Diário Gauche


Mudamos daqui 

 

A partir de hoje o blog Diário Gauche combaterá no seguinte endereço:

 

http://www.diariogauche.blogspot.com

 

Aqui, ficará apenas o arquivo acumulado até ontem.


 



Escrito por Cristóvão Feil às 07h18
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Mini-conto

 

Continuidade dos Parques

 

Havia começado a ler o romance uns dias antes. Abandonou-o por negócios urgentes, voltou a abri-lo quando regressava de trem à chácara; deixava interessar-se lentamente pela trama, pelo desenho dos personagens. Essa tarde, depois de escrever uma carta ao caseiro e discutir com o mordomo uma questão de uns arrendamentos, voltou ao livro com a tranqüilidade do gabinete que dava para o parque dos carvalhos. Esticado na poltrona favorita, de costas para a porta que o teria incomodado com uma irritante possibilidade de intrusões, deixou que sua mão esquerda acariciasse uma e outra vez o veludo verde, e começou a ler os últimos capítulos. Sua memória retinha sem esforço os nomes e as imagens dos protagonistas; a ilusão romanesca ganhou-o quase imediatamente. Gozava do prazer quase perverso de ir descolando-se linha a linha daquilo que o rodeava, e de sentir ao mesmo tempo que sua cabeça descansava comodamente no veludo do alto encosto, que os cigarros continuavam ao alcance da mão, que mais além das janelas dançava o ar do entardecer sob os carvalhos. Palavra a palavra, absorvido pela sórdida disjuntiva dos heróis, deixando-se ir até as imagens que se combinavam e adquiriam cor e movimento, foi testemunha do último encontro na cabana da colina.

 

Antes entrava a mulher, receosa; agora chegava o amante, com a cara machucada pela chicotada de um galho. Admiravelmente ela fazia estalar o sangue com seus beijos, mas ele recusava as carícias, não tinha vindo para repetir as cerimônias de uma paixão secreta, protegida por um mundo de folhas secas e caminhos furtivos. O punhal se amornava contra seu peito e por baixo gritava a liberdade refugiada. Um diálogo desejante corria pelas páginas como riacho de serpentes e sentia-se que tudo estava decidido desde sempre. Até essas carícias que enredavam o corpo do amante como que querendo retê-lo e dissuadi-lo desenhavam abominavelmente a figura de outro corpo que era necessário destruir. Nada havia sido esquecido: álibis, acasos, possíveis erros. A partir dessa hora cada instante tinha seu emprego minuciosamente atribuído. O duplo repasse, sem dó nem piedade, interrompia-se apenas para que uma mão acariciasse uma bochecha. Começava a anoitecer.

 

Já sem se olharem, atados rigidamente à tarefa que os esperava, separaram-se na porta da cabana. Ela devia continuar pelo caminho que ia ao norte. Do caminho oposto, ele virou um instante para vê-la correr com o cabelo solto. Correu, por sua vez, apoiando-se nas árvores e nas cercas, até distinguir na bruma do crepúsculo a alameda que levava à casa. Os cachorros não deviam latir e não latiram. O mordomo não estaria a essa hora, e não estava. Subiu os três degraus da varanda e entrou. Do sangue galopando nos seus ouvidos chegavam-lhe as palavras da mulher: primeiro uma sala azul, depois um longo corredor, uma escada acarpetada. No alto, duas portas. Ninguém no primeiro quarto, ninguém no segundo. A porta do salão, e depois o punhal na mão, a luz das janelas, o alto encosto de uma poltrona de veludo verde, a cabeça do homem na poltrona lendo um romance.

 

Julio Florencio Cortázar 




Escrito por Cristóvão Feil às 10h08
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Karmo




Escrito por Cristóvão Feil às 08h57
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Unhas que crescem

 

Jobim, “um erro político”

Deu no Blog do Mino.


CartaCapital, na edição que está nas bancas de hoje em São Paulo, diz considerar a nomeação de Nelson Jobim para o ministério da Defesa “um erro político”.

 

Por que? Mais de uma razão. Primeira. Tirar do ministério uma figura digna e coerente como Waldir Pires, cassado pelo golpe de 1964, e de difícil digestão para os militares até hoje, representa mais um recuo do governo. Segunda. Não escapará a quem tem achego ao uso da razão que Pires passa a ser o bode expiatório, em beneficio dos reacionários do Brasil, perfeitamente representados e doutrinados pela mídia nativa. A qual perdeu as eleições de 2002 a 2006 juntamente com os candidatos tucanos, a demonstrar que não mais atinge a larga maioria dos brasileiros. Lula ainda não se deu conta disso, ao que tudo indica, e vai de recuo em recuo. Terceira. Jobim não tem a coerência de Pires e serve apenas para deslustrar a primeira imagem do governo Lula.

 

Mais tucano que peemedebista, e, certamente, equilibrista. Seu currículo, suas ações, provam. Chega agora para agradar aos militares, desde a deselegância cometida contra Pires no seu discurso de posse. Muito ambicioso, já cuida de alguma candidatura em 2010. Como sucessor de Lula ou como vice de José Serra?

 

...........

 

Vocês, nobres damas, ilustres cavalheiros, já leram avaliação semelhante, senão igual, sobre o neolulista e eterno tucano, Nelson Jobim, não leram? Onde leram?

Ora, aqui no blog Diário Gauche, no último dia 27 de julho, sexta-feira, num suelto com o título Com Jobim, governo dá guinada à direita e à privataria, assim como em outros comentários posteriores com igual conteúdo crítico à guinada do governo Lula e a seu bloco de poder sem nenhum caráter.

 

A ótima revista semanal CartaCapital desta semana está aprofundando mais o que comentamos no dia seguinte à posse do tucano Jobim. Esta publicação de Mino Carta é um sopro de oxigênio no ar empestilado que respiramos.




Escrito por Cristóvão Feil às 08h50
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Aviso!

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Novo endereço

 

Segunda-feira, dia 6/8, - se tudo correr bem - estaremos fazendo a barba, o cabelo e o bigode da direita e da mídia oligárquica já no novo endereço, a saber: http://www.diariogauche.blogspot.com

 

Quero encontrar todos lá, essa pequena legião de quatorze amáveis leitoras e leitores - inteligentes e participativos - que temos.

 

O jovem acima será o secretário ad hoc do blog, e quando for necessário, segurança.




Escrito por Cristóvão Feil às 17h26
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AIRBUS S.A.S.

 

De Michael Moore a Marco Maia

 

A tragédia com o avião Airbus A320 da TAM foi no dia 17 de julho último. Já se passaram 18 dias e o fabricante da aeronave se pronunciou apenas através de um mísero telegrama-comunicado. Esse telegrama não dá satisfações a ninguém em especial do Brasil, nem às autoridades, nem aos familiares das 199 vítimas do artefato projetado e fabricado pela Airbus. O comunicado é uma praxe internacional de alerta aos demais usuários daquele produto aviônico.

 

Rigorosamente, pois, não há pronunciamento cabível, exclusivo e pontual da corporação Airbus sobre o gravíssimo acidente de Congonhas. 

 

Ontem o Jornal Nacional da tevê Globo entrevistou um piloto experiente, em Paris, através da correspondente global lá estacionada (desculpem, mas eu não guardo o nome dessa gente, trata-se de uma senhora com cara de aquarela aguada). O sujeito foi muito prestativo, mas não disse nada de relevante.

 

A aquarela aguada bem que poderia ter ido à Toulouse sede administrativa da Airbus S.A.S. (EADS Systems) e entrevistado alguém de responsabilidade na corporação – o maior fabricante de aviões de passageiros do mundo.

 

Se nota que há um interdito tácito no caso da Airbus. Eles não se manifestam, e a mídia brasuca (covardemente) não os incomoda.  

 

A Airbus está fechada em copas. A Airbus deve explicações às autoridades e à Justiça brasileiras.

 

Isso me lembra um caso famoso acontecido com o escritor e documentarista Michael Moore, anos atrás. Ficou-se sabendo da sua existência através deste fato, bem anterior aos seus corajosos e aguerridos documentários que fazem sucesso no mundo todo.

 

Michael Moore (foto) precisava entrevistar alguém de uma grande corporação norte-americana. Não lembro se era da GM ou de algum grande laboratório de fármacos. A diretoria da tal corporação se fechou em copas, não o recebia e não dava nenhuma explicação ao gordo serelepe. MM muniu-se então de seus apetrechos de trabalho e fez um pequeno comício na calçada do prédio-sede da tal empresa. Lançava alto e bom tom todas as questões e dúvidas que faziam parte de suas suspeitas sobre o objeto de sua pretendida entrevista. No outro dia, a diretoria corporativa mandou-o entrar e atendeu-o de forma civilizada.    

 

Estava pensando. O deputado Marco Maia (PT-RS) bem que podia dar uma de Michael Moore. Ele não foi à Washington dias atrás para verificar se os peritos norte-americanos estavam trabalhando corretamente na abertura e degravação das caixas-pretas? Pagou esse mico horroroso para o Brasil inteiro!  

 

Como forma de resgatar a sua imagem abalada, o bravo de Canoas bem que poderia ir à Toulouse, no belo Sul da França, e tentar uma audiência com os executivos da EADS Systems. Se eles não o recebessem, o bravo parlamentar faria uma algazarra homérica na calçada do prédio, com devidos registros de áudio e imagem. Aposto que seria um documento memorável, e que lhe poderia asfaltar o caminho para o mundo do cinema e de ser um autêntico pop-star (algo que ele certamente sonha todos os dias).    

 

Mas será que o MM canoense tem o mesmo talento do MM norte-americano? Eis a questão!




Escrito por Cristóvão Feil às 08h56
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Conhaque musical

 

 

E essa chuva não cessa, né minha filha?

 

Mas relaxa! Hoje é sexta-feira. Escuta aqui o ótimo The Strokes. Vai um conhaque? 


 



Escrito por Cristóvão Feil às 18h00
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Respeito aos vermes

 

 

Medo dos parasitas

 

Deu na coluna Painel, hoje na Folha.

 

Na reunião de ontem [do Conselho Político do governo], Lula comparou o recém-lançado movimento "Cansei" ao grupo de empresários venezuelanos que deu suporte ao golpe que depôs o presidente Hugo Chávez por 48 horas cinco anos atrás.

 

É absolutamente incompreensível esse tratamento com luvas de pelica que o presidente Lula dispensa a esses vagabundos entediados da elite branca, herdeiros de todos os golpismos e sobretudo herdeiros diretos do escravagismo oligárquico que durou mais de 350 anos no Brasil.

O presidente Lula só faz essas considerações – de resto, corretas – em ambientes fechados, em reuniões privadas. Parece ter medo (ou seria respeito?) dessa gentalha parasitária.                 




Escrito por Cristóvão Feil às 10h10
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Luta de classes na Bolívia

 

Os ponchos rojos bolivianos estão mobilizados com Evo

 

A parada militar em Santa Cruz anunciada por Evo Morales para o dia 7 de agosto, o dia das Forças Armadas, está causando alvoroço. Os meios de comunicação local falam em presença de ‘hordas do MAS’, ‘invasão dos altiplanos’ e ensaios governamentais para ‘tomar Santa Cruz’. A matéria é do jornal Clarín.


Marcharão no desfile cerca de 2 mil indígenas de todo o país, mas todos os olhares, temores e críticas estão voltados para os ponchos rojos (na foto, com fuzil Mauser 1952). Estes chefes aymaras são para o governo um símbolo da nova Bolívia inclusiva, enquanto que para os de Santa Cruz são os temíveis ‘paramilitares indígenas’. Em janeiro deste ano, Evo Morales os chamou para “defender a unidade do país” frente às supostas intenções separatistas das províncias rebeldes. E o vice-presidente Álvaro García Linera – que passou cinco anos na prisão por participar de uma guerrilha indígena nos anos 90 – os convocou a converterem-se em “guerreiros da libertação indígena”.

Depois da confusão que provocou a geração de imagens dos indígenas armados diante do presidente, o governo anunciou que ia desarmá-los. Essas armas, muitas em desuso, provém dos anos 50, quando o governo de Victor Paz Estenssoro organizou milícias campesinas nacionalistas. A que se soma uma tradição que mistura mito e realidade: nas comunidades, só é homem quem consegue roubar o fuzil do serviço militar.

Não é a primeira vez que os camponeses desfilam com os militares na era Evo. Isso já aconteceu por ocasião da inauguração da Assembléia Constituinte em 2006 e o líder cocalero não esconde o seu entusiasmo em por em pé uma aliança militar camponesa como base do seu governo. Agora os ponchos rojos voltaram à polêmica enquanto ensaiam para entrar em Santa Cruz a passo de ganso, ao mesmo tempo em que o governador Rubén Costas poderá não participar.

“No momento estamos diante da luta de classes de Marx e a luta de Faustino Reinaga (um teórico indigenista dos anos 70). A oligarquia está perdendo o seu poder nacional, então quer a autonomia regional”, afirma Juan Carlos Condori, dirigente comunitário de Achacahi. Esta combativa localidade próxima ao lago Titicaca tem uma longa história de rebeliões indígenas. Em 1782 recebeu de ‘presente’ o braço esquerdo do caudilho aymara Túpac Katari depois do seu esquartejamento pelos espanhóis para sinalizar o que aconteceria com aqueles que se levantassem contra o colonialismo. Em janeiro de 2006, os ‘ponchos rojos’ fizeram parte da segurança pessoal de Evo Morales no ato de investidura indígena ante as míticas ruínas de Tiwanaku.

O “massacre de Terebinto” é o fantasma mais invocado nesses dias. Em 1958, o governo nacionalista enviou milícias camponesas à Santa Cruz para desativar uma tentativa de golpe da Falange Socialista Boliviana com um saldo de vários mortos. E os fatos ficaram como o símbolo da ‘invasão camponesa’.

“Já dissemos a Evo Morales que não haverá outro Terebinto, lutaremos por Santa Cruz custe o que custar. Que o MAS não se atreva a trazer camponeses para este ato”, advertiu o dirigente da União Juvenil de Santa Cruz, Wilberto Zurita que convocou ao “aquartelamento” os seus aderentes. O presidente respondeu que não teme grupos radicais.




Escrito por Cristóvão Feil às 09h15
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Respeitando as urnas e a si

 

Bolívia avança na reforma agrária

 

O presidente da Bolívia, Evo Morales, promulgou ontem um decreto para confirmar a sua “revolução agrária”, que prevê a expropriação de terras ociosas e que não cumpram uma “função econômica e social” para reparti-las entre os indígenas. Esta medida é contestada pelos poderosos sindicatos patronais agrícolas da rica província de Santa Cruz de la Sierra.

 

Evo Morales (foto) também distribui aos camponeses títulos agrários de 70 mil hectares na localidade de Ucureña (centro do país) e proclamou o dia 2 de agosto como Dia da Revolução Agrária. A informação é do jornal Clarín, de hoje.

 

O governo Evo Morales calcula que com esta lei, entre 20 e 30 milhões de hectares permanecerão nas mãos de empresários produtores, mas uma superfície igual ou maior estará nas mãos dos indígenas e camponeses.          




Escrito por Cristóvão Feil às 08h54
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E o fabricante do A320 da TAM?

 

Airbus, privatização e desastre

 

Ontem o Jornal Nacional desfocou a objetiva da pista de Congonhas e focou-a em possíveis falhas mecânicas e/ou humana.  

 

Horas depois da tragédia de Congonhas, chegaram a São Paulo, técnicos e engenheiros da Airbus, o maior fabricante de aviões de passageiros do mundo. A notícia foi dada pela mídia corporativa, mas sem nenhum destaque, passou quase imperceptível. Ora, essa informação – cada vez mais – adquire importância no contexto geral da tragédia. O procedimento do pessoal da Airbus não é exclusivo, em todos os acidentes aéreos graves ou não, eles comparecem para verificar causas e comprometimento dos seus equipamentos.

 

A partir de ontem, portanto, a mídia corporativa precisa procurar o fabricante do A320 da TAM. Ontem, a Globo trouxe uma matéria produzida em Paris com um especialista em desastres aéreos. Uma matéria inútil. Por que a Globo não procura a própria Airbus? Por que o silêncio obsequioso da empresa Airbus? Que conclusões tiveram os seus engenheiros no próprio local da tragédia de Congonhas?

 

.........

 

A origem da empresa fabricante de aviões de grande porte, Airbus, é estatal. Eram duas empresas estatais, uma francesa e outra alemã. Foram fundidas e depois, privatizadas, naquela febre neoliberal dos anos 80. Mais adiante o consórcio passou por todas esses neologismos da gestão neoliberal “muderna”: reengenharia, downsizing, migração do fordismo para o toyotismo, just-in-time, e culminou com a famigerada deslocalização, que nada mais é do que submeter uma empresa produtiva a uma lógica financeira brutal, cortes de custos, corte de pessoal (estão demitindo no momento cerca de 10 mil empregados), otimização de investimentos, aumento insano de produtividade (e da taxa de mais-valia), foco no lucro financeiro (não-operacional), retalhamento de unidades produtivas para obter vantagens comparativas com mão-de-obra a preços vis, etc. Um figurino tão conhecido quanto odioso.  

 

Resumo da ópera: a Airbus é um dos modelos mais acabados de empresa financeirizada. Sem contar os escândalos no qual seus dirigentes e executivos estiveram e estão envolvidos na Europa, os governos neoliberais da França, da Alemanha, Sarkozy, Helmuth Kohl, esquerda liberal, executivos milionários, etc. Daria um belo livro do ótimo escritor John Le Carré.

 

Tem um artigo sobre a Airbus no Le Monde Diplomatique de maio último, que pode ser lido (já traduzido)  na íntegra aqui.

 

Vale a pena ler. Depois da leitura, você certamente dirá: “Mas esses caras precisam ser ouvidos. Devem ter explicações a dar ao governo brasileiro, às autoridades, aos familiares das vítimas, e à Justiça!”




Escrito por Cristóvão Feil às 12h06
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Mídia guasca

 

As dores de cabeça do grupo RBS

 

Como dizem os turfistas, essa é uma informação de cocheira. O grupo midiático RBS – que apoiou o golpe militar de 1964 e todo o processo ditatorial que se seguiu – está muito preocupado com dois fenômenos imediatos e um, mediato.

 

O mediato é a crescente queda na venda dos seus jornais e queda no faturamento com a publicidade veiculada. Esse fenômeno não é exclusivo da RBS, é um fenômeno nacional e mundial. Está acontecendo já há alguns anos uma revolução no mundo da notícia e do entretenimento em geral, para o qual as empresas midiáticas não estão preparadas. O motivo mais evidente reside na entrada contínua de novas tecnologias de massa no circuito, que às vezes ainda não estão submetidas plenamente às leis da mercadoria. A internet é uma das mídias que ainda não está totalmente dominada pelo mercado, ou pelo menos pelas grandes corporações do mercado.

 

Os fenômenos imediatos são dois, como dissemos:

 

1) os blogs estão incomodando a RBS, não só pelo seu conteúdo irreverente, mas sobretudo pela incapacidade de serem dadas respostas a esse fenômeno que se socializa e escapa ao controle da lei do valor, subtraindo-lhe audiência, batendo de frente com a sua linha editorial, apontando o seu projeto de poder político-partidário, mas, sobretudo, denunciando a ilegitimidade do seu discurso e a farsa de sua pretendida neutralidade jornalística;

 

2) a entrada no mercado do RS da rede Record, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo. A informação é a de que o próprio diretor-presidente da RBS, Nelson Sirotsky está visitando anunciantes para propor novas parcerias exclusivas com os seus veículos no RS e SC. Sirotsky teria visitado pessoalmente o grupo Gerdau e proposto investimentos vantajosos em anúncios nos veículos da RBS, desde que contratados com exclusividade. Os Gerdau responderam que são uma corporação profissional e não poderiam anunciar com exclusividade nos veículos da RBS.   

 

    




Escrito por Cristóvão Feil às 10h39
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Respingos da privataria tucana

 

O mega lucro da Vale do Rio Doce

 

O lucro da Vale do Rio Doce [privatizada, quase doada, de forma criminosa por FHC] no segundo trimestre, convertido em dólares, é maior do que o de tradicionais companhias americanas, como a varejista Wal-Mart, os bancos Morgan Stanley e Goldman Sachs, a fabricante de bebidas Coca-Cola e a companhia de eletroeletrônicos Hewlett-Packard (HP). De abril a junho, o lucro da Vale alcançou US$ 3,033 bilhões. A informação está no Estadão, de hoje.

 

A Vale superou em 7,32% o lucro do Wal-Mart, em 17,46% o resultado do Morgan Stanley e em 63,85% o resultado do trimestre da Coca-Cola, segundo levantamento feito pela consultoria Economática.

 

Os números da Vale no ano também bateram outro recorde. O lucro acumulado pela mineradora em todo o primeiro semestre é o maior nos últimos 20 anos entre as empresas privadas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Segundo balanço da Vale, a companhia acumulou lucro de R$ 10,937 bilhões no semestre.

 

Segundo a Economática, o valor é o terceiro maior do período considerando todas as companhias abertas, incluindo as estatais. O recorde em um primeiro semestre é da Petrobrás, que obteve um lucro de R$ 14,138 bilhões entre janeiro e junho do ano passado

 

............

 

A Cia. Vale do Rio Doce foi vendida em um leilão em 1997 por 3 bilhões e 300 milhões de reais. Hoje, seu valor de mercado está avaliado em mais de 200 bilhões de reais, com faturamento bruto de  mais de 70 bilhões de reais.

 

Antes de privatizar a Vale, o governo do Farol de Alexandria impunha que a companhia estatal vendesse minério de ferro (foto de mina) a preços que não chegavam a 30% dos preços médios praticados no mercado internacional.

 

Se houvesse uma espécie de “tribunal de Nüremberg” da privataria tucana, por crimes de lesa-pátria, o professor Cardoso estaria no banco de réus, com um processo volumoso e pré-condenatório.

 

Seria interessante indagar do ministro Jobim, que também foi ministro de Cardoso, qual o seu parecer sobre o escandaloso caso Vale.




Escrito por Cristóvão Feil às 09h10
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Ocaso de uma estrela

 

PT agora só briga com a lógica

 

Reunida ontem em São Paulo, a Executiva Nacional do PT aprovou uma resolução conclamando seus filiados a defenderem o governo contra a "oposição de direita" e a "grande imprensa". Pura retórica (e tardia), mas tudo bem!

 

Um trecho da resolução é particularmente curioso. Este:

 

"Como em 2004-2005, os ataques da oposição de direita não se concentram em questionar os aspectos positivos da ação do governo. Os ataques estão concentrados nos pontos mais fracos de nossa atuação: nos flancos que deixamos abertos e nos erros cometidos."

 

O que espanta é o exímio “domínio” da lógica formal. A nota petista observa (vejam a lógica!) que a oposição não questiona os aspectos positivos, questiona e ataca somente os pontos mais fracos e os erros cometidos.

 

Queria o quê, Pedro Bó? Oposição, seja de esquerda, seja de direita, vai criticar o quê, senão os erros e os pontos fracos do adversário?

 

Vejam que essa Executiva Nacional do PT sequer domina a lógica formal mais corriqueira, imagina se fôssemos cobrar o domínio da lógica dialética, tão necessária para um Partido com um Programa transformador como (foi) o PT!

 

Seria como pedir briga com os caras. 




Escrito por Cristóvão Feil às 16h41
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E a Bela acordou!

 

Golpismo, sem golpe

 

O governo Lula pode ser dividido – por razões de análise – em duas metades temporais. Antes de Jobim, depois de Jobim.

 

Ontem em Cuiabá, o presidente Lula, depois de fazer considerações sobre a funcionalidade das suas próprias orelhas, reconheceu que faz um governo para os ricos. Reconhecimento tardio, mas franco e sincero.

 

"A gente tem duas orelhas, uma para escutar vaia e outra para escutar aplauso. Os que estão vaiando eram os que deveriam estar aplaudindo. Os que estão vaiando, posso garantir, foram os que mais ganharam dinheiro nesse país, no meu governo. Aliás, a parte mais pobre é que deveria estar mais zangada, porque teve menos do que eles tiveram. É só ver quanto ganharam os banqueiros, empresários. Vamos continuar fazendo política sem discriminação".

 

Essa frase “vamos continuar fazendo política sem discriminação” é reveladora. Notável! Sem discriminação contra os “cansadinhos” de Campos do Jordão, contra os 130 mil milionários brasileiros que possuem 50% da riqueza do País. Todo o poder a eles, pois. Sem discriminação! 

 

O Partido Bela Adormecida dos Trabalhadores acordou ontem, e deu-se conta que está sendo ejetado do poder planaltino. Uma constatação, embora tardia, sensata.

 

O curioso é que o Bela Adormecida reclama somente pela perda de cargos e funções públicas no aparelho de Estado, mas nunca criticou a continuada – diríamos assim – flexibilização das estratégias históricas do seu próprio Programa, constantemente esquecido e enxovalhado pelo lulismo.

 

O governo Lula vem desde o início sendo pautado pelo interesse estratégico do capital financeiro (que inclui políticas compensatórias muito bem delimitadas), e o próprio Lula reconheceu isso, ontem, tendo constituído um bloco de poder sem nenhum caráter (como diria Mário de Andrade, sem conotação moral).

 

A única e singular certeza é a de que o governo resvala liso e fluído para a direita. A volta à Esplanada do tucano com disfarce de peemedebista, Nelson Jobim, é o marco desse trânsito migratório evidente e inexorável. Mal Jobim assumiu, e já correu para São Paulo. Certamente foi fazer um relatório para o chefe José Serra.

 

Nelson Jobim é um quinta-coluna tucano enfiado nas reuniões e estratégias planaltinas, com direito a voz e voto, e relatório analítico aos ninhos avícolas de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, etc.

 

O governo Lula pode ser dividido entre a-J e d-J. Muito lentamente, pois, a direita e a mídia corporativa – herdeiros do escravagismo oligárquico – perpetram o seus objetivos golpistas, sem golpe. Ruidosamente batidos nas últimas eleições presidenciais, avançam no poder através de crises urdidas e astuciosamente fabricadas na mídia, desfazendo no grito aquilo que o maciço eleitorado lulista construiu na vontade consciente do voto popular.

 

O voto? Ora, o voto! Se nem Lula acredita no voto, querem que a direita e a mídia oligárquica acreditem?  

 



Escrito por Cristóvão Feil às 10h47
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