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Lulismo cordial

O problema Globo e a solução Jango
Deu no Conversa Afiada.
O professor Marco Aurélio Garcia foi ao programa “Canal Livre”, da TV Bandeirantes, na noite deste domingo, dia 29, e esquivou-se de responsabilizar a Globo pela campanha para derrubar o Governo a que serve.
Por duas vezes – em perguntas de Antonio Telles e Fernando Mitre – Garcia teve a oportunidade de dizer “sim, refiro-me à Globo”.
E não disse.
Garcia dizia que órgãos de imprensa tentavam substituir e conduzir os partidos de oposição na tarefa de combater o Presidente Lula.
Telles perguntou diretamente: “é a Globo” ?
Garcia não respondeu.
Garcia foi ao programa para se explicar sobre o inexplicável, aquele gesto inaceitável do “top-top”.
A Globo fez muito bem em filmá-lo e em divulgar o que filmou.
É para isso que existe a imprensa.
E as autoridades que se comportem com um mínimo de compostura.
Isso é uma coisa.
Outra coisa é a campanha feroz que a Globo desfecha e desfechará para derrubar o Presidente Lula.
E diante da possibilidade de denunciar esse abuso de uma concessão pública, o professor Garcia se calou.
O Governo Lula tem medo da Globo.
......
Só não concordo que o gesto do “top-top” seja inaceitável. Privadamente, como foi, é aceitável, sim. Foi um soluço de politização de alguém do Planalto, face a histeria da mídia corporativa. Deveria ter tido desdobramentos menos chulos, mas o professor Garcia preferiu fugir do tema, como observa Paulo Henrique Amorim.
De uma coisa estejamos certos, o presidente Lula, a ministra Dilma, o professor Garcia e outros menos votados do lulismo planaltino não farão jamais esse enfrentamento com o baronato midiático e a direita. A se repetir o dilema do tipo Jango-Brizola, quando da imposição golpista do parlamentarismo em 1961, o governo Lula optará sempre (mil vezes) pela solução Jango – o escapismo, a negaça e a solução conciliatória, cordialmente conciliatória.
A fotografia é ilustrativa, Brizola está indignado, Jango tímido, quase envergonhado, por ter aceito a proposta indecente de Tancredo Neves. Era 1961, e o golpe já ensaiava suas primeiras falas e gestos.
Escrito por Cristóvão Feil às 12h58
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Passageiros solidários

Antonioni também parte
O grande diretor de cinema, o italiano Michelangelo Antonioni (1912-2007) morreu na noite de ontem, na sua casa em Roma. Ele tinha 95 anos e será sepultado em Ferrara. Ele morre no mesmo dia da morte de outro grande diretor do cinema, Ingmar Bergman. Ambos são passageiros do mesmo expresso noturno e sem volta. A informação é do portal do diário romano La Repubblica.
Conforme a Wikipédia.
O diretor Ingmar Bergman uma vez disse que admirava alguns dos filmes do Antonioni por serem desinteressados e algumas vezes visionários. Os seus filmes tendem a ter muito poucos planos e diálogos, e muito do tempo é gasto em longas e lentas sequências, como uma sequência contínua de dez minutos em The Passenger (Profissão Repórter com Jack Nicholson e Maria Schneider), ou muitas cenas em La notte (A Noite com Marcello Mastroiani) que mostram uma mulher simplesmente vagando silenciosamente pela cidade a observar outras pessoas. Apesar dos seus filmes serem repletos de beleza visual, e de terem uma captação perfeita da alienação dos personagens, o estilo com pouco movimento, e de ritmo lento, entedia certas pessoas.
No filme Zabrieskie Point (1970), o marxista Antonioni fez uma crítica à sociedade norte-americana e flertou com o movimento hippie embalado por músicas do Pink Floyd, Grateful Dead e Rolling Stones. Um bom filme.
Para mim, no entanto, o melhor filme de Michelangelo Antonioni foi Profissão: Repórter (The Passenger, de 1975), que começa em algum lugar quente da África, num pequeno hotel cheio de areia, onde um jornalista morre, e o personagem vivido por Jack Nicholson rouba a identidade do morto e foge de tudo, indo para a Espanha, onde conhece a sensual Maria Schneider (na foto, com Jack Nicholson), a mesma de O último tango em Paris, de Bernardo Bertolucci. Um ótimo filme.
Escrito por Cristóvão Feil às 09h56
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Cabeças! Cabeças!

O oportunismo de Luciana Genro não tem limites
O papel a que está se submetendo a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) nesta fase pós-tragédia de Congonhas é muito ruim. A deputada do PSOL comparece a programas de debates, dá declarações categóricas e autorizadas ao baronato midiático com um desempenho lamentável. Mal desconfia que a sua presença é solicitada tão-somente para emprestar uma pluralidade falsa a programas pseudo-jornalísticos que só visam politizar e ideologizar a crise aérea e a tragédia de Congonhas. Mal compreende, a deputada, que está servindo de instrumento útil aos propósitos da direita e de uma sonhada nova edição da privataria que enfraquece o Estado e enriquece alguns poucos.
Luciana Genro arromba portas abertas, diz as maiores obviedades, as platitudes mais evidentes em nome de uma indignação postiça e eleitoreira. Já se vê que para essa parlamentar pequeno-burguesa radicalizada na palavra e no gesto calculado não há limites. Ela conseguiu superar o indizível deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS), considerado imbatível com suas inflexões de choro e piedade no local exato da tragédia, horas depois da ocorrência.
Se ela quisesse mesmo ajudar que fosse estudar e propor uma legislação moderna e eficiente para a ANAC. Desde que essa agência de regulação foi criada, em março de 2006, carece de leis que amparem sua ação normativa e fiscalizatória. Dia desses, o presidente da ANAC, Milton Zuanazzi, cobrado por imprimir mais rigor nas sanções às empresas operadoras, dizia que a multa máxima era de dois mil reais, e que a instituição não poderia arbitrar valores maiores sob pena de ser condenada futuramente na Justiça por prática abusiva.
Mas Luciana, como uma Salomé globalizada, quer a cabeça gotejando sangue do primeiro João Baptista que ela mirar. Como se vê, certa pseudo-esquerda ainda opera na política com os velhos mitos bíblicos para angariar prestígio social e muitos votos na próxima feira eleitoral.
Escrito por Cristóvão Feil às 08h09
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Xeque-mate
Ingmar Bergman perde no xadrez da vida
O diretor sueco Ingmar Bergman morreu. O anúncio foi feito hoje pela sua filha, Eva, segundo o portal do jornal italiano La Repubblica. Aos 89 anos, morreu na ilha sueca de Faaro, no mar Báltico. Entre seus filmes estão, Fanny e Alexander, O Sétimo Selo (acima, fotograma do filme onde um personagem joga xadrez com a morte) e Gritos e Sussurros, Morangos Silvestres e muitos outros.
Escrito por Cristóvão Feil às 11h23
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Crise aérea

Gritaria histérica da mídia está sendo produtiva
A gritaria histérica do baronato midiático não é estéril. Porta-voz dos interesses privatistas e anti-republicanos, aos poucos a histeria vai resultando em pequenos/grandes avanços produtivos no interior do governo Lula.
Avançou com o novo ministro Nelson Jobim. Deve avançar mais com a conquista da Infraero, através de Rossano Maranhão, ex-diretor do Banco do Brasil, e atualmente alto executivo do Banco Safra. O padrinho de Rossano é o neolulista Jorge Gerdau Johannpeter, que o indicou a Jobim.
Aos poucos o governo Lula está sendo minado pelos interesses mais abjetamente particularistas, encobertos por uma fina espuma de interesse público dos portadores da máscara do neolulismo – como Jobim e Gerdau.
O próximo alvo dos mascarados é a diretoria da Anac, que - se fraquejar - acabará carregando a responsabilidade solitária pela crise aérea e – pior - pela morte trágica de duzentas pessoas.
Escrito por Cristóvão Feil às 10h30
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Debate previdenciário

Pobreza de idoso explodiria sem Previdência
Comparado com Argentina, México, Peru, Costa Rica e Bolívia, o Brasil é o país com maior cobertura previdenciária na população com mais de 65 anos de idade e onde os benefícios são mais representativos na renda total dos idosos. As informações estão na Folha, de hoje.
Sem esses ganhos, a taxa de pobreza urbana nessa faixa etária saltaria dos atuais 3,7% - o menor percentual entre os comparados - para 47,2%, o que a colocaria como a pior. Isso teria impactos também na taxa de pobreza (com base na linha de US$ 2 diários) de toda a população urbana, que passaria de 14,8% para 24,9%.
Essas são conclusões do mais recente estudo das pesquisadoras Ana Amélia Camarano e Maria Tereza Pasinato, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O trabalho indica que mudanças bruscas na Previdência podem aumentar significativamente a taxa de pobreza entre os idosos.
Escrito por Cristóvão Feil às 09h52
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Sem recordes mundiais
Pan pobre
Em artigo publicado ontem na Folha, o jornalista Juca Kfouri lembra de dois fatos relevantes para quem se ufana do Brasil no Pan 2007.
Cuba, quando sediou o Pan em 1991, conquistou 140 medalhas de ouro, superando os próprios Estados Unidos – sempre imbatíveis. Neste Pan, Cuba conquistou 59 medalhas de ouro, contra 54 do Brasil, o País da cidade-sede.
O Pan-2007 acabou e nenhum recorde mundial foi quebrado, em nenhuma modalidade esportiva. “Desde 1987, aliás, em Indianápolis, que os Jogos Pan-Americanos não vêem cair uma marca significativa internacionalmente”, argumenta o sempre crítico, Juca Kfouri.
Escrito por Cristóvão Feil às 09h14
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Grande Angeli!

Escrito por Cristóvão Feil às 08h21
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Rolo tucano de longo prazo

Os riscos de capitalização do Banrisul
Deu na coluna de Denise Nunes, Correio do Povo, de hoje.
Feita sob a justificativa de fortalecer o banco, a capitalização do Banrisul poderá significar o contrário no longo prazo. Ao negociar ações em Bolsa, o banco terá que caprichar nos resultados para oferecer rentabilidade aos investidores, o que é pouco compatível com o perfil de “instrumento de desenvolvimento do Estado”, sempre ressaltado pelo governo. É que desenvolvimento não combina com créditos de curto prazo e juros de mercado, fórmula dos bancos comerciais. Mesmo como banco comercial pode haver problemas, já que o Banrisul concentra operações no Estado, cerca de 93% do total.
A dificuldade em competir com as grandes instituições pode ser medida pela perda das folhas salariais dos municípios nos cada vez mais freqüentes leilões promovidos pelas prefeituras. Essa análise é feita pelo secretário-geral do SindBancários, Fábio Alves, ao explicar por que considera a operação de capitalização arriscada. Ele ressalta um terceiro motivo: onde o banco aplicará os novos recursos se ele já responde por bem mais de 25% do total de crédito em algumas regiões?
Segundo Fábio Alves, no longo prazo, a transferência das folhas salariais não impactará só o Banrisul, mas os próprios municípios. “Os recursos captados pelo Banrisul são aplicados no Estado, retornam como crédito. Já os grandes bancos, que estão vencendo os leilões, direcionam recursos às matrizes”, afirma.
O secretário-geral do SindBancários atribui a freqüência dos leilões a uma questão de prazo, já que a conta cativa acabará em 2011. Por enquanto, as prefeituras têm obtido um ágio médio de R$ 2 mil por conta-servidor. “A partir do ano que vem, em função do menor prazo de retorno, o ágio cairá”, diz o dirigente sindical.
Escrito por Cristóvão Feil às 07h50
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Angeli

Escrito por Cristóvão Feil às 19h14
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Poema uruguaio
Lento mas vem
Lento mas vem o futuro se aproxima devagar mas vem
hoje está mais além das nuvens que escolhe e mais além do trovão e da terra firme
demorando-se vem qual flor desconfiada que vigia ao sol sem perguntar-lhe nada
iluminando vem as últimas janelas
lento mas vem o futuro se aproxima devagar mas vem
já se vai aproximando nunca tem pressa vem com projetos e sacos de sementes
com anjos maltratados e fiéis andorinhas
devagar mas vem sem fazer muito ruído cuidando sobretudo os sonhos proibidos
as recordações dormidas e as recém-nascidas
lento mas vem o futuro se aproxima devagar mas vem
já quase está chegando com sua melhor notícia com punhos com olheiras com noites e com dias
com uma estrela pobre sem nome ainda
lento mas vem o futuro real o mesmo que inventamos nos mesmos e o acaso
cada vez mais nós mesmos e menos o acaso
lento mas vem o futuro se aproxima devagar mas vem
lento mas vem lento mas vem lento mas vem
Mario Benedetti, grande escritor e poeta uruguaio.
Escrito por Cristóvão Feil às 14h55
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Crise aérea

Com Jobim, governo dá guinada à direita e à privataria
É impossível esquecer. Nelson Jobim (foto) foi ministro da Justiça do professor Cardoso. O Ruy Barbosa em compota é o personagem que deu garantias jurídico-formais à privataria do Farol de Alexandria. É fato histórico que os futuros compêndios escolares sérios assinalarão com pesar.
Não seria Waldir Pires, velho nacionalista, que aceitaria implementar a abertura de capital da Infraero. O governo já encomendou estudos ao ministério da Fazenda (do Guido, como diz o cordial presidente Lula), no sentido de mudar a governança da estatal que trata dos aeroportos brasileiros. Isso significa abertura de capital aos investidores privados, preâmbulo de um processo de privatização dos principais aeroportos do País – cada vez mais templos de consumo, réplicas verdadeiras dos onipresentes shoppings centers.
O brigadeiro José Carlos Pereira, atual presidente da Infraero, é contra a medida, por isso deve cair com o advento do neolulista Jobim. Na avaliação do brigadeiro, o País precisa primeiro enfrentar a crise aérea e criar um ambiente regulatório mais claro, para depois atrair os investidores.
Os estudos encomendados “a Guido” só estarão concluídos no final deste ano. Portanto, as modificações na Infraero ficarão para o início de 2008. Enquanto isso, o governo irá melhorar o marco jurídico que sustenta a agência de regulação da aviação civil. Tarefa de fato, necessária, uma vez que a ANAC, embora tendo sido criada em março de 2006, ainda hoje não está amparada por uma legislação que lhe dê plena autoridade legal frente a um mercado voraz e em crescimento exponencial.
Este blog reafirma, o chamado caos aéreo é a manifestação de uma crise de crescimento do setor, intensificada pela virtualidade dos 20 bilhões do PAC, a vacilação do governo na desmilitarização do setor, a quebra da Varig e o rearranjo verticalizado das operadoras. Sua gestão exige mais Estado e mais República. O governo Lula, entretanto, está cedendo aos apetites selvagens do mercado.
Se teve coragem de enfrentar a criação da ANAC, sempre evitada pelo governo anterior, do qual Jobim foi ministro, face às resistências militares, agora o governo Lula recua e biparte o setor – parcela fica com os brigadeiros da Aeronáutica, parcela fica com o formalista Jobim, que deve encaminhar soluções visando a atender os investidores e seus negócios.
Enquanto isso, o governo Lula oscila como pêndulo de relógio antigo.
P.S. Este suelto foi redigido ontem à noite, embora esteja sendo postado agora, desde o Uruguai. A informação da queda do brigadeiro Pereira está hoje nos jornais. Era inevitável.
Escrito por Cristóvão Feil às 10h30
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A fala do ex-metalúrgico

Lula é de fato o grande intérprete do brasileiro cordial
Ontem, depois de muito tempo tive oportunidade de escutar a fala do presidente Lula. Na cerimônia de troca de titular no ministério da Defesa. Sai Waldir Pires, velho guerreiro altivo, entra Nelson Jobim, representante da histórica elite dos burocratas do formalismo jurídico, melhor dizendo, um Ruy Barbosa em compota. Mas não é disso que eu quero falar.
Assisti grande parte do discurso presidencial. Lula está cada vez mais parecendo o tipo ideal brasileiro, referido genialmente por Sérgio Buarque. Eis aí um motivo forte, determinante, suponho eu, para a sua popularidade inatacável, mesmo frente a todas as vicissitudes pelo qual o seu governo tem passado.
Para Lula a política não está nas relações objetivas. A esfera política é um roçar cordial de subjetividades que se objetivam depois em desdobramentos econômicos, sociais, etc. Ele diz: o Guido e o Bernardo vão ter que arrumar recursos pra você Nelson, o Waldir conheceu e sabe, o Palloci, que eu vejo aqui, tratou... e por aí vai.
A complexidade das relações sociais expressas na política de interesses econômicos e de classes, tudo isso, fica dissolvido na fulanização dos agentes sub-objetivados e convertidos à esfera da cordialidade – objetivamente cordiais. Este é o universo lulista, a fala da conciliação no mundo da cordialidade.
Grande parte da ira do baronato midiático brasuca reside na verificação de que o presidente Lula, em sendo um brasileiro cordial tout court, está usando isso como chave para entrar no patamar da mesma popularidade desfrutada por Getúlio Vargas. Por bem menos, a revolução paulista de 1932 eclodiu como insurreição armada da nascente elite branca e urbano-industrial. Mas ainda não se inscrevia na modalidade "golpe".
Ontem, quando Lula acarinhava, tanto Waldir Pires quanto Nelson Jobim, com palavras entre o piegas e o afetivo, eu lembrava de uma sentença definitiva do Otto Lara Rezende, também na linha de Sérgio Buarque:
“A política às vezes é um namoro de homens.”
Escrito por Cristóvão Feil às 08h55
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Íntegra da Carta
Íntegra da Carta da Consulta Popular divulgada pela 3a Assembléia Nacional
Realizamos em Belo Horizonte – MG, de 17 a 21 de julho de 2007, a 3a Assembléia Nacional do Movimento Consulta Popular, onde reunimos mais de 200 delegados que atuam em diferentes frentes de lutas de todo o país.
Analisamos a natureza do desenvolvimento do capitalismo e da luta de classes nacional e internacional, onde a hegemonia do capital financeiro nos coloca diante de diversos desafios. Diante disso, assumimos o compromisso de colocar todas as nossas energias para seguir organizando a classe trabalhadora, em defesa dos seus direitos e pela transformação social e política do país.
Com estes objetivos estabelecemos as seguintes tarefas a serem cumpridas pela nossa militância:
1 – Organizar e mobilizar as forças sociais para lutarem contra o capital, que domina a nossa economia e gera pobreza, ameaçando os direitos sociais e previdenciários da classe trabalhadora;
2 – Lutar para impedir a implantação dos projetos econômicos que devastam o meio ambiente, privatizam as águas e se apropriam das terras brasileiras;
3 – Defender a soberania alimentar, energética e política do nosso país;
4 – Impulsionar as lutas por melhores condições de vida no campo e na cidade, garantindo o acesso a terra, moradia, educação, saúde, distribuição de renda e a ampliação dos direitos previdenciários;
5 – Insurgir-se contra a monocultura, os plantios de cultivos transgênicos, a utilização de insumos agrícolas químicos, a apropriação e destruição da biodiversidade;
6 – Lutar contra todas as formas de discriminação, violência policial e criminalização dos pobres e dos movimentos sociais;
7 – Enfrentar e combater todas as formas de ingerência imperialista em qualquer parte do mundo. [...]
Continua abaixo
Escrito por Cristóvão Feil às 15h40
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Íntegra da Carta - parte 2
[...]
Para garantirmos que estas tarefas se realizem, precisamos fortalecer a nossa organização da Consulta Popular nos empenhando cada vez mais:
1 – No estudo, no conhecimento e na compreensão da realidade brasileira;
2 – Empenhar-se para elevar a consciência e auto-estima do povo brasileiro;
3 – Estimular todas as formas de lutas sociais;
4 – Formar um número cada vez maior de militantes, preparados para as tarefas das lutas sociais;
5 – Participar e contribuir na construção da Assembléia Popular em nossos Estados e no maior número de municípios;
6 – Priorizar o trabalho da organização da juventude em especial nos grandes centros urbanos;
7 – Seguir construindo meios de comunicação da própria classe trabalhadora com instrumentos de formação política, valorização e resgate da cultura popular;
8 – Intensificar a disputa de idéias na sociedade através do debate do Projeto Popular para o Brasil;
9 – Contribuir com a unidade entre todas as forças organizadas da classe trabalhadora;
10 – Praticar a solidariedade permanente com todos os povos em luta no mundo, em especial com o povo da Palestina, Iraque, Haiti, Cuba e Venezuela.
O conjunto de decisões políticas e organizativas nos colocam em um novo momento de nosso processo de construção.
Reafirmamos hoje o compromisso, expresso nas cartas da 1a e 2a Assembléia Nacional: “Construiremos uma organização de novo tipo, dirigida para a luta, e cujas marcas são a unidade, a disciplina militante e a fidelidade ao povo. Uma organização que pratica os valores da solidariedade, da gratuidade, da honestidade e do trabalho coletivo. Isso é condição para que possamos enfrentar a crise, de dimensão histórica, que vive o Brasil. Uma crise cuja superação exigirá lutas e sacrifícios, que serão recompensados pela construção de uma pátria livre, justa e solidária”.
Somos a Consulta Popular. Pátria Livre, Venceremos!
Belo Horizonte, 21 de julho de 2007
Escrito por Cristóvão Feil às 15h40
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Fradim tem razão...
Esta informação você não verá em nenhuma mídia corporativa brasuca
Ontem, na entrevista coletiva dada pelo presidente da Anac e o presidente da Infraero, a grande revelação foi a informação do brigadeiro Jorge Kersul, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos.
A revelação do brigadeiro não foi destacada, e sequer editada, por nenhum órgão do baronato midiático brasuca. Mas está no diário Clarín de Buenos Aires, hoje.
Kersul admitiu ontem que o avião da TAM tocou a pista de Congonhas no lugar correto e o fez em velocidade normal, mas “só não conseguiu freiar, já que estava com a turbina direita desativada por defeito, somado à falha no sistema reversor”.
Leia mais aqui no Clarín.

... e continua tendo razão!
Escrito por Cristóvão Feil às 11h50
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Aos anunciantes, tudo!

O PAN como espetáculo
A cobertura dos Jogos Pan-Americanos feita pelas televisões é espetacularizada. A avaliação é do jornalista esportivo Juca Kfouri (foto), que trabalha em jornais e rádios no centro do País. Juca, que é conhecido por suas reportagens investigativas, afirma que as coberturas jornalísticas do Pan têm sido feitas em rádio e jornal. A televisão, que atinge a maior parte da população, deixa de ter um olhar crítico até mesmo sobre os esportes. A informação é da Agência de Notícias Chasque, de hoje.
Em entrevista à Radio COM, de Pelotas, o jornalista denuncia que as emissoras se deixam levar pelos bons patrocínios e comerciais que faturam durante as transmissões do Pan, em detrimento de uma cobertura mais profissional. Por isso, cita Juca, que a televisão não abordou temas polêmicos, como o custo dos jogos, que passou a projeção inicial dos R$ 700 milhões e chegou a R$ 3 bilhões de reais. Mais da metade, pago pelo governo federal.
"A grande mídia, que atinge a maior parte da população, que é a TV aberta, esta tem tido um comportamento lastimável. Não deu um minuto sequer de crítica. É a velha confusão entre 'ser dona dos direitos de transmissão do evento" e confundir isso com 'ser sócio dos donos do evento, e sócio não critica", diz.
Um dos exemplos dessa atitude tomada pelas tevês foi a cobertura da ação da Polícia Militar no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, poucos dias antes de os jogos iniciarem. A morte de mais de 44 pessoas, a maioria sem ter ligação com o tráfico de drogas, foi abordada pelas emissoras como sendo algo ruim, mas necessário para o bem de toda a sociedade brasileira. Para Juca, a ação policial foi mais uma forma de intimidação à periferia antes dos Jogos Pan-Americanos.
"É difícil não ver relação. Há poucos dias do Pan, como se fosse uma tentativa de limpeza étnica no Rio de Janeiro. É claro que a população do Rio, que vive com medo, agradece. É natural ver a polícia subindo morro para buscar traficante. É difícil a gente separar a ação, da tentativa de tornar a cidade um pouco mais de segurança, quando isso deveria ser uma política de segurança pública e não somente para um evento de 15 dias", afirma.
Juca também aponta a falta de crítica da televisão sobre o próprio significado do Pan. O jornalista afirma que as competições travadas são importantes, mas não são o principal evento esportivo do mundo, como as transmissões deixam a entender. Motivo alegado pela ginasta Daiane dos Santos, que por estar lesionada, priorizou as provas pré-mundiais em relação ao Pan. Desde 1979 não são batidos recordes mundiais em Jogos Pan-Americanos.
"Como a gente sabe que a maior parte da população se informa, infelizmente, por meio da TV aberta, essa população está desinformada. Essas TV's estão tentando ganhar a opinião pública para uma festa cujo preço a população não tem idéia. E vendendo também uma competição, como se fosse a segunda coisa mais importante do esporte mundial, quando se sabe que os Jogos Pan-Americanos são, do ponto de vista esportivo, de pequena categoria", afirma.
Até o momento, o Brasil ocupa 3º lugar no ranking de medalhas, atrás dos EUA e de Cuba.
Escrito por Cristóvão Feil às 10h34
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Esquerda pós-PT

Stédile integra a nova coordenação do Movimento Consulta Popular
Ao final da 3º Assembléia da Consulta Popular (ver post anterior), João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integrante da nova Coordenação da Consulta, assinalou que o programa imediato de lutas da Consulta Popular ainda se encontra em um estágio de lutas anti-neoliberal. Segundo João Pedro, o programa mínimo da Consulta deve fazer a “ponte” entre as necessidades objetivas e o futuro. Para ele é necessário ir acumulando forças e ir elevando o nível de consciência do povo. A tarefa principal segundo João Pedro Stédile é a de “organizar o povo brasileiro”.
Em forma de síntese, ele apresentou os dez grandes problemas nacionais a serem enfrentados.
1º - A sociedade brasileira está submetida ao controle do capital – financeiro e produtivo - estrangeiro. A burguesia nacional abandonou a proposta de um projeto nacional e associou-se ao capital internacional;
2º - Assistimos a uma crescente concentração de riqueza e renda no Brasil. Os 130 mil milionários brasileiros têm uma renda equivalente a metade do PIB brasileiro;
3º - A concentração da terra;
4º - A economia nacional, a política e o conjunto da sociedade é hegemonizada pelos interesses do capital financeiro;
5º - As últimas mudanças do capitalismo mundial provocaram uma profunda reestruturação no mundo do trabalho elevando o desemprego a categoria de estrutural;
6º - Há um déficit de moradia no país de 11 milhões de moradia o que leva milhares de brasileiros a não ter um lugar digno para morar;
7º - O Estado brasileiro é burguês, autocrático e opressor;
8º - A educação brasileira não é republicana, é elitista e direcionada para que tem dinheiro para pagá-la;
9º - Os meios de comunicação social estão concentrados nas mãos de 6 a 7 grupos, e esses grupos agem como “partidos políticos” e se constituem em formadores e reprodutores da opinião da burguesia brasileira;
10º - A cultura nacional é dominada pelo capital, tudo se transformou em mercadoria.
Escrito por Cristóvão Feil às 12h59
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Debate pós-PT na esquerda
Consulta Popular se define como uma organização política
Dedicada ao militante Apolônio de Carvalho (foto), o Movimento Consulta Popular realizou em Belo Horizonte dos dias 17 a 21 de julho, a sua 3º Assembléia Nacional. Reunindo aproximadamente 250 militantes de todo o Brasil, a Assembléia celebrou os dez anos do Movimento Consulta Popular.
O Movimento Consulta Popular, também conhecido como ‘Projeto Popular para o Brasil’, nasceu em uma reunião plenária realizada em dezembro de 1997, em Itaici (SP), onde estiveram presentes aproximadamente 400 militantes de movimentos sociais da cidade e do campo de todo o Brasil. Em sua origem, puxado pelo MST, a Consulta Popular aglutinou militantes de movimentos sociais críticos a crescente institucionalização e despolitização da esquerda brasileira.
Na sua origem, a preocupação maior da Consulta foi o da necessidade de se retomar o debate de um projeto para o Brasil. A Consulta “inspira-se” de certa forma na 2ª Semana Social Brasileira realizada em 1994 a partir do tema ‘Brasil. Alternativas e Protagonistas’, que também ficou conhecida como ‘O Brasil que queremos’.
Foi do conjunto desses debates da Consulta que surge o livro A Opção Brasileira sintetizando as principais idéias para um projeto para o Brasil. Num segundo momento é publicado uma série de documentos denominados “Um Projeto Popular para o Brasil”. O surgimento em todo o Brasil de uma série de ‘Escolas de Formação Política’ é também resultante da articulação da Consulta Popular, assim como o jornal Brasil de Fato. Mais recentemente a Consulta Popular articulado às pastorais sociais impulsionou em todo o país a Assembléia Popular.
Na 3º Assembléia do Movimento Consulta Popular, tomou-se a decisão que essa articulação irá se constituir como uma organização política. Assumirá a estrutura semelhante a de um partido político com organicidade nacional. Dentre as principais tarefas definidas na Assembléia está a construção de núcleos de base da Consulta Popular.
Ideologicamente a Consulta Popular se define como uma organização de caráter anti-capitalista fundada nos valores socialistas. Durante a 3º Assembléia o debate girou em torno do programa estratégico da Consulta. Fizeram parte da pauta e dos debates temas como Poder e Estado, Sujeito Político, Instrumento Político, Princípios e Valores de uma Prática Revolucionária, Desafios Orgânicos, Programa Mínimo e Calendário de Lutas.
A 3º Assembléia da Consulta elegeu uma Coordenação Nacional responsável pelo encaminhamento das tarefas definidas nos cinco dias de debates.
Escrito por Cristóvão Feil às 12h37
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TOP! TOP! TOP!

TAM é a pior do mundo
O título deste suelto é o título do artigo da repórter Elizabeth Spiers, no Washington Post. Está lá, com todas as letras, TAM Linhas Aereas is the worst airline in the world.
Está caindo de maduro. O governo Lula deve impor fortemente o Estado para coibir a farra das empresas de aviação civil. Os 10 bilhões de dólares que serão destinados ao PAC aéreo precisam ser elemento de negociação de contrapartidas por parte do setor beneficiado, inclusive estimulando pequenas empresas regionais a compartilharem o bilionário negócio da aviação civil de cargas e passageiros.
Antes era praticamente só a Varig, agora são TAM e Gol, somente. Esse business é muito vasto para abrigar apenas poucos e privilegiados players.
Voltamos a insistir, o CONAC deve ter o seu papel público revisto e ampliado. O Conselho deve ser participativo e republicano, um instrumento de democratização e profissionalização do setor aéreo – sem privilégios de espécie alguma.
Escrito por Cristóvão Feil às 10h56
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Inacreditável!

O gênio petista de Canoas
Ontem chego na frente da tevê e alguém está de dedo em riste. Atrás deste pequeno dedo ereto e ameaçador, estava o deputado Marco Maia (PT-RS). Deu tempo ainda de escutar que “este não é um conceito absoluto”.
A la putcha!
Perguntei a quem estava assistindo o que se passava. O deputado Maia foi à Washington, capital dos Estados Unidos da América, verificar a abertura das caixas-pretas do fatídico avião da TAM que explodiu em Congonhas.
O tal do “conceito absoluto” era uma réplica a um companheiro seu de viagem que foi junto, um parlamentar do DEM – ambos pressurosos e habilitados pelas próprias consciências – inspecionar se os técnicos norte-americanos estavam trabalhando com correção e profissionalismo.
Portanto, os dois parlamentares brasileiros - Tico e Teco – foram à Washington para discutirem na frente das câmeras da tevê Globo, sobre o que é relativo e o que é absoluto em se tratando de conhecimentos aviônicos e aeronáuticos – dos quais certamente ambos são experts no grau de pós-doutorado.
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O PT/RS fez uma reunião bastante produtiva neste último fim de semana em Porto Alegre. Tirou resoluções importantes e politizadas sobre a crise do Partido, encaminhando soluções para o 3º Congresso. Pois bem. Todo esse esforço sincero e qualificado fica comprometido pelos trinta segundos ocupados com as tolices do deputado Maia em Washington. Alguém vai dizer que são coisas distintas. Sim, de fato. Mas vá convencer o senso comum, que se orienta pelo que assiste na tevê! Vá!
No imaginário do jovem que trabalha de dia e estuda à noite não existem gavetas com etiquetas: “deputado Maia”, “3º Congresso do PT”, “Nova hegemonia no PT”, etc. As 48 horas de qualificada reunião partidária não valem os trinta segundos desqualificados do nosso gênio canoense.
Escrito por Cristóvão Feil às 09h14
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Beleza roubada

A apropriação privada do cenário urbano
Vejo na tevê o comercial de um desses ataúdes motorizados da Fiat. Muito bonito, o comercial. O ataúde disfarçado com uma cor vibrante corre pelas ruas de Porto Alegre. As imagens da cidade estão particularmente belas. São closes rápidos que emprestam classe ao filme. A fotografia está perfeita.
Fico imaginando. A Fiat veio aqui na província e se apropriou da cidade. Vende o ataúde com a cidade, a cidade com o ataúde. Certamente a municipalidade, hoje governada pelo inapetente Fogaça, não ganhou lhufas com esse comercial. Porto Alegre é cenário de um comercial milionário e a cidade não ganha lhufas, necas.
Está errado.
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