso.




Escrito por Cristóvão Feil às 17h59
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Dom Inodoro Pereyra, el gaucho

 

Fontanarrosa partiu

 

O cartunista e escritor argentino Roberto Fontanarrosa morreu ontem (19), aos 62 anos, devido a uma doença neurológica, em Rosário, onde nasceu.
O "Negro", como era chamado, criador de personagens como o gaúcho Inodoro Pereyra, deixou de desenhar em janeiro por causa da doença, que afetou o movimento de suas mãos. Desde então, passou a só escrever o conteúdo das tirinhas que produzia para o jornal "Clarín" de Buenos Aires.




Escrito por Cristóvão Feil às 17h42
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Arak musical

 

Abandonaste finalmente aquela amante paraguaia, meu jovem?

 

Relaxa e trata de arrumar uma mulher de verdade, de carne e osso. Enquanto isso vai ouvindo aqui a bela argelina Souad Massi e sua banda. Não vou te oferecer nada, porque estás muito nutridinho. E - por favor - não encarna na argelina, agora! 




Escrito por Cristóvão Feil às 13h50
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Artigo

 

 

A crise aérea é o rearranjo selvagem do mercado e a cobiça pelo PAC

 

Para além da luta de classes, o que está por trás de toda essa grita da crise aérea é a privatização dos aeroportos e a verticalização feroz das companhias operadoras do transporte de passageiros e cargas.

 

O pretendido desgaste ao governo Lula é um fato estimulado pela mídia corporativa, mas este não é o elemento principal. O golpismo midiático é gritante, mas também é um fator secundário.

 

O grande objeto da militância panfletária da mídia é o destino que será dado aos importantes recursos do PAC  do setor de transportes multimodais.

 

Com a "quebra" da Varig, houve um rearranjo completo no mercado da aviação civil brasileira. O governo Lula quis estimular as companhias regionais afim de propiciar a democratização do bolo do mercado de passageiros/cargas, que está em crescimento e deve aumentar ainda mais com a implementação do PAC. Entretanto, por razões que fogem a esse breve comentário, as companhias Gol e TAM abocanharam estrategicamente o mercado, causando uma verticalização perigosa e danosa aos usuários. Essas companhias estão nadando em dinheiro, não só resultante da sua atividade operacional específica, quanto - sobretudo - fomentada por investidores que vêem no Brasil um campo de especulação vantajoso e lucrativo.      

[...]

 

Continua abaixo




Escrito por Cristóvão Feil às 11h58
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Artigo - parte 2

[...]

O governo Lula vacilou em dois momentos. Primeiro, na política oscilante quanto a urgente e necessária desmilitarização do setor da aviação civil (acabou voltando atrás e re-militarizando o setor sob o comando da Aeronáutica, todos sabem - e os fatos confirmam - que Lula é mais conciliador que Tancredo Neves). Segundo, permitindo a rápida ação das companhias Gol e TAM de se tornarem intocáveis no cobiçado mercado brasileiro.   

 

O mercado da aviação civil aguarda com avidez os recursos do PAC. Com a tragédia de Congonhas, tiveram nova vitória. O governo Lula anunciava, antes do desastre, cerca de 3 bilhões de reais. Ontem, o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, já dizia que 20 bilhões, só nos próximos três anos, ainda será pouco. E o debate sobre a privatização da Infraero e, por conseguinte, dos aeroportos, foi reaberto por ninguém menos que o sinistro Delfim Netto. Uma agenda neolibral que estava oculta, mas que agora reaparece sem o menor pudor.  

 

Esse é o cenário. Portanto, é disso que se trata. A disputa privada pelos recursos do Estado é fato concreto. Estabelece um vale-tudo selvagem no mercado que não hesita em colocar vidas humanas no simbólico moedor de carnes da mercadoria, em favor da realização do capital. E o Estado, instituição concebida para regular as deformações da sociabilidade nas relações humanos, está hesitante para cumprir o seu pleno papel nos termos republicanos de impessoalidade e isonomia. (CF)        




Escrito por Cristóvão Feil às 11h58
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Testemunho pessoal

 

 

A ganância da TAM e a grosseria dos perdigueiros da mídia

 

Este é um depoimento pessoal, na linha do poeta romântico Gonçalves Dias, "meninos, eu vi!".

 

Quarta-feira passada, dia 18/7, dez horas da manhã, eu estava no aeroporto Salgado Filho de Porto Alegre. Acompanhava uma pessoa da minha família que embarcaria às 11:15h, para Recife, no vôo 3508 da TAM.

 

O saguão do Salgado Filho estava repleto de pessoas. Familiares das vítimas da tragédia de Congonhas aguardavam o vôo exclusivo da TAM que os levaria à São Paulo, para acompanhar o resgate e identificação dos corpos. Já estavam ali há várias horas, muitos haviam permanecido a noite toda no saguão do aeroporto.

 

O ar pesava várias toneladas.

 

Enquanto isso, a companhia TAM estava leiloando assentos no avião que era para ser exclusivo dos familiares das vítimas. E os familiares aguardando em situação desesperadora. Como se não fosse suficiente o drama destas pessoas, havia ainda o assédio grosseiro, insensível e desrespeitoso de jovens repórteres da mídia local - matilha de cães farejadores buscando fazer do sofrimento humano um espetáculo para ser mostrado no show das oito.

 

Cenário dantesco do quinto círculo do inferno. Meninos, eu vi!




Escrito por Cristóvão Feil às 09h49
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Novo ícone da direita

 

A ética das galochas

 

A direita brasileira é tão golpista, mas tão golpista, que mesmo quando está no poder, trata de tentar derrubar os seus cupinchas. O caso clássico foi o do Ato Institucional no 5, promulgado pelos militares em 13 de dezembro de 1968. Foi um golpe dentro do golpe de 64. Gorila versus gorila. Direita chupa-bala-de-mel versus direita come-abelha.

 

O ícone da direita civil foi, sem a menor dúvida, o jornalista Carlos Frederico Werneck de Lacerda, cognominado de Corvo. Ex-comunista, observem o nome da criança, Carlos + Frederico, intelectual razoável e brilhante orador, Lacerda praticamente derrubou o velho Getúlio em 1954, levando-o ao suicídio, em 24 de agosto.

 

Semanas atrás, alguém, de algum blog, que não recordo, provocou a seguinte questão: quem será o novo Lacerda? E parece que a coisa está em aberto.

 

Pois, eu vou dar o meu pitaco. O novo Lacerda, sem o brilho do mesmo, o novo golpista-mor é o governador José Serra, de São Paulo. Ex-AP, uma espécie de esquerda católica de cor salmão, Serra está fazendo todos os esforços para se tornar o novo babalorixá (chefe espiritual) da direita brasuca.

 

A cara-dura com que ele foi ao aeroporto de Congonhas, logo depois do acidente, contrasta com o chá de sumiço que sustentou quando do buraco do metrô de Pinheiros, em janeiro último. A esses fenômenos comportamentais variáveis, Max Weber chamava de ética dupla.  As circunstâncias indicam a qual ética estarei amparado, no momento. A ética - para Serra - tem a funcionalidade das galochas, se chover, calço-as, se fizer sol, ignoro-as.

 

O Lacerda era apelidado de Corvo. Serra será apelidado de quê? De hiena, chacal? Urubu?

 

 




Escrito por Cristóvão Feil às 17h04
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Próxima estação...

 

Tevelina e La Radiolina by Manu Chao

 

Modelo de mídias alternativas, são os dois canais de audio e vídeo do grande Manu Chao.

Vejam que bonito, funcional e amigável. Entre por aqui, meu filho!

 

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Viu, Jean Scharlau e Guga Türck? Vamos copiar, djá!

Valeu a dica, Cidão, de São Paulo! 


 



Escrito por Cristóvão Feil às 10h37
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Reforma sindical a frio

 

 

Governo Lula reforça o caixa das centrais sindicais

 

As centrais sindicais acertaram no milhar: graças a um projeto de medida provisória já negociado por governos e líderes sindicais, elas serão legalizadas e receberão 10% do bolo da contribuição sindical, que arrecada um dia de trabalho de todos os empregados registrados do País. De janeiro a maio de 2006, a contribuição sindical recolheu R$ 1,24 bilhão, segundo o Ministério do Trabalho. Feita a conta a partir desse valor parcial, R$ 124 milhões estariam à disposição das centrais no ano. A medida significará forte impacto sobre a estrutura sindical brasileira e já provoca uma rearrumação entre as centrais. A informação está no Estadão de hoje.

 

Projeções feitas para o Estado por consultores, com base nos números oficiais, mostram que a CUT, que hoje tem orçamento de R$ 5 milhões, passaria a receber perto de R$ 33 milhões anuais; a Força Sindical, que tem receita de R$ 1,44 milhão, agora receberia mais de R$ 13 milhões; a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), com orçamento anual de R$ 100 mil, ficaria com algo próximo a R$ 8 milhões. A nova UGT teria mais R$ 6 milhões. Tudo somado, a verba das centrais será multiplicada por dez.

 

Artur Henrique, presidente da CUT - a maior beneficiada -, diz ser favorável a que a destinação do governo para as centrais seja provisória e fala em iniciar já uma luta pelo fim da contribuição sindical. Mas ele revela temer que a entrada de tanto dinheiro nos cofres das centrais crie uma onda de acomodação e paralise a luta pelo fim da contribuição, que a CUT defende desde sua fundação.

 

O secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, Luiz Antônio Medeiros, ex-presidente da Força Sindical, disse que as centrais se comprometeram a extinguir a contribuição num segundo passo, após a legalização. Mas não soube explicar por que a legalização vem com o rateio de contribuição que se planeja extinguir.

[...]

 

Continua abaixo




Escrito por Cristóvão Feil às 08h37
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Reforma sindical a frio - parte 2

[...]

 

Haverá outros efeitos. O cientista político Leôncio Martins Rodrigues afirma que a novidade reforça o espírito corporativista do sindicalismo brasileiro, já que as centrais - até aqui independentes - cairão na malha da dependência direta do Estado. “Isso já foi antecipado no último 1º de maio, quando todas elas elogiaram o governo em suas comemorações”, diz. Para Leôncio, a velha estrutura sindical implantada pelo regime varguista receberá ao mesmo tempo um estímulo e um fator de desequilíbrio: as centrais reforçarão o corporativismo e unirão sua força política a uma notável pujança financeira.

 

O sociólogo Luiz Werneck Vianna, do Iuperj, diz que a mudança representa uma reforma sindical “a frio” - o novo status das centrais vai forçar uma transformação na estrutura sindical, a partir do enfraquecimento das confederações. O consultor sindical João Guilherme Vargas Neto entende que a alteração cria uma situação curiosa: a estrutura sindical brasileira será pluralista na cúpula e unitária na base.

 

O negociador de Relações do Trabalho Alencar Rossi diz que a medida nasce “na contramão da realidade sindical”.

 

O projeto que já recebeu aprovação de todas as centrais e do governo prevê que o rateio da contribuição sindical não muda no que toca a confederações (que recebem 5%), federações (15%) e sindicatos (60%); mas dos 20% que ficavam com o governo na conta Emprego e Salário - e ultimamente engordavam o FAT - agora metade será distribuída às centrais. Para Leôncio, essa novidade só vai aumentar o grau de peleguismo. “Veja que a CUT não fala mais em comissões de fábrica e esqueceu a reforma sindical de verdade”, salienta.

 

Werneck diz que, sem poder mudar a estrutura sindical, Lula criou um saudável fator de renovação do sistema. “Lula vai deixar que a prática do movimento sindical indique os caminhos”, comenta. João Guilherme estranha que o sistema possa ser pluralista na cúpula (centrais de várias tendências) e unitária na base (cada sindicato tem monopólio da representação em sua área). “Esse é o jeitinho brasileiro de fazer reforma sindical”, explica Medeiros.

 

As centrais se preparam para a mudança antes mesmo de a MP ser assinada pelo presidente Lula. Três delas, que não conseguiam atender às exigências dispostas no projeto da MP, se fundiram em outra; a corrente sindical do PCdoB planeja sair da CUT. Mas o que mais se nota entre seus dirigentes é, por um lado, uma imensa gratidão ao presidente Lula por ter concedido a independência financeira das centrais (se bem que em troca de sua autonomia); por outro, uma grande expectativa pela enorme quantidade de dinheiro que terão à disposição.


 



Escrito por Cristóvão Feil às 08h37
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Saúde gratuita para todos

 

Documentário de Michael Moore divulga a saúde pública cubana

 

O novo documentário de Michael Moore, "Sicko", representa a maior publicidade para o sistema gratuito de saúde em Cuba desde a revolução de 1959, disse na segunda-feira um médico cubano que serviu de anfitrião ao cineasta.

 

Moore levou em março a Cuba, para realizar tratamento gratuito, oito norte-americanos que adoeceram depois de se voluntariarem para os trabalhos de resgate nos atentados de 11 de setembro de 2001.

 

O objetivo do diretor era provar que um país pobre como Cuba é mais eficiente que os Estados Unidos no atendimento médico à população. A tese do polêmico filme, que estreou em junho nos EUA, é de que o sistema norte-americano é voltado para o lucro e deixa milhões de cidadãos desprotegidos.

 

"Michael Moore despertou mais interesse por nosso sistema de saúde do que os mais de 40 anos em que estamos fornecendo saúde à nossa gente", disse à Reuters o médico Jaime Davis, que ofereceu exames e tratamento grátis ao grupo levado por Moore.

 

Durante dez dias na ilha, os pacientes norte-americanos foram tratados contra problemas respiratórios contraídos pela respiração de poeira nas ruínas do World Trade Center. Alguns também receberam tratamento de problemas dentários e digestivos, segundo Davis. O próprio Moore teve sua pressão arterial medida.

 

Pescado daqui.

 

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Os "gestores" da saúde pública de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul bem que poderiam dar uma examinada no filme "Sicko".

 

Na foto, a sala de espera de um pequeno posto de saúde pública na área rural da ilha.




Escrito por Cristóvão Feil às 07h59
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Aviso aos navegantes!

 

Pé no estribo

 

Quero informar preventivamente aos nossos doze leitores que este blog em breve irá mudar de endereço. As condições técnicas aqui no UOL são péssimas. Essa bicheira só funciona no navegador da Microsoft (Explorer/Bill Gates), e de umas semanas até hoje está com problemas nas postagens.

 

O espaço de cada postagem é como o de rato em guampa. A barra de ferramentas teima em não comparecer. Se isso ocorrer nas empresas da família Frias (grupo Folha/UOL) o empregado é colocado nos dentes da rua, para ser mastigado e triturado pela vida errante de desempregado. Ao postar imagens tem que rezar, bater tambor, dar três voltas no próprio eixo e sete voltas na casa e... ela, a imagem, geniosamente não entra.

 

Enchi. Enchi os canecos com esse UOL. Já reservei há mais de ano um espaço no Blogger (Google) que está em teste (Diário Gauche). Falta somente migrar com os arquivos de sueltos aqui publicados, desde abril de 2006. Tarefa de remador do Ben-Hur!     

 

Chegaremos lá! Mas antes avisaremos os sete ou trinta e sete leitores que aqui aportam diariamente.




Escrito por Cristóvão Feil às 16h02
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A propósito...

 

Oito coisas que acho notáveis no Brasil

 

1)  A capacidade que certos indivíduos tem de expressarem a sua necrofilia e morbidez

2)  A capacidade que certa mídia corporativa tem de expressar a sua necrofilia e morbidez

3)  O uso da necrofilia e da morbidez como armas políticas

4)  O uso da necrofilia e da morbidez como armas eleitorais

5)  A súbita socialização dos conhecimentos aeronáuticos em nosso meio  

6)  A súbita socialização dos conhecimentos aeroportuários em nosso meio

7)  A súbita socialização dos conhecimentos aviônicos em nosso meio

8)  A crescente horizontalização da canalhice em nosso meio 


 



Escrito por Cristóvão Feil às 14h38
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Primeiríssima baixa

 

Chuteiras pingentes

 

Depois dessa tragédia lamentável com o avião da TAM, quem pode pendurar as chuteiras eleitorais para todo o sempre é a ministra Marta Relaxa-e-Goza Suplicy.

 

Aquele avião caiu na cabeça da ex-sexóloga da TV Globo, foi o seu 11 de setembro eleitoral. 




Escrito por Cristóvão Feil às 11h34
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Nota de pesar

Comunicamos com grande pesar que Lina Barbosa Cassol, irmã do nosso amigo, o jornalista do setor de Comunicação da Via Campesina, Daniel Cassol, faleceu nesta terça-feira (17/7), no acidente com o vôo JJ 3504, da empresa TAM. Lina, que era médica, viajava para São Paulo a trabalho.

O vôo da TAM saiu de Porto Alegre no final da tarde de ontem. Quando pousava no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a aeronave chocou-se contra um depósito de cargas da própria empresa. 




Escrito por Cristóvão Feil às 11h01
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Ex-ditador está detido no Chile

 

 

Chilenos querem extradição de Fujimori


Cerca de 60% dos chilenos se manifestaram contra a decisão do juiz Orlando Alvarez, que impediu a extradição do ex-ditador Alberto Fujimori ao Peru.

 

De acordo com a pesquisa telefônica feita pelo diário La Tercera, apenas 27% dos pesquisados afirmam estar de acordo com a decisão do juiz. O levantamento indicou também que 71% dos consultados acreditam que a decisão complica as relações com o Peru. O governo peruano apelou contra a sentença e uma decisão final deverá ser tomada em dois meses. A informação é da Agência Chasque.




Escrito por Cristóvão Feil às 10h47
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Filatelia e numismática guasca

 

Observações preliminares acerca do escândalo na Assembléia

 

A CAGE - Controladoria e Auditoria-Geral do Estado/RS - está numa situação no mínimo insólita com o escândalo da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. É o que mais chama a atenção, por se constituir numa novidade para muitos. O servidor do legislativo, Macalão, afirma que as práticas irregulares acontecem pelo menos há onze anos, e que não havia controle algum por parte da Assembléia. Telefones celulares privativos da AL estavam servindo à casa noturna de uma tal Tia Carmen, na Cidade Baixa. Para mencionar o mínimo.

 

E a CAGE não apontou nada disso? É importantíssimo um esclarecimento oficial da instituição acerca deste caso muito grave, porque grosseiro e continuado por anos a fio.

 

Outro aspecto: o servidor não-concursado Ubirajara Macalão é uma pessoa semi-alfabetizada, quem o conhece diz tratar-se de alguém com severas dificuldades cognitivas e outras insuficiências, como uma personalidade dessas é convidado, aceita e permanece por tantos anos como Diretor de área, à frente de assuntos de tamanha responsabilidade e envergadura no Legislativo estadual gaúcho?  

 

Quinta-feira passada ainda, o delegado Gasparetto mencionou o nome de um senador gaúcho que faria parte das relações do servidor Macalão. Desde então, o silêncio na mídia guasca é perturbador.

 

Só a Polícia Federal pode responder a todas a essas questões intrigantes (e outras). 




Escrito por Cristóvão Feil às 13h00
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Secretaria da Insalubridade Pública

 

Novo secretário gostaria de ser o cara mais lindo de Porto Alegre

 

O novo Secretário Municipal da Saúde de Porto Alegre, o vice-prefeito Eliseu Santos, deu entrevista ao jornal Zero Hora, do grupo RBS.

 

A entrevista de hoje serve mais para ocultar do que para esclarecer o que passa na cabeça do confuso Eliseu Santos (PTB).

 

Cínico, atrevido, deseducado, e com vocação para parteiro de rato, o secretário e médico Eliseu Santos, perguntado pelo drama da insalubridade do HPS respondeu que "esses ratos do HPS não nasceram quando o Fogaça e o Eliseu assumiram. Tenho certeza disso, porque já trabalhei no HPS como estagiário e como médico. Sei das dificuldades no bloco, dos elevadores quebrados, de tudo. Mas estamos com um projeto de remodelação total no Pronto Socorro. Se o governo federal for um bom parceiro, eles mandam os recursos e nós colocamos a nossa parte".

 

Mais adiante, o petebista Eliseu volta a queixar-se da falta de recursos financeiros, assim:  "Eu gostaria do contratar cem médicos, gostaria de construir mais 20 postos, gostaria de ser o cara mais lindo da cidade. Mas não tenho dinheiro".

 

Será que o vice-prefeito e atual secretário da Saúde de Porto Alegre já ouviu falar em QualiSUS? Ele tem consciência de que o QualiSUS reservou mais de 9 milhões de reais para a saúde pública de Porto Alegre e que a administração José Fogaça/Eliseu Santos praticamente ignorou o expressivo recurso federal? E os 30 milhões que o Estado deve à saúde municipal, Eliseu tem noção disso? 

 

Eliseu Santos ou é muito alienado ou é um comediante de raro talento. Em ambos os casos, está entrando no lugar errado.

 

 

Na foto, o secretário aspirante a Apolo urbano, senhor Eliseu Santos.




Escrito por Cristóvão Feil às 11h49
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130 mil milionários possuem metade da riqueza brasileira

 

Lulismo fez milionários brasileiros darem cria

 

Cerca de 130 mil brasileiros são os mais ricos da América Latina com fortuna conjunta estimada em US$ 573 bilhões - mais da metade do PIB nacional.

 

Estudos de dados da Receita Federal e do The Boston Consulting Group (BCG), uma das consultorias mais importantes do mundo, mostram que o Brasil tem 130 mil milionários. É o que mostrará o novo relatório do grupo americano que sairá em setembro. As informações estão na Folha de domingo passado.

Os dados ainda não foram tabulados e as estimativas têm base no crescimento anual médio das fortunas brasileiras nos últimos dois anos. Em 2005, os milionários nacionais detinham US$ 540,5 bilhões.
Para fazer os cálculos, os especialistas entrevistaram 150 gestores de fortunas em 62 países. Na conta só entram os bens disponíveis em aplicações e depósitos bancários no país e no exterior. "Tudo o que circula pelo sistema financeiro é medido", afirma Eric Gregorie, relações-públicas da consultoria.


Para ter idéia do poderio financeiro dos brasileiros, entre 2000 e 2005, período mais recente da pesquisa, o país saltou da 18ª posição para a 14ª no ranking dos países com mais milionários.

 

O setor do agronegócio foi um dos que mais geraram milionários, principalmente no Centro-Oeste.


Segundo a Receita Federal, nessa região o número dos que ganham mais de R$ 1 milhão por ano mais que dobrou entre 2000 e 2003, chegando a 685.

 

---------

 

No núcleo do governo Lula há uma disputa tola para saber quem fez/faz o melhor governo da história republicana brasileira. Os tapetes e as xícaras de cafezinho palacianos informam que o lulismo considera-se em situação bem melhor do que o longo período varguista. Vargas foi o inventor da burguesia brasileira, o inventor da institucionalidade deste País e o grande modernizador do Brasil. São Paulo é o que é graças a Getúlio Dornelles Vargas, embora a Capital não tenha uma rua ou praça com o nome do velho. A burguesia industrial brasileira se criou e prosperou por obra do esforço modernizador de Vargas. Se a elite branca paulistana fosse gentil trocaria o nome de São Paulo para Getulingrado.

 

A disputa tola, repito, do lulismo portanto se justifica somente quanto à segunda (e atual) revolução modernizadora no setor primário brasileiro. De fato, o impulso que o presidente Lula tem dado ao agronegócio é mais relevante do que todo o esforço desenvolvimentista de quase 20 anos do varguismo no poder. Lula é o rei do agribusiness!

 

Como petista, que ainda estou, gostaria de ouvir os próceres e intelectuais do PT sobre o tema.




Escrito por Cristóvão Feil às 10h46
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Situação repugnante

  

 

A saúde pública em Porto Alegre

 

Ratos transitando livremente pelos corredores do Hospital Pronto Socorro de Porto Alegre (HPS), como foi mostrado pela televisão, ilustra e informa sem palavras a situação da saúde pública de responsabilidade da administração José Fogaça (PPS).

 

Um desavisado pode interpretar que não há recursos. Mas os recursos existem, sim. Basta haver capacidade administrativa e projetos bem estruturados para captá-los.

 

O Ministério da Saúde através do SUS deve destinar no corrente ano cerca de 370 milhões de reais para melhorias de hospitais e postos de saúde no Brasil todo. O programa chama-se QualiSUS, que tem alocado para Porto Alegre cerca de 9,3 milhões de reais. Mas, alocado não quer dizer dinheiro líquido e certo. São necessários projetos bem estruturados para que o poder público municipal aporte o recurso para cumprir o seu objetivo social.

 

A prefeitura - administração Fogaça - apresentou projetos que alcançam somente 1,9 milhões. Portanto, 7,4 milhões de reais estão a disposição da Secretaria de Saúde do município, desde que esta se habilite formalmente aos mesmos. O ex-secretário Pedro Gus, pouco antes de se exonerar do cargo, havia dito que "não acessaram os recursos porque os projetos são muito complexos". Que meiguice!    

 

Tem mais: o governo estadual deve ao município em repasses da Saúde, cerca de 30 milhões de reais, e a administração Fogaça não move uma palha para resgatar esses preciosos recursos que são do contribuinte da Capital.

 

Enquanto isso, a precarização dos serviços de saúde em Porto Alegre avança a passos largos. Foram fechados, só este ano, postos de saúde na Vila Esmeralda, na Vila Castelo e na Vila Asa Branca, todos situados em áreas carentes do município.

 

Enquanto isso, o Grupo Hospitalar Conceição - vinculado ao Ministério da Saúde - já foi beneficiado com recursos da ordem de 17 milhões de reais, mediante, obviamente, a apresentação de projetos bem estruturados e um plano responsável de gestão.         

 

Enquanto isso, somente os ratos e demais vetores insalubres são seres privilegiados na administração José Fogaça.

 

Os dados foram fornecidos ao blog DG pelo vereador de Porto Alegre, Guilherme Barbosa (PT).

 

  




Escrito por Cristóvão Feil às 08h24
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Golpe de 64

 

O eterno moralismo político de Lincoln Gordon

 

Deu na Folha de ontem. Entrevista com o ex-embaixador no Brasil na época do golpe militar de 1964, Lincoln Gordon, hoje com lúcidos 93 anos.

 

"Uma vez, estávamos cada um em nosso carro oficial, fomos pegos num congestionamento no Rio e nos avistamos pelas janelas. Goulart desceu, eu também, e fomos andando a pé e conversando a uma cerimônia numa base naval. Enquanto andávamos sozinhos, cruzamos com duas pessoas que iam ao mesmo lugar, um deles funcionário do governo argentino."


"Goulart os saúda, me apresenta e, enquanto nos afastamos deles, diz: "Sabe, tenho dois heróis. Um deles é Juan Perón". Estava falando do homem que fez desmandos por décadas na Argentina, um país que tinha sido muito mais desenvolvido que o Brasil e que no final do século 19 tinha a mesma renda per capita praticamente que a Europa ocidental. E esse era um dos heróis de Goulart, segundo o próprio! Esqueci qual era o outro, mas não era Evita [Risos]."


"Eu pensei: "Esse é um tipo de herói pessoal peculiar para um homem que é presidente de um país supostamente democrático, para ser um tipo de modelo que ele quer se inspirar". Não achei que isso fosse bom para o futuro próximo da democracia no Brasil. Mas eu não acho que Goulart tivesse a coragem de ser um ditador. Acho que, mesmo que fosse bem-sucedido temporariamente em obter poderes ultrapresidenciais, não teria coragem de prosseguir até uma ditadura. Mas Brizola sim."

 

 

É notável o moralismo autoritário desse golpista diplomata norte-americano. Numa breve historinha vivida, ele julga e condena o presidente Goulart. Motivo: admirar Juan Domingo Perón. Não pode. Gordon interdita essa admiração.

 

Praticamente justifica nas entrelinhas que o golpe militar de 64, que contou com a ajuda inestimável da Embaixada norte-americana, do Departamento de Estado e da CIA, foi uma medida conspiratória acertada, haja vista o Brasil ter um presidente com essas idéias políticas absurdas e censuráveis de ter Perón como modelo.

 

Como diz o gaúcho: "cachorro comedor de ovelha, só matando".  Mas não quero a morte do macróbio golpista, ele ainda tem muita explicação para dar ao Brasil, especialmente agora com a ação judicial impetrada pela família Goulart contra o Departamento de Estado dos EUA. 

 

Foto: o embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon (esq.), reunido com o presidente Lyndon Johnson (que sucede Kennedy depois do seu assassinato em Dallas), no Salão Oval da Casa Branca.




Escrito por Cristóvão Feil às 10h29
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Karmo




Escrito por Cristóvão Feil às 10h03
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Breve comentário ao artigo de Miguel Rossetto

 

A bela alma de Miguel

 

O autismo expresso no artigo de Miguel Soldatelli Rossetto (ver aqui) só é comparável ao autismo dos músicos do Titanic. Em ambos os casos, o mundo do pensamento e das representações do sujeito perde completamente a relação com os dados e exigências do mundo da vida circundante.

 

O discurso em si embutido na fala de Miguel está irreparável, assim como estava irreparável o solo do primeiro violino no Titanic. A dinâmica do mundo exterior - no caso - não importa, desde que eu afirme os meus princípios ou toque o meu violino.

 

Não é disso que se trata, nesta hora. Um discurso em si, sem prestar a atenção no cenário que o cerca, é uma coisa inútil, algo mecânico porque esvaziado de pensamento, porque divorciado da realidade.

 

O PT está sendo paulatinamente fossilizado pelo lulismo, ele que já havia sido duramente abalado pelo dirceuzismo mais rebaixadamente pragmático. O PT está resvalando lentamente para a velha ordem dos partidos tradicionais e o senhor Miguel repete e repete mecanicamente um discurso de afirmação de princípios.  Moralmente, é de fato edificante!

 

Porta-se como a bela alma, referida por Karel Kosik.  “A bela alma, tomando consciência dos graves riscos da ação política, prefere retrair-se, refluir para dentro de si mesma, abstendo-se de agir (por temer as conseqüências de seus atos): torna-se conivente, por omissão, com a política ligada à preservação do status quo (e, por extensão, conivente com as injustiças dessa política)”.

 

Para preservar a sua “pureza”, a bela alma consome-se numa chama inútil, desperdiça suas potencialidades e acaba por se anular, através da convivência passiva com as contradições. E estas - as contradições - são comodamente naturalizadas.

 

Acabam sendo encaradas como as más intempéries - desconfortáveis mas inevitáveis. 


 



Escrito por Cristóvão Feil às 08h44
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